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julho 17, 2013

Crítica: 'Mad Men' termina temporada psicodélica e magistral

Don Draper começa seu caminho pela redenção




Quando saíram as peças promocionais da sexta temporada de Mad Men, deu para perceber que o que estava sendo insinuado em fragmentos nas temporadas anteriores, realmente iria acontecer: Dick Whitman voltou para "assombrar" Don Draper (Jon Hamm). Não bastou se tornar um homem bem sucedido, trocar de casamento e manter a pose num mundo falso que é representado pela publicidade. Com a sociedade mudando e o comportamento das pessoas cada vez mais sendo influenciado pela contracultura com a psicodelia das drogas, os movimentos sociais como a ascensão dos negros e das mulheres no mercado de trabalho, além da onda política que tomou conta de todos com a Guerra do Vietnã, a verdadeira identidade de Draper foi se impondo para preencher o vazio existencial daquele falso corpo - e mente. A temporada se encerrou nessa segunda (15), pela HBO Brasil, e garantiu bons momentos nessa viagem à tumultuada cabeça do protagonista.

Algo que todos tem certeza desde o momento do nascimento é a morte. Como fora sendo trabalhado na temporada anterior - com seu ápice sendo atingido com a morte do sócio Lane (Jared Harris), que britânico, não suportou a pressão de um escritório americano - a morte pareceu cada vez mais próxima. Primeiro o ataque cardíaco do porteiro do prédio de Don e Megan (Jessica Paré) e depois a mãe de Roger (John Slattery) que teve um episódio focado em seu funeral. Depois de chegar aos 40 anos e começar a se questionar sobre a morte, Don Draper caminha para o limbo da pergunta de quem ele é. "Você é um monstro", como indagou a amiga Peggy (Elisabeth Moss). O modelo de homem de negócios maquiavélico e antiético ainda tem seu espaço na hierarquia de grandes agências, entretanto, isso tem um preço à pagar num mundo que tem se transformado em ser mais orgânico, espiritual, em oposição ao american way life que a publicidade tem obrigação de pregar ainda.

Mad Men se concentra em mostrar a vida de pessoas que vivem num alto círculo social, mas a realidade das ruas divididas sempre acaba interferindo de alguma maneira em suas casas e trabalho, sempre misturando sentimentos e traçando analogias do que se passa lá fora e entre quatro paredes. Daí a entrada das drogas em escritórios, a terapia como profissão em ascendência, o sexo e a infidelidade. O movimento hippie que ganhou sua versão mercadológica para se incorporar na indústria e animar festas de ricos executivos. Draper e sua compulsão pela bebida que serve para controlar os fantasmas e os problemas, segue firme. Sua amante que nada mais era que uma projeção de seu passado quando cresceu em um bordel - o único afeto que ele sentiu foi com uma prostituta que lhe deu carinho, sopa e sexo. Se profissionalmente ele sempre esteve adiantado por ter vivido uma vida em meio à tensões e uma realidade difícil - entender bem seu público alvo - Draper se viu sendo passado para trás. Afinal, suas confusões pessoais acabaram sendo transpostas para a sua publicidade deixando claro seu verdadeiro eu melancólico à amostra - como exemplo a publicidade de um Hotel no Havaí, sua briga com o representante da Jaguar, sua fala sobre jovens convocados à guerra para sócios da Chevy e, no final, seu desabafo aos executivos da Hershey's.

O que era sempre cartas marcadas, acabou se tornando um pesadelo para ele. Don perdeu o controle, pois o ambiente ao redor mudou de uma maneira que lhe pregou peças. Agora ele ouve "não" de mulheres e sua filha não é mais uma criança, podendo aparecer e pegá-lo em flagra. Sua ex-esposa, Betty (January Jones) pode usá-lo para uma noite de sexo. Seu escritório tem mais gente mandando do que recebendo ordens e todos querem a maior fatia do bolo - até Joan (Christina Hendricks) vestiu sua armadura e foi pra guerra. Foi lá que Draper encontrou seu reflexo no personagem de Ted (Kevin Rahm) que era de uma agência rival, mas acabaram se fundido - a publicidade aos poucos vai perdendo seu brilho e glamour. Ted é um homem bem sucedido, criativo como Draper, mas tem ao seu a favor ser mais gentil. Don percebe que o carisma dele é muito grande, ainda mais quando Peggy se mostra apaixonada por ele, Don, então, parte para o ataque fazendo um sentimento de companheirismo e ódio entre os dois se estabelece. Em um grande momento de catarse Draper abre a mão de trabalhar na Califórnia - para fugir de seus problemas - e deixa Ted ir em seu lugar - esse quer salvar o casamento que pode ser destruído por causa se seus sentimentos por Peggy.


Quando comentei sobre a estreia da temporada, falei sobre como cada personagem vai tentando assimilar as mudanças e assim se manter no trabalho e na vida pessoal. Personagens como Pete (Vincent Kartheiser) que é praticamente um Don de fraldas, foi na pele descobrindo que existem outros como Don espalhados, vivendo mentiras, mas que tem seu lado bom e profissional. Pete percebeu que sua perseguição pelo enigmático Bob (James Wolk) lhe rendeu a vida de sua mãe, que depois de tentar ajudar Pete (mesmo com intenções amorosas) acabou sendo punido apenas por ser gay - fazendo esse revidar e de alguma forma resolvendo o problema de Pete, já que sua mãe lhe tornará um fardo. Sua redenção ocorreu no final da temporada com ele pedindo desculpas à Bob e encerrando de vez o assunto - deu a entender que ele vai buscar ser melhor com a família. Joan se viu como uma mera secretária apesar de ser umas das sócias. Passando por cima dos outros, mostrou que não é apenas a mulher que dormiu com o chefe, com a Jaguar, e assim conquistou com seus méritos a Avon. Na cena final, fechou os olhos para Don Draper, no melhor estilo "amigos, negócios à parte". Peggy busca um amigo, um amor... Conseguiu um gato para lhe livrar de ratos e mais desilusões - aquele ambiente não é pra ela tão sentimental.


A jornada em entender esse personagem tão fascinante como Don Draper é contada cada vez mais com uma maestria de dar gosto. Se essa temporada todos ficaram à sombra do protagonista, não por menos, Jon Hamm brilhou. Toda aquela atmosfera fantasmagórica, com o passado lhe tocando e conversando contigo foi algo supremo. E mais importante, influenciando cada gesto - posição fetal quando parece acuado, abatido quando leva um pé na bunda da amante, assustado quando chora para a esposa sobre não sentir nada pelos filhos, melancólico - como sempre. Don é um homem perturbado, traumatizado que acreditou nas verdade que ele cria para vender e as quis incorporar para si próprio. Criou o seu american way life e afundou junto com ele. Agora caminha para contornar seu vazio existencial, de maneira mais forte, indo direto na raiz. Leva seus filhos para assim o conhecê-lo como nunca o fez antes. É a hora da virada e de correr atrás do prejuízo com seus filhos, que poderiam terminar como ele.


Mad Men ainda funciona de forma magistral a contextualização de uma época cercada de novos significados, uma mudança cultural violenta e a política ganhando contornos históricos - seja com a morte de Martin Luther King, o tiro contra Bobby Kennedy ou a campanha avassaladora de Nixon. A violência vai se mostrando mais ameaçadora - assalto em condomínios e o barulho de sirenes que invadem os apartamentos dos prédios de Manhattan. O cinema reflete toda essa mudança, seja no pessimista O Planeta dos Macacos, que estreou com Nova Iorque à beira de um caos e O Bebê de Rosemary, da qual, aterroriza o padrão antigo de vida da classe média. Junto com essa cultura em ascensão de Hollywood, a televisão ganha cores e passa a ser um novo personagem nas casas. Sua influência é mostrada de forma subjetiva, com crianças hipnotizadas à ela, preenchendo o silêncio da solidão de salas e casas e chamando atenção para as ruas tomadas por manifestantes, buscando atingir àqueles que estão em casa.

Para finalizar a temporada, a música de Joni Mitchell, Both Sides Now, que tem como bem representativo o refrão:

"...Olho a vida de ambos os lados agora
Do ganhar e perder, e ainda de alguma maneira
É das ilusões do amor que eu me recordo
Eu realmente não conheço nada da vida..."


Mais simbólico, impossível. Mad Men caminha para o seu final com um sinal de esperança, apesar de tudo sempre mostrar o contrário. É de arrepiar.

julho 11, 2013

Crítica: 'Hannibal' termina temporada absurdamente perfeita

Temporada de estreia segura a tensão e joga um grande gancho no final


O vilão Dr. Hannibal Lecter marcou o imaginário da cultura pop não apenas por ser um tenebroso serial killer que após matar suas vítimas, as comia. Ele ainda foi audacioso em quebrar paradigmas, se mostrando um homem culto e elegante. Os maiores trunfos dos filmes, da quais, ele chamava atenção para si, estavam no fato de manter diálogos inesquecíveis com o FBI e suas vítimas. Na série Hannibal, que finalizou sua temporada na última terça, 09, pelo AXN Brasil (que se mostrou atrapalhado em algumas exibições que deviam ser legendadas ou dubladas - porém o canal teve o senso e respeito de se retratar), a sua relação inicial com o FBI foi o grande foco que se aprofundou em como esse gênio maldito, consegue manter um nível de frieza impressionante diante à agência. A série que começou impecável terminou incrível.

Quando comentei que o seriado tinha como maior qualidade o visual exuberante, com tudo no lugar, fazendo jogos com as cores que davam um prazer só de observar os cenários, os figurinos, as locações, os efeitos visuais e a trilha sonora, não sabia o que a trama ainda guardava. Tudo caminhou de maneira lenta, mas sem em nenhum momento ser arrastada ou desinteressante. Mesmo não sendo um produto propriamente original, o espectador foi convidado a caminhar junto com o investigador do FBI Will Graham (Hugh Dancy), que depois de anos afastado, é convocado quando um serial killer desafia a polícia. Porém, apresentando problemas em relação ao passado que lhe causaram o afastamento, seu chefe Jack Crawford (Laurence Fishburne) pede auxilio de Dr. Hannibal Lecter (Mads Mikkelsen), um psicólogo que também ajuda em traçar perfis de criminosos, assim como era a especialidade de Graham. Entretanto, o investigador está num estado mental tão vulnerável, que Hannibal se aproveita para tirar informações preciosas, além de desafiar o jovem policial.

A caminhada de Will vai tomando caminhos sombrios, já que Hannibal se aproveita dele para angariar novas vítimas e finalmente conseguir culpá-lo por crimes que ele não cometeu - provavelmente os seus. Incrível como o seriado não deixou nenhuma ponta solta ou utilizou casos isolados como se não tivessem conexão com o arco principal. Todos eles foram trabalhados tanto para evoluir a degradação mental de Will quanto para conectar os assassinos ao Hannibal. O ponto negativo talvez esteja na, mais uma vez, representação da cega agência do FBI que sempre é enganada pelos criminosos, mesmo com tantas pistas que os levam ao culpado. Porém, o jantares luxuosos e as conversas inteligentes com Hannibal, além de seu inquestionável carisma, realmente complicam a situação dos investigadores que também alimentam um vínculo de amizade - ainda mais que apenas Will passou à suspeitar dele.

Foi uma temporada bem elaborada e que deixou um gosto de "quero mais", pois a impressão é que apenas está começando. Curioso que a cena final foi contra todas as apostas, afinal, esperava-se que a revelação sobre Hannibal ocorreria logo nesse desfecho. Segundo o produtor e roteirista Bryan Fuller, o objetivo é produzir sete temporadas e na segunda temporada o vilão já estaria desmascarado e Will o perseguiria. Nas outras, Hannibal ainda estaria solto; na quarta a trama seguiria o a história de Dragão Vermelho, com Hannibal preso contribuindo para o FBI; na quinta partiria para O Silêncio dos Inocentes e Clarice (na verdade, um outro nome seria usado) seria apresentada; na sexta temporada, a trama iria para a história do livro e filme Hannibal e, na última temporada, os protagonistas, Will, "Clarice" e Hannibal estariam juntos. Claro que na TV, essa pretensão é boa, mas com a audiência longe de se mostrar satisfatória, pode fazer os produtores mesclarem histórias e antecipar grandes eventos. Porém, à julgar por essa temporada de estreia, eles levaram bem ao extremo o ditado "a pressa é inimiga da perfeição".

julho 06, 2013

Crítica: 'Bates Motel' estreia com o desafio de impactar como 'Psicose'

Seriado tem atuações fortes e roteiro que promete se aprofundar na relação mãe e filho



Poucas pessoas sabem, mas o grande clássico do suspense de todos os tempos Psicose (1960), dirigido pelo mestre Alfred Hitchcook, teve duas continuações, um telefilme e um remake. Apesar de primeira continuação ter sido elogiada, mesmo com um diretor diferente, o filme original é o único que vive no imaginário das pessoas e representa um marco na industria cinematográfica, influenciando a cultura popular até hoje. Com uma rica história ainda à ser contada, em um momento, da qual, a TV tem buscado no cinema fonte de novas histórias e personagens desafiadores, não tardou para ressuscitarem Norman Bates e mostrar o que ocorreu anos antes da matança desenfreada do filme. Bates Motel parte dessa premissa e chegou no Brasil na última quinta (04) pelo Universal Channel.

O seriado, que se passa nos dias de hoje - uma licença poética para angariar um novo público - começa com a morte do pai de Norman Bates (Freddie Highmore, surpreendendo depois de tantos papéis infantis), o que choca o filho, lhe restando apenas sua mãe Norma Bates (Vera Farmiga, ótima no papel) como família. Seis meses depois do fatídico dia, ela surpreende o filho ao ter comprado um antigo hotel em uma outra cidade e decide recomeçar a vida por lá. De primeiro momento o seriado foca nessa nova vida de Norman, com 17 anos, e sua mãe. Conhecemos melhor aquele jovem que aos poucos vai sofrendo uma pressão da mãe e mostrando uma personalidade sombria. Conhecido por influenciar vilões antológicos como Leatherface de O Massacre da Serra Elétrica (1974), o grande êxito da trama é essa característica familiar que colaborou em acrescentar algo a mais em outros vilões. O psicológico levado ao literal marcou Norman Bates como único, já que se transvestia como sua mãe.


Nesse primeiro episódio de Bates Motel, é possível perceber a forma como Norma age com o filho, manipulando-o e assim conseguindo o que quer. Apesar disso, é bem claro que a relação entre os dois é muito forte num sentido também amoroso, de pura cumplicidade - que logo se revela acima de qualquer coisa, inclusive à questões éticas. Mas ainda assim, o seriado tem lá seus problemas. Essa primeira situação que põe mãe e filho em um grande teste, cai por terra pela falta de lógica. A grande ameaça, o que seria o herdeiro do hotel e que começa a ameaçar Norma, invade o ambiente e violenta a mulher. Porém, antes disso, ele já tinha ido ao local e sabia da existência de Norman. Pois bem, mesmo a mãe gritando pela ajuda do filho, nem mesmo assim o invasor deixou de fazer o que queria - ele não teria se preocupado com a possibilidade de o jovem estar em casa, pegar um telefone e ligar para a polícia? Ou ter feito o que acabou fazendo?

É preocupante que logo de cara, um seriado tão promissor já insira uma situação fraca, que acaba parecendo superficial e forçada apenas para criar alguma tensão, mostrar sangue. Psicose é um clássico, mas não apenas pelos enquadramentos inéditos, a tensão primorosa da trilha sonora, as atuações espetaculares e o grande vilão, mas também apresentou um roteiro sólido, eficiente e que mudou os paradigmas do gênero. Sua importância se justifica por essa união de qualidades. Bates Motel surge num momento duvidoso da TV que depois da onda de vampiros e zumbis, agora busca nos assassinos em série, uma nova moda para assim se sustentar. O problema é que ela corre o risco de não se sobressair, apesar de se apoiar em uma joia rara da cultura pop. É aguardar para saber quais caminhos a série vai tomar, afinal, sangue sem justificativa é o que sobra no matadouro que a TV tem se tornado.

julho 03, 2013

Crítica: Segunda temporada de 'VEEP' se arrisca mais e garante boas piadas

Comédia ousou mais e acelerou o ritmo 


Na primeira temporada a série VEEP, que gira em torno dos bastidores políticos de Selina Meyer (Julia Louis-Dreyfus), vice presidente dos Estados Unidos, focou no posicionamento dela diante o gabinete sem grande importância, da qual, se encaixa na hierarquia. Perdida em conseguir aliados para questões importantes, se viu tendo de apoiar categorias menos nobres como a questão da obesidade. Com poucas situações engraçadas, o seriado não assumiu grandes riscos, provavelmente com medo de acabar se transformando em algo de mau gosto. No entanto, a segunda temporada (que terminou na última segunda, 30, pela HBO Brasil), talvez impulsionada pelo Emmy que recebeu como melhor atriz, foi mais longe e ousou na desconstrução da protagonista. O resultado foi bem mais engraçado.

A trama partiu para uma analogia mais fiel à realidade, como o frequente conflito em países como Irã, envolvendo assuntos que ferem a diplomacia quando se descobrem espiões da CIA por lá. Foi ainda mais longe ao inserir o namorado da filha, da qual, Selina tem problemas de relacionamento, e sua nacionalidade é iraniano (piada pronta na situação). É curioso que o seriado não diz qual é o partido da Selina, mas isso não faz diferença. Todos estão tão iguais que as situações combinam com ambos os perfis. A vida pessoal dela ganhou mais destaque mostrando sua conturbada relação com o marido Andrew Meyer (David Pasquesi), que vivem entre tapas e beijos. Um dos melhores episódios se concentrou numa entrevista de todos reunidos precisando mostrar a boa sintonia da família, cozinhando e posando como uma propaganda de manteiga. O resultado foi hilário e no final ela precisa consertar tudo. 

Sua equipe de assessores que foi a parte mais engraçada na primeira temporada, agora se viu na sombra da protagonista, que só agora justificou sua performance premiada. Julia Louis-Dreyfus teve mais oportunidades de improvisar, seja em discutir com pessoas dentro da Casa Branca, chapada de remédios - como no penúltimo episódio em que se fere atravessando uma porta de vidro -, cantando e até mesmo nesses conchaves com a família. As redes sociais estavam ali perto para o desespero geral dos assessores. A situação deve tomar contornos ainda mais loucos, visto que ela pode entrar em nova campanha presidencial antes do que imaginava, já que com problemas na administração, o presidente não irá tentar a reeleição. 

Possa ter sido proposital esse caminho mais dinâmico dos roteiristas para a série. Sabe-se que a administração de um país (multiplicando-se por dois como é o caso dos EUA) sempre ganhe turbulências mais sérias ao decorrer do mandato. Pior ainda se for no segundo mandato. Em tempos de Obama se envolvendo em conflitos na Síria, patetice do FBI em conter terrorismo em território nacional e o escândalo da espionagem contra o próprio povo americano, VEEP acaba ganhando ainda mais brilho e mostrando que as trapalhadas dos governantes, independente do partido, são de fato fontes ricas para muita graça, e não ao contrário - basta ver como o povo apoiou o Obama mesmo em algumas dessas situações polêmicas. É aguardar para ver o que o próximo ano vai mostrar e, devido aos ânimos da próxima eleição, promete. Será que VEEP vai mudar de nome se Selina for eleita presidente? 

junho 27, 2013

Crítica: apesar de forçada, estreia de 'Scandal' prende a atenção

Seriado da criadora de Grey's Anatomy tem ritmo, mas sofre o mesmo mal da série médica


Em Grey's Anatomy, a rotina em um grande hospital se mistura com os problemas pessoais de médicos e pacientes. A vida dos protagonistas é mostrada trançando analogias com o que aparece naquele lugar. Mortes, amores, nascimentos, brigas, ética... Tudo é condensado para ganhar destaque individuais ou generalizados, com os eventos que tocam vários ao mesmo tempo - os acidentes mortais que são praxe. Seguindo essa lógica, o seriado é um sucesso absoluto, chegando agora à sua 10ª temporada, fazendo a criadora Shonda Rhimes ganhar ainda mais prestígio na ABC, emissora, da qual, o seriado é exibido. Não foi difícil para Scandal ser a próxima grande menina dos olhos da emissora, após alguns outros seriados feitos por ela sem grande repercussão.

No primeiro episódio, exibido pelo canal Sony na última segunda (24), Scandal une o que consagrou Grey's Anatomy. O bom equilíbrio entre o drama dos clientes e os protagonistas são o grande destaque, sendo que o caso do dia consegue ser tão interessante quanto. A estreia foi concentrada em mostrar a entrada de Quinn Perkins (Katie Lowes), uma advogada, para a equipe de relações públicas comandada pela famosa no meio Olivia Pope (Kerry Washington) e Stephen Finch (Henry Ian Cusick) - o Desmond de Lost. A partir daí ela já é inserida em um caso, que consiste em um assassinato que tem como acusado um herói de guerra. Ele se torna cliente deles, que precisam correr contra o tempo para provar sua inocência. Em outra vertente, é mostrado a relação de Olivia com o fato que lhe tornou famosa: ela trabalhou para o atual presidente dos EUA, Fitzgerald "Fitz" Grant (Tony Goldwyn), além de manter um relacionamento amoroso conturbado com ele - sendo esse o arco que se desdobrará pela temporada.

Um dos aspectos que fazem dos texto de Rhimes interessantes, é tocar em temas polêmicos, que apesar do contexto atual, na TV ainda são tabus. Nesse episódio o cliente foi um herói de guerra que tinha como drama ser acusada pelo homicídio da namorada ou se declarar publicamente gay (fazia parte do seu álibi). Grey's Anatomy é conhecida por esse viés liberal de intercalar diversos casos que vão desde o preconceito étnico, a homossexualidade (transsexuais, lésbicas, militares amantes, idosos gays), entre outros. Todos eles acabam muitas vezes de maneira feliz, como é de praxe nos programas da casa. Shonda não esconde seu posicionamento político democrata ao enfatizar que o soldado é republicano, então por isso o faz hipócrita. Apesar de ser uma ideia estática - existem alas dentro do partido republicano, como os libertários que é a favor de total liberdade individual -, ainda assim serve para marcar ainda mais o posicionamento da emissora com as minorias e simpatizantes que devem representar boa parte de sua audiência.


Esse é um dos deslizes dentre outros na séries, como o ritmo que é um tanto rápido, porém, seja comum para pilotos de seriados da rede aberta. Desse fato, outros acabam sendo comuns como a série médica mesmo sofre. Falta tempo para se aprofundar nos personagens e seus dramas e sobra tempo para explicações e explicações. De forma didática, o seriado tentou explicar qual é a função da firma, que ela não é uma equipe de advocacia e quer apenas provar a inocência de seus cliente, como um bom gerenciador de crises. Mas ainda assim, a explicação não colou. Como os clientes são aceitos na base da intuição, provavelmente a ética do grupo será posta à prova recorrentemente. O que lembra The Good Wife, mas que vai aos tribunais o tempo todo com as artimanhas do Direito. Fica bem claro que essa foi a fonte que Shonda bebeu sem culpa. Scandal promete intercalar política, vida pessoal e casos policiais, tão bem como o seriado de Direito da concorrente faz muito bem. No entanto, essa nova série deseja ser  mais dramática que The Good Wife - se isso for possível. Na sua terceira temporada nos EUA, é aguardar pra saber se o sucesso por lá vai se justificar, no primeiro momento se trata de uma série boa e só, um tanto inverossímil (presidente dos EUA de rolo com a protagonista é no mínimo forçado, antes um governador ou promotor), mas que tem potencial pra ir longe, talvez não tão longe como a série da Drª Grey.

junho 22, 2013

Crítica: 'Revenge' e o jogo cada vez mais perigoso

Temporada termina com muitas mortes e revelações


Em Game of Thrones, o continente de Westeros serve como tabuleiro para os Sete Reinos - que funcionam como peças - duelarem entre si pelo Trono de Ferro, o que representa uma vitória, visto que quem estiver no poder se salvará do Inverno que pode durar 40 anos. Em Revenge, a vingança de Amanda Clarke é o tabuleiro, as peças principais são seus aliados contra os Graysons, um clã que usa o poder do nome e a riqueza contra quem surgir à sua frente. Claro que as proporções entre as duas séries são enormes, mas a forma em que as tramas são colocadas muito se mostram parecidas. No final da segunda temporada de Revenge, exibida pelo Sony, na última quarta (19), mais uma peça saiu do tabuleiro e a vingança de Amanda ganha um importante novo aliado.

Foi uma temporada estável e que repetiu a densidade e o ritmo da primeira temporada com um bom episódio evento no meio dela. Por outro lado, o que parecia simples, a vingança de Amanda Clarke/ Emily Thorne (Emily VanCamp), acabou num emaranhado de tramas menores e que só serviram para criar momentos de ação. As "barrigas" (tramas menores para arrastar o enredo principal) focaram na Iniciativa, uma associação que estava ligada diretamente ao acidente que culminou na prisão do pai de Amanda e que usa suas informações captadas pelo hacker Falcon para extorquir pessoas. Outras foram: a mãe da Amanda que surgiu e saiu sem mudar muita coisa; o ambicioso irmão adotivo dela; o relacionamento de Amanda (Margarita Levieva) com os Graysons (a falsa Amanda, claro); o personagem de Aiden (Barry Sloane) que se juntou à Emily em sua vingança e ainda teve um relacionamento amoroso com ela; dois novos donos do bar de Jack (Nick Wechsler) e, finalmente, a política de Conrad (Henry Czerny) que esteve em campanha durante parte da temporada para ser governador.

Dessas várias subtramas, a que mais chamou atenção sem dúvidas, foi a ligada a falsa Amanda Clarke e os novos sócios do bar do Jack, que logo serviram como capangas de Conrad. Na lua de mel entre Jack e ela, um deles estava lá atrás de um laptop que tinha todos os podres dos Graysons, da qual, Amanda usou para conseguir dinheiro e se livrar dos dois. O episódio focou no sequestro de Amanda e Jack, no barco dele, e o resgate pelos mocinhos Emily e Nolan (Gabriel Mann). Infelizmente, no final, Amanda morreu, o que engatilhou novos rumos aos personagens e mexeu com o tabuleiro. Como uma boa novela, os episódios centrados na mãe de Amanda e no irmão adotivo criaram tensão, porém no geral, foram os mais fracos. Resta saber se a revelação de um filho perdido da Victoria Grayson (Madeleine Stowe) vai conseguir agitar a trama da terceira temporada.

Relacionados a Iniciativa, conheceu-se duas cabeças do esquema secreto, um deles foi vítima de Victoria, enquanto, Padma (Dilshad Vadsaria) a namorada de Nolan foi vítima deles. Nolan terminou preso graças à Iniciativa que provavelmente usou Padma e gravou um vídeo ligando-o ao acidente de avião. Falando em morte, Declan (Connor Paolo), estava no lugar errado, na hora errado e também morreu depois do ato explosivo da Iniciativa contra a Global Grayson - o ator já tinha reclamado do seu papel na série e, sinceramente, não fará falta. Descobriu-se que Conrad já havia se juntado à Iniciativa. Charlotte (Christa B. Allen) terminou dormindo, vai saber o por quê, enquanto seu namorado e pai de seu filho estava morrendo e seu pai sendo eleito. O destino de Aiden terminou em aberto. Ele foi pego pela polícia fugindo para o Canadá, acusado de ter roubado todo o dinheiro dos Graysons que estava na conta da Fundação Amanda Clarke, mas, estranhamente, apareceu solto procurando briga com Daniel (Josh Bowman) e pode ter sido assassinado por ele.

Essas subtramas, sem dúvidas impulsionaram o melhor para o final: Emily Thorne/ Amanda consegue chegar à tempo de Jack não atirar contra Conrad e diz a verdade sobre sua identidade. O comovente momento é o gancho um tanto óbvio, visto que o caminho trilhava para isso. Com a morte de Declan por falta de assunto para ele e Aiden que provavelmente vai sumir da série, mesmo que ainda vivo, fez abrir um grande espaço para Jack, o principal interesse amoroso de Amanda. Desde a morte de Emily, ele passou a ter o mesmo foco que ela: destruir os Graysons - então era questão de tempo para que a verdade viesse à tona para ele. Jack é daqueles personagens chatos, mas que ganhou uma dinâmica boa quando fora pressionado, desafiado, sendo um novo personagem vingativo. Essa raiva dele pelos Graysons e o amor por Amanda o faz restabelecer o poder de dois, dessas três baixas "do bem" - isso sem contar com a morte de Takeda (Cary-Hiroyuki Tagawa), o mestre de Amanda e Aiden, mas que virou malvado e foi morto por Aiden.

Sim, foram muitas mortes nessa temporada de Revenge. Muitos personagens matando e se livrando de corpos como se trocassem de roupa, muita gente entrando e saindo de casas - fico pensando como os Graysons tão ricos não conseguem encontrar um porteiro confiável. Volte e meia acontece um acidente, tentativas de extorsão, mortes e revelação de segredos na casa dos personagens e nunca se vê um empregado por perto, apesar de sempre entrar qualquer um, em qualquer horário. É risível as frases de Victoria quando um personagem entra do nada "Como você entrou aqui?", "Nossa, me surpreende que você não tenha sido anunciada", "Saia já da minha casa!", mas claro, logo mudam de assunto. Na casa de Emily/Amanda não é diferente, e logo ela, tão cheia de segredos... Entretanto, Revenge ainda empolga, mesmo com todos os deslizes, falta de lógica, as subtramas confusas e os personagens de novela mexicana. Amanda Clarke aos poucos está mostrando que é forte na queda, apesar de rivais tão poderosos e sua emoção lhe criando ainda mais conflitos. Resta saber se vai demorar muito para o Inverno chegar em Revenge, mas meu palpite, é que ele está chegando.

junho 18, 2013

Crítica: boa temporada de 'Grey's Anatomy' termina com personagem entre a vida e a morte

Nona temporada apresentou novo hospital que expandiu os horizontes da série


Depois de uma temporada instável, cheia de eventos repetitivos e claramente demonstrando desgastes na narrativa, Grey's Anatomy encerrou ontem (17) pelo canal Sony, sua nona temporada, com uma grande mudança que conseguiu injetar um novo fôlego na estrutura da série. O grande arco dos 24 episódios deste nono ano, foram os desdobramentos do controverso acidente de avião que ocorreu no final da temporada anterior. Com dois protagonistas mortos, Mark Sloan (Eric Dane) e a Lexie Grey (Chyler Leigh), eu mesmo estava para desistir da série. Ela caminhava para o absurdo, apelação e, obviamente, os roteiristas sabiam disso. Eis que essa temporada serviu para utilizar a tragédia e assim fazer uma imensa reestruturação no Hospital, consequentemente, na série - isso além de acrescentar novos personagens. E não é que revigorou a trama?

Mesmo com os personagens sem apresentarem grandes assuntos (relacionamentos proibidos ou doenças), o arco sobre o a indenização das vítimas do acidente desencadeou outros fatos, como a falência do Seattle Mercy Grace Hospital, sua venda que durou pouco e o (re)nascimento do Sloan Grey Memorial Hospital que assim conseguiu agitar a trama, dar uma sobrevida nas desgastadas relações entre os protagonistas e agora fez aumentar ainda mais o poder de decisões importantes que acontecem lá. Claro que, o time de roteiristas, trabalharam nessa reestruturação abusando de seu ótimo time de atores e inserindo cada um em um lugar de destaque e intrigas. Meredith Grey (Ellen Pompeo) e Derek Shepherd (Patrick Dempsey) figuraram como o casal feliz, apesar do luto da morte da irmã e do melhor amigo, eles muitas vezes foram o ponto de apoio de outros personagens. Agora sócios, são a peça principal até mesmo entre os mais importantes como a Miranda Bailey (Chandra Wilson) e Richard Webber (James T. Pickens). Ela passou parte da temporada grávida e, claro, depois de muito suspense, deu à luz.

Miranda e Richard por não terem vivido o horror do acidente, passaram a temporada meio que a margem dos acontecimentos, até terem a importância quando o hospital estava para ser vendido. Ela casou e ele se despediu da esposa doente. No final, Miranda e ele tiverem a relação estremecida depois de uma outra "barriga" criada para dar maior destaque nela que teve poucos momentos na temporada. Foram dela os bons episódios sobre a contaminação fatal de seus pacientes por ela. Richard corre risco de morte (o grande gancho para a próxima temporada). O casal Cristina Yang (Sandra Oh) e Owen Hunt (Kevin McKidd) mais uma vez se viu em crise, seja pelo acidente, da qual, ela foi uma das vítimas e ele era o chefe que acabou sendo responsabilizado, seja pelo fato dele querer um filho e, como sabemos, ela já abortou duas vezes na série. Toda trama sobre a Drª Yang é sempre muito emocional, e a metáfora dos últimos episódios sobre o menino, filho do paciente dos dois, e o pai que estava em coma, foi bem tocante. É complicado saber se desta vez, ela (talvez vendo a emoção da amiga Grey tendo um filho) terá o instinto maternal ativado.

O casal lésbico Callie Torres (Sara Ramirez) e Arizona Robbins (Jessica Capshaw) passou por diversas provações. Arizona foi o foco de muito drama, já que perdeu a perna no acidente de avião e toda sua recuperação foi acompanhada de forma muito ambígua pela esposa. Foram episódios com muito drama, desde a difícil aceitação de Arizona pela atitude da esposa de amputar sua perna, até a utilização de uma perna mecânica por ela. O sexo, a dor fantasma, tudo foi tratado com muita sensibilidade até os episódios finais, que Arizona trai a mulher com uma jovem médica (interpretada por Hilarie Burton, a Peyton de One Tree Hill). Foi o arco mais circular da temporada, pois todo o drama se voltou a atitude de Callie sobre salvar a vida da esposa. Agora, elas estão por um fio. Alex Karev (Justin Chambers) teve um affair meio amizade com a residente Jo Wilson (Camilla Luddington) que só deve ganhar forma na próxima temporada.

Outros residentes novatos lembram quando Meredith, Christina e Alex chegaram no hospital, suas lutas por atenção, seus erros, suas brigas. Parece que eles ganharam lugar cativo na décima temporada, e são sim muito carismáticos e com personagens bem definidos. Vale lembrar também de personagens que não tiveram grandes dramas, mas nem por isso não foram destaque como April Kepner (Sarah Drew) e Jackson Avery (Jesse Williams). Ela voltou pro hospital, quando Hunt foi atrás pessoalmente dela. Apesar de cuidar de pacientes de menor escala de risco, sua vida amorosa foi mostrada, a questão religiosa e foi até pedida em casamento, mas no final, se abriu com Jackson. Este, que só foi para os holofotes, quando sua mãe, uma famosa médica, comprou parte do hospital para salvá-lo, mas apenas com a condição dele ser o novo chefe, o que gerou muitos conflitos.

Sem dúvidas foi uma temporada eletrizante, principalmente na sua metade, quando o hospital declarou falência e passou por um grande processo de venda. Depois a união dos protagonistas que fizeram de tudo para salvá-lo de virar um local robotizado. Foram episódios tanto emocionantes com muita correira contra o tempo, até partindo pro tom de deboche, como o ótimo episódio em que a Callie e Richard vão espionar outro hospital que fora vendido para os que queriam o Seattle Mercy Grace. Esse equilíbrio de humor e drama conseguiram pôr o seriado médico mais uma vez no mapa na televisão como ótimo entretenimento, mesmo que ele não emocione mais como naqueles tempos em que as mortes de personagens importantes era tratada de forma mais emocional. A banalização fez mal ao seriado, porém, mesmo que tenha partido novamente para esse artifício, isso não mancha o legado da temporada que foi interessante e marcante. Bom saber que a morte de Sloan e Lexie abriu as portas para muito mais do que um simples fato chocante atrás de audiência.

junho 14, 2013

Crítica: Com temporada instável, 'Da Vinci's Demons' termina eletrizante

Gancho final melhora a série que soa forçada em vários momentos


Quando comentei o sobre o surpreendente começo da série Da Vinci's Demons, critiquei que grandes personagens como ele, sempre são deixados de lado em produções televisivas, diferente de personagens como a inescrupulosa e controversa família Bórgia que sempre tem seu lugar cativo. Quando o seriado parecia mostrar Leonardo da Vinci pelo menos de forma coerente, já que a trama tem todo o cuidado com a contextualização, mesmo que tenha mostrado que não ia seguir à risca a realidade, o que foi visto foi apenas uma caricatura do grande gênio.

O seriado que finalizou sua temporada nesta semana, sendo exibida pela FOX Brasil com apenas dois dias de diferença da estreia nos EUA, se mostrou uma grande sopa que mistura fantasia, sexo, violência, intrigas e mistério. Tendo como base o sucesso de Game of Thrones, a impressão que se tem, é que o seriado na verdade se perdeu em não ter um foco definido. Ao mesmo tempo em que se via os dilemas de Da Vinci (Tom Riley), e ele sempre com jeito infantil e moleque saia das confusões, por outro, a produção não economizava em nus frontais de idosos e afins. Dessa forma, é como se ao mostrar a juventude de Da Vinci, o que simbolizava numa forma mais aventuresca de apresentar o protagonista, o seriado também tivesse uma vontade de se transformar numa série adulta sem limites - com direito à cenas de puro mau gosto, como de zoofilia.

Apesar dos exageros e tramas que soavam forçadas, o seriado nos seus dois episódios finais conseguiu encontrar o foco que era aguardado. Remetendo ao início, dois grandes arcos mostraram ao que vieram para assim serem finalizados. O mistério de quem seria o grande delator de Florença para Roma, foi descoberto, mesmo que já tinha sido mostrado para os espectadores, porém essa revelação para os personagens seria bombástica, pois se trata de Lucrézia Donati (Laura Haddock), amante de Lorenzo Médici (Elliot Cowan), que controla o estado. O crescimento heroico de Giuliano de Médici (Tom Bateman) e seu final, também garantiram boas emoções. O outro arco foi de Leonardo, que após um flashback conheceu-se os Filhos de Mitra e que apenas um deles o veria ascender e guiaria o jovem para busca o Livro das Folhas na, ainda não descoberta, América do Sul. Assim, matou-se também o mistério envolto do feiticeiro Turco (Alexander Siddig).

Com um grande gancho para a próxima temporada - a série já foi renovada pelo Starz - é esperar pra ver se agora os roteiristas, tenham um foco menos agitado e mostre Leonardo com dilemas mais maduros sem cair nessa essência de jovem aventureiro ou assumir esse lado familiar, e melhorar nas cenas mais explícitas que destoam do que é o seriado, pois até agora não descobri sobre o que de fato ele é: um Bórgia vestido de Médici ou sobre o gênio e seus demônios psicanalíticos. Apesar, disso, o final me intrigou.

junho 10, 2013

Crítica: A temporada sangrenta e irregular de 'Game of Thrones'

Reviravolta no penúltimo episódio salva a série do limbo


Nada como um massacre para sacudir o tabuleiro da série Game Of Thrones que finalizou sua terceira temporada nesse domingo (09) em transmissão simultânea com os Estados Unidos pela HBO Brasil (que merece todos os elogios possíveis). Se a jornada da guerra entre os sete reinos andava monótona, a "morte" de dois personagens principais sacudiu a trama que gerou comentários desesperados dos fãs pelas redes sociais e rodinhas de conversa - principalmente dos que não acompanham a trama pelos livros (que dizem traçar caminhos cada vez mais diferentes, não só quanto caracterizações, mas no caminho que alguns personagens estão seguindo). Sob orientação do autor dos livros, George R. R. Martin, a terceira temporada adaptou cerca de 2/3 do terceiro livro da saga As Crônicas de Gele e Fogo: A Tormenta das Espadas.

Porém, a impressão de vislumbre após o fim de cada episódio, passa para um certo descontentamento. Com apenas 10 episódios, o seriado continua sofrendo de coerência em relação à jornada de alguns personagens. São diversos núcleos em constante movimentação que confundem a cabeça de qualquer um, já que a maioria das histórias ganham pouco mais de cinco minutos por episódio. Sem tempo pra explicar demais, o seriado então tenta focar nos mais poderosos - o que faz alguns perder qualquer sentido, deixando como esperança para no futuro a importância deles fazer algum sentido. Com o psicopata Joffrey Lannister (Jack Gleeson) no poder, o destaque da família ficou para o casamento de Sansa Stark (Sophie Turner) com Tyrion (Peter Dinklage), o que gerou uma onda de piadas. Foi a temporada que mais se aprofundou nesse clã. A dinâmica entre os filhos Tyron e Cersei (Lena Headey) com o pai (Charles Dance); dilemas entre os irmãos - o último episódio guardou um lindo diálogo sobre o que pra eles significava a felicidade e a importância das responsabilidades; e ainda a futura rainha Margaery Tyrell (Natalie Dormer) que roubou a cena com sua avó Lady Olenna Tyrell (Diana Rigg). É cedo dizer, mas os dias deles no Reino de Ferro me parecem estarem contados.

Os Starks que passaram mais uma temporada longe um dos outros, tiveram um dos finais mais tristes. Apesar de um choro contido de Sansa ao saber da notícia da morte de seu irmão Robb (Richard Madden), e sua mãe, Lady Catelyn Stark (Michelle Fairley), os personagens se por algum motivo não voltarem à vida - a temporada deu bastante foco nos poderes de ressurreição pelo Senhor da Luz - vão fazer falta. Mesmo que ambos tenham passado a temporada discutindo, e Robb chegou a pedir a prisão de sua mãe, eles foram vítimas de uma traição dolorosa e desumana. Arya (Maisie Williams) - que só falta passear pelo Leste, já que andou a metade do mundo - e Jon Snow (Kit Harignton) são agora o centro dos Starks, que como os dragões da série, vão ter de crescer um pouco para ganharem mais relevância.

Falando em dragões, eles são a principal arma que a princesa Daenerys (Emilia Clarke) tem usado para libertar povos e mais povos rumo à conquista do trono de ferro. Abusando de seu senso de justiça, a jovem não só tem ganhado a confiança de vários povos importantes, como tem sido clamada a mãe deles (quer algo mais forte e que remete à uma fidelidade incondicional que isso?). Foram momentos gratificantes, como sua inteligência ao libertar escravos e o povo de dois tiranos diferentes. O final mostra bem o que já era perceptível, enquanto os outros reinos estão em ruínas, com exceção dos que estão no poder, Daenerys tem uma rede ainda mais forte de apoio, além, claro dos seus filhos dragões. Curioso no último episódio que fora citado como seu ancestral havia tomado o reino com ajuda de dragões, o que só fez fortalecer a impressão que a moça vai longe.

Quem citou isso, foi o núcleo do Lorde Stannis Baratheon (Stephen Dillane) e sua fiel conselheira  Melisandre (Carice van Houten), que tiveram o antigo aliado Davos Seaworth (Liam Cunningham) fazendo o papel de questionador sobre o Lorde está com uma feiticeira ao seu favor e a ética desse meio controverso de chegar ao poder. Esta tem feito sua recorrente feitiçaria no intuito de matar importantes líderes - que por um acaso tinha Robb no meio. É esperar pra ver se a macumba pega no Joffrey também. Essa trama, sempre sexual e imprevisível terminou com a fala de Melisandre deixando claro o foco que o seriado deve explorar nos próximos capítulos: o povo morto vivo do norte que vai causar muitos problemas em breve, e não interessa a guerra entre os reinos.

Game of Thrones finalizou uma temporada estável, que perdeu o ritmo após um outro evento chocante - a mutilação de Jaime Lannister (Nikolaj Coster) enquanto refém -, mas conseguiu se recuperar com o impactante penúltimo episódio. É claro que todo o sucesso do seriado é graças a imaginação de seu criador, e não basicamente do que é visto na série - digo, o seriado por si só, não consegue se sustentar. Mortes e reviravoltas sempre dão um gás extra na trama rebuscada e complexa, mas a adaptação para a TV por vezes deixa à desejar - daí entra a importante parte técnica pra explorar os cenários da mitologia, como a marcante sequência em que mostra Jon Snow e a namoradinha em cima da grande muralha de gelo. Infelizmente, é complicado a compreensão total do seriado, que talvez se fosse ainda mais remodelado para a televisão, viria melhor a calhar dando maior profundidade aos personagens, em sua maioria, superficial. Mas isso não importa, o que todos querem saber, é como isso tudo vai terminar.