Páginas

setembro 30, 2012

Crítica: 'Girls' traz realidade crua ao retratar o início da fase adulta

Seriado é excepcional quando na TV tudo é bonitinho e os dramas pouco reais


Muito se falou nesse projeto da HBO que tentava resgatar uma visão feminina do mundo que se perdeu na programação do canal desde o final de Sex and The City. Entretanto, Girls termina uma temporada com uma visão mais realista, melancólica e trágica do cotidiano pré adulto nos dias de hoje - em contraste com a temática glamourizada do seriado clássico. Junto com uma ousadia aos moldes da inglesa Skins que trabalhava em cima do sexo, drogas e festas de adolescentes numa erupção de sentimentos, Girls traz o conjunto de sentimentos dentro de uma protagonista mais retraída, porém, que usa uma certa rebeldia e uma  auto vitimização para viver sua vida.

O seriado começa quando Hannah (Lana Dunham), gordinha e neurótica, tem a notícia que seus pais não vão mais sustentá-la e  cortando de vez o cordão umbilical numa referência à sua entrada na vida adulta que requer responsabilidades e independência. Ela mora em Nova Iorque com sua melhor amiga Marnie (Allison Williams), que trabalha numa galeria de arte - enquanto Hannah é estagiária não remunerada num escritório. Com o sonho de ser escritora, a jovem vive dedicada ao seu livro e busca experiência para transpor para as as páginas de seu livro.

O contraponto masculino vem na forma de Adam (Adam Driver), jovem narcisista que vive ao encontro com Hannah apenas para sexo (muitas vezes de maneira não convencional). Hannah durante a temporada passa a cobrar mais do rapaz, e ele revela suas intenções reais com ela. O sexo sem compromisso passa de uma relação mais séria, quando, em uma viagem para sua terra natal, Hannah percebe o quanto poderia se conformar com o que o destino iria sugerir para ela, à exemplo de sua mãe. Um casamento sólido e de sexo comum numa entediante cidade pequena. Mas a Nova Iorque funciona como o melhor caminho para Hannah e essa relação com Adam é bem o que se espera do local. Ela aceita isso sem pestanear.

Essa complexidade entre ter de escolher o que é o certo e o duvidoso, é que fazem de Girls uma série interessante, mesmo que não original. Ela busca intensificar essa visão da nova geração de jovens que estão dispostos à desafios impostos pela vida e sem deixar de lado sua personalidade. Hannah é uma antítese de Carrie. Enquanto uma sabia o que queria, a outra está solta na selva da cidade grande buscando um objetivo, cercada de tecnologia, solidão. Como no fim do primeiro episódio, da qual, ela sai do hotel em que estão seus pais e parte para o labirinto entre prédios e ruas, no final da temporada, ela se perde (literalmente) - depois de dormir no trem do metro e ser roubada - e acorda sem rumo, partindo para o lugar mais aconchegante e comum que poderia ir: à praia; e com uma única vontade: de comer. Nada mais realista do que é a nova geração de hoje: é a vítima de suas próprias escolhas, como se houvessem apenas duas opções.

setembro 29, 2012

Crítica: 'Veep' pouco ousa na sátira política, mas garante risadas

Série não assume riscos e sutileza exagerada atrapalha a piada, mas sem comprometer


Ano eleitoral nos Estados Unidos e Veep tinha um terreno amplo para desconstruir toda rotina que é um acontecimento tão tumultuado. A série estrelada pela vencedora do Emmy deste ano Julia Louis-Dreyfus e que foi exibida por aqui pela HBO,  encontra na lenda de que o vice presidente não tem quase nada a fazer à não ser que o presidente morra ou seja afastado do mandato. Para eles servem questões de interesse menor e pacíficos como luta contra obesidade e coisas do tipo. Porém, para a vice da série, Selina Meyer, o seu trunfo era comandar o projeto que envolve a questão ambiental - algo de status nos dias de hoje.

Em torno deste assunto é que a série vai se desenrolando e colocando Selina em meio ao fogo cruzado de interesses dentro do governo e o ego dos políticos. Selina tem como "ajuda" uma equipe de assessores que tentam controlar a imprensa, manipular pessoas ou apenas fazerem o máximo para satisfazer a chefe. No entanto, é na equipe que está concentrado a maioria dos adventos engraçados do seriado. Controladores de crise que nada. Eles tampam um buraco enquanto outro fica destampado e provoca consequências ainda mais complicadas. É como se o jeitinho brasileiro ganhasse uma versão presidencial por lá.

O mérito do seriado, mesmo sem ousar no humor escrachado, está na figura de Selina que rouba as cenas quando está perdidamente decidida a impressionar o presidente - este que nunca liga para o seu gabinete (uma piada que jamais perderá força de tão boa). Seu jeito politicamente incorreto também garante algumas doses de risos. O seriado fica á mercê de outras séries no estilo - não tem as risadas ao fundo - como 30 Rock, mas a ideia, que é uma adaptação de um seriado inglês, vem bem à calhar já que é sobre os bastidores de uma grande nação e nada como rir de pessoas importantes e imponentes. Algo que sempre dá certo e por isso fica difícil separar o humor da política. Pena que uma imitação de Sarah Palin feita pela Tina Fey é bem mais engraçada.

setembro 28, 2012

Christina Aguilera explode, mata e quebra tudo em seu aguardado retorno

Clipe de Your Body prepara terreno para lançamento do novo álbum 'Lotus'



Com lançamento previsto para 13 de Novembro, o novo álbum de Christina Aguilera, Lotus, é um dos mais aguardados lançamentos dos últimos anos desde que a cantora viu sua carreira definhar com a má recepção de Bionic (mal compreendido e divulgado). Agora na frente do reality show The Voice, sucesso de audiência há três temporadas na NBC e uma participação no hit Moves Like Jagger - ao lado do amigo jurado do programa, Adam Levine e sua banda Maroon 5 - Aguilera voltou com tudo e pra isso não polpou uma estrutura sólida para retornar ao defasado meio musical. Recrutou nomes fortes na industria pop: Max Martin e Shellback para produzirem a música Your Body e Melina Matsoukas para dirigi-la no clipe. O vídeo mostra Christina como uma verdadeira mean girl, explodindo, retalhando um cara e batendo no outro, mas com muita cor, glitter e brilho. No final, ela invoca uam referência de "I love Lucy" na televisão. Essa é a  Aguilera que conhecemos.


setembro 11, 2012

Sum 41 joga sangue em seus olhos com clipe de 'Blood in My Eyes'

Música indicada ao Grammy ganha clipe sobre vingança 


Ainda divulgando o álbum Screaming Bloody Murder e a turnê, o Sum 41 lançou um vídeo oficial para a melhor música do compacto. Essa é a música que lhes rendeu uma indicação no Grammy deste ano como Melhor Performance de Rock do ano. O clipe consiste numa história de vingança, em que uma jovem violentada, "ressuscita" e por impulso vai atrás do homem que a maltratou. O vídeo tem fortes cenas de violência que contrastam com a banda tocando a música, que acaba sendo levada pelo lado literal. Segundo a banda, o conceito é jogar sangue nos olhos de quem assiste. Conseguiram.

Confira:


setembro 10, 2012

Mumford & Sons lança novo álbum e emocionante clipe

Quarteto folk não muda a fórmula e segue com sucesso


Uma das melhores novidades dos últimos anos, a banda de folk londrina Mumford & Sons venceu com seu álbum de estreia Sigh no More o prêmio de melhor álbum do ano no Brit Awards do ano passado, tocou no Grammy ao lado de Bob Dylan e certificou seu lugar de sucesso no meio alternativo, além de acumular mais de 1 milhão de cópias vendidas somente nos Estados Unidos. Agora passado um bom tempo, eles retornam com material inédito: o álbum Babel, previsto para ser lançado no dia 24 de setembro. 

O primeiro single é a espirituosa I Will Wait e, como banda boa que é, o Mumford & Sons lançou um clipe ao vivo em um show lotado e emocionante no anfiteatro de Red Rocks, um famoso local de shows ao ar livre no Colorado, EUA. Confira:




setembro 08, 2012

Livro: 'Como Ver um Filme' de Ana Maria Bahiana

Leitura obrigatória e prazerosa para cinéfilos e simpatizantes da sétima arte

Lançado no início deste ano pela editora Nova Fronteira, o livro Como Ver Um Filme, da conhecida jornalista e escritora, Ana Maria Bahiana - que há três décadas cobre a indústria de cinema e televisão nos Estados Unidos. O livro, como o título sugere, é um apanhado para leigos e uma organização para cinéfilos, sobre como o cinema é caracterizado antigamente e nos dias de hoje. Fala sobre sua divisão de trabalho para compor uma obra, desde a ideia até o resultado final visto nas grandes telas. Além de traçar um paralelo sobre o mercado x arte.

Divido em duas partes, primeiro sobre o trabalho de cada um desde o nascimento de uma ideia, até a construção do roteiro e a execução desta ideia, a análise parte para os gêneros cinematográficos Drama, Comédia, Ação/Aventura, Thriller (Suspense/Terror) e Ficção Científica/Fantasia. Essa abordagem, sempre apoiada na obra Poética de Aristóteles, tenta definir as diferenças e abordagens dentro da indústria - mesmo que um filme pode mesclar vários gêneros, já que sempre existem fórmulas e características básicas que fazem alguns se encaixarem nos mesmos temas. Ela ainda utiliza exemplos para ilustrar quando um filme utiliza bem a fórmula do gênero e se sai bem sucedido, ou aqueles que abusam e subestimam a inteligência do público e fazem um mau trabalho. No final de cada capítulo, ainda desafia o leitor com exercícios de percepção. Interessante também como a autora coloca Musical e Western como estilos cinematográficos e não gêneros. Isso faz sentido, com tantos musicais que são completamente diferente entre si, e a forma que são contados que os deixam semelhantes. Exemplo: Sweeney Tood x Hairsray.

Ana Maria Bahiana ainda apresenta gráficos que contextualizam esses gêneros e as mudanças que passaram em cada período histórico. Como grande meio de comunicação de massa, o pensamento da sociedade influencia fortemente o que é apresentado nas telas. A forma como também é lançado o filme, tratado na primeira parte, é fundamental para entender a proposta de um projeto - se ele é voltado para arte, ou para o grande mercado afim de lucrar bastante. No final, ela dá dicas de grandes filmes para quem busca entender melhor tudo o que foi mostrado e analisado e busca uma maneira de estreitar os laços do leitor com a sétima arte, sem se perder em filme menos importantes. Uma ótima leitura e importante em um mercado que sempre está numa constante mudança.