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janeiro 10, 2013

Especial: R.I.P 2012 | Melhores no Cinema

E mais um apanhado dos destaques do ano!


O francês O Artista, mudo e em preto e branco ganhou o Oscar e legitimou de vez o que os executivos da indústria queriam: internacionalizar o show. Este ano (2013) são mais dois estrangeiros indicados na categoria principal, mas não são tão fortes quanto o vencedor de 2012. No final do ano, porém, é fato de que O Artista não se tornou memorável, mostrando que o Oscar há tempos não cria um clássico, e sim pensa apenas no momento, garantindo bilheterias de alguns indicados.

O ano de 2012 ainda foi o de Jogos Vorazes, Os Vingadores, Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge, 007 - Operação Skyfall, O Hobbit - Uma Jornada Inesperada e o final da Saga Crepúsculo darem à industria cinematográfica uma margem de lucro estável em relação aos anos anteriores. Foi mais um ano carregado de continuações e remakes bobos. Mas, conseguiu ir para o lado mais absurdo de se criar um precoce reboot! O caso de O Espetacular Homem-Aranha, que mesmo com seus méritos é desnecessário. Ano de alguns fracassos, o mais triste do bom John Carter - Entre Dois Mundos, e ano de polêmicas como o caso do irregular Ted, que "enganou" um político idiota por aqui.

Foi um ano fraco para o cinema nacional, mas em compensação tem tentado mais que anteriormente. As apostas em comédia se sobressaíram, e outros que eram muito aguardados, principalmente Xingu, viu sua carreira definhar junto com o desinteresse do brasileiro pela sua própria cultura e história.

Bom, siga com a relação dos 20 melhores filmes que estrearam no Brasil em 2012:


20 - Xingu

O parque nacional do Xingu é um dos maiores do mundo quando se diz respeito à preservação da identidade indígena. A história dele, mesmo que muitos brasileiro nem sequer imaginam de sua existência, tem muito sangue e uma boa crítica antropológica nas entrelinhas. Poderia ser melhor já que não conjectura o tamanho da importância da trama com o tempo de produção e o limitado roteiro. Mesmo assim, é um filme acima da média com méritos de atuação e parte técnica.

19 - Selvagens

Elenco jovem afiado, sol ardente como o desejo que arde no trio protagonista após consumir marijuana. Oliver Stone lançou um filme sobre o tráfico de drogas na Califórnia de uma maneira inteligente, surpreendente e divertida. Bom filme com uma boa reflexão sobre o envolvimento da classe média no tráfico ao fundo.

18 -  Frankeweinne

Tim Burton tentou primeiro o incompreendido Sombras da Noite, mas depois essa interessante animação em stop motion e que continua um projeto antigo seu. Funciona como uma homenagem ao cinema, um discurso sobre a importância da ciência nas escolas e na vida das pessoas e, claro, também é diversão garantida!

17 - Na Estrada

O diretor brasileiro Walter Salles bem que tentou, mas não cumpriu sua missão: conseguir captar a essência de On The Road, do lendário escritor Jack Kerouac, e levar para as telas. Porém, o filme tem seus méritos. Momentos marcantes do livro são condensados com boas atuações, uma edição interessante e uma fotografia belíssima. Quem quer mais do que isso, é melhor ler o livro.

16 - 007: Operação Skyfall

Nunca na história dos 50 anos de James Bond foi visto um filme tão sombrio, tenso e emocional. Desta vez, nas mãos do ótimo Sam Mendes, o Bond de Daniel Craig é dono de umas das melhores fases do agente secreto britânico. Basta ver um filme antigo para se dar conta de como o personagem está mais humanizado e interessante. Para completar, Adele canta a belíssima música tema.

15 - As Vantagens de ser Invisível

Filmes sobre adolescência sempre guardam boas reflexões e tramas. Afinal, é a fase onde tudo começa a dar "errado". O filme retrata uma bela história de amizade contra o bullying e como plano de fundo os divertidos anos 90. Um roteiro inteligente e um protagonista cheio de traumas que se confundem com a tumultuada fase. Brilhante.

14 - Looper - Assassinos do Futuro

Se Prometheus, não cumpriu, essa surpresa do ano em termos de ficção científica não fez muito sucesso, mas a crítica amou - e com razão. É  um filme divertido sobre viagens no tempo e com muita ação. A trama não soa confusa como de praxe na temática, porém seu final guarda inúmeros debates mundo afora. Uma boa pedida para quem busca um filmes na linha de A Origem, Contra o Tempo e Os Agentes do Destino.


13 - Histórias Cruzadas

Racismo numa época, da qual, as empregadas domésticas tinham que passar pelas mais constantes humilhações. Mas nada como a voz de um grupo unido para vencer uma cultura atrasada. Grandes atuações, mesmo que filmadas de forma sem muito à inovar, mas ainda assim prende pelo roteiro fácil e leve.

12 - O Homem que Mudou o Jogo

A industria esportiva norte-americana sempre foi conhecida por ser um emaranhado de tubarões sedentos por dinheiro. Por isso, não medem esforços para não arriscar e assim perder grana. Com um roteiro bem construído e diálogos excepcionais, é um filme que prende e surpreende - ainda mais que se apoia numa situação real.

11 - Argo

Mesmo que superestimado numa direção quadrada e sem ousadia, Ben Affleck ainda assim conseguiu fazer um dos filmes mais interessantes do ano. Contrasta uma situação real do Irã e seus problemas territoriais com o universo dos filmes, que sempre funcionaram como uma reflexão de ambientes hostis e a capacidade violenta do ser humano de resolver problemas, mas, aqui, a história foi outra: bastou a esperteza.

10 - Os Descendentes

Que o Havaí era próspero e tem vida além do turismo pouca gente sabia, mas que ele realmente guarda problemas familiares tão complexos quanto os mostrados nesse longa, isso sim é uma grata surpresa. Um filme que fala sobre capitalismo, família, amor e tragédia, usando um roteiro dinâmico, original e atuações acima da média.

9 - Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Menos complexo que o anterior, mas nem por isso menos emocional, esse final da trilogia construída por Christopher Nolan é digno de todo o sucesso que teve pelas boas sacadas e uma trama que reflete a realidade da crise econômica e social que as grandes metrópoles vivem. Mais divertido e com uma Mulher Gato que rouba a cena ao lado do vilão Bane, o longa é memorável, mesmo que recebido sem o grande entusiasmo do anterior.

8 - ParaNorman

Essa animação não convencional para os dias de hoje - feita em stop motion - é diversão garantida mesmo se tratando de uma história obscura. Com fantasmas e bruxas, a animação se sobressai na capacidade de não subestimar a inteligência do público - que varia entre crianças e adultos - e ainda traz lições morais atuais, como o bullying, e funciona como uma sátira da sociedade que é viciada em julgamentos e estereótipos.

7 - A Invenção de Hugo Cabret


Essa linda fábula que funciona como uma aventura infantil, vai crescendo de uma forma, da qual, leva o espectador à dimensões jamais imaginadas. Serve como uma homenagem ao cinema de gênero e ainda prega boas surpresas ao misturar mistério e momentos de humor. Bem produzido, o 3D do filme é magnífico, assim como a direção e arte, fotografia e trilha sonora. Não podia se esperar menos do diretor Martin Scorsese.

6 - Intocáveis

O sucesso internacional desse longa francês, se deve principalmente pelo boca a boca que o filme deve ter tido quando esteve em cartaz. Impossível não indicar para um amigo ou parente esta comédia que ri do assunto que mais tem se comentado, pelo menos aqui no Brasil: o humor politicamente incorreto. No final, o que se leva é uma linda história de amizade e superação. É pra lavar a alma.

5 - A Separação

Quem diria que o Irã poderia ser tão maior quanto estamos acostumados à assistir nos 30 segundos que os jornais televisivos guardam para ele. E mais, ganhou o Oscar como Melhor Filme Estrangeiro fazendo países inimigos se olharem de forma igual pelo menos por uma temática. Mas o filme de Ashgar Farhadi é mesmo incrível. Contextualiza a situação cultural do Irã mostrando um divórcio, que acaba tomando caminhos diversos quanto mais pessoas são envolvidas, essas com opiniões e crenças diferentes e o Estado ali, assistindo. Um Irã atual, verdadeiro e não tão diferente do ocidente, porque não é.

4 - O Artista

O filme doçura do ano. Uma reciclagem moderna do cinema mudo quando o áudio passa ser uma realidade. Partindo dessa sofisticação tecnológica que mexeu com Hollywood, o longa tem uma trama simples, mas que levanta diversas discussões e reflexões sobre o cinema atual. Uma obra engraçada, tristes por alguns momentos, mas especial em grande parte. Uma ousadia que mereceu o Oscar de 2012, mesmo não se tornando tão memorável como deveria - talvez crescesse mais se não tivesse ganho.

3 - Shame

Visceral, melancólico e perturbador por diversos momentos, Shame conta a história de um homem que tem compulsão por sexo. Depois da chegada de sua irmã, ele passa por percalços tentando segurar os impulsos, mas logo o problema se torna uma bomba relógio. Um filme que ainda reflete outros discursos implícitos no roteiro como: vazio existencialista, traumas infantis e crise econômica. Uma obra fria com atuações espetaculares e uma parte técnica que insere de forma completa o espectador na história. Grande obra!


2 - As Aventuras de Pi

Uma pintura magnífica. Uma obra de arte visual e sonora. Uma das poucas obras que alinharam com magnificência tudo o que fazem um filme grandioso e que serve tanto para entreter quanto para causar reflexão. Uma fábula que trânsita entre a filosofia em questionar Deus e aceitar seus caminhos por mais árduos que sejam. Um filme extraordinário, mesmo que não perfeito, mas que toca o mais distante espectador, seja pelo visual ou pela história bem bolada.

1 - Moonrise Kingdom

Um dos filmes mais incríveis do ano foi completamente esnobado no Oscar 2013, talvez porque o senhores que votam nessa premiação, que mais erra do que acerta, devem ter esquecido de incluírem seu nome por algum motivo de politicagem, birra, ou seja lá o que for. O diretor Wes Anderson, que tem mostrado ser uma grande revelação na última década, apresentou uma obra original, criativa e divertida que muito tem à dizer. Seja ao tocar na temática bullying, o crescimento e as suas fantasias pré-adolescentes sobre a vida. Moonrise Kingdom é sobre a vida, mas uma vida sob o olhar ainda infantil, mas que mesmo assim possui uma base melancólica sobre os caminhos percorridos quando se cresce. É um filme sobre adultos acomodados, vigilantes e covardes e de jovens sonhadores, ousados e corajosos. Primoroso.

Outros destaques, decepções e afins:


~ O Hobbit - Uma Jornada Inesperada - Primeiro filme de uma nova saga que reflete ao Senhor dos Anéis. Cumpre sua função de entreter, mas ainda assim sua longa duração incomoda.

~ Cavalo de Guerra - Steven Spielberg fazendo drama com cavalos. Infelizmente a obra é muito pesada, sentimental demais e poderia ter uma mensagem mais atual em tempos de debates ambientalistas.

~ Tão Forte, Tão Perto - a zebra do Oscar 2012 é até interessante, mas tem um protagonista chato, além de ser filmado de maneira quadrada, pouco atraente.

~ John Carter: Entre Dois Mundos - Ótimos efeitos visuais, história de ficção científica fantasiosa e interessante e que inspirou até Avatar. Infelizmente não chamou tanta atenção quanto deveria.

~ Prometheus - Prometeu e não cumpriu. O longa que serviria como prólogo da série Alien é irregular e demasiadamente mais confusa que deveria, mas ainda assim eu pago pra ver uma continuação.

~ 360 - Fernando Meirelles conseguiu fazer uma obra humana, mostrando a complexidade das relações humanas e sexuais e como elas inevitavelmente se cruzam umas com as outras. Interessante.

~ Valente - A animação da Pixar conseguiu reverter o caminho pessimista em relação ao estúdio  A obra é profunda, tem humor e é bem produzida, só faltou mais aventura.

~ A Febre do Rato - Longa brasileiro do diretor Cláudio Assis que não é pra qualquer um. Mostra uma classe pobre vivendo à sua maneira e se misturando como pode, no meio da desordem é que ela se encontra.

~ O Impossível - um belo filme sobre uma das maiores tragédias dos últimos tempos. Nenhum filme de catástrofe foi tão longe ao mostrar todos os atos antes, durante e depois de algo tão devastador, fisicamente e emocionalmente falando.

~ Drive - Seguindo de carro e tentando resolver problemas. Violento e chocante, esse suspense psicológico serve pra mostrar como uma sociedade do consumo resolve seus problemas das maneiras que lhe ocorrem.

~ Branca de Neve e o caçador - Filme com visual incrível, bons efeitos visuais, fotografia, figurino. Uma aventura acima da média e faz Alice no País das Maravilhas ficar pior ainda.

~ O Espetacular Homem-Aranha - Repetitivo por ora, mas tem lá seus méritos. Desde a ótima escolha do elenco principal, até os efeitos visuais. Mas ficou devendo.

~ Os Vingadores - Divertido e engraçado, o longa que reuniu quase todos os principais heróis da Marvel é garantia de satisfação depois que fãs se comprometeram com um dos arcos mais esperados desdes os filmes lançados anteriormente.

~ Jogos Vorazes - Uma história original, que reflete num futuro não muito distante e que crítica os meios de comunicação famintos por realitys shows, um governo vigilante e uma violência gratuita pra quem quiser ver. Enquanto a elite alienada assiste de forma fervorosa. Ah! E é divertido!

~ Virada no Jogo - Filme feito pra televisão e vencedor de melhor telefilme no Emmy Awards de 2012. A produção da HBO recontou com grandiosidade na caracterização dos personagens, uma das disputas mais emocionantes das últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos. A atriz Julianne Moore conseguiu viver Sarah Palin de maneira irretocável.


novembro 27, 2012

Especial: 'Casablanca' pela primeira vez

Unanime na história do cinema, clássico é perfeito produto Hollywoodiano 


Uma das maiores obras da história de Hollywood, Casablanca faz 70 anos e até hoje é ícone máximo do cinema de gênero que mescla romance, suspense, comédia e guerra de uma forma harmoniosa, com um roteiro dinâmico e de frases memoráveis. Elementos que bem filmados, dirigido pelo húngaro e judeu, Michael Curtiz, em 1942 durante a guerra e que consegue se manter vivo pelas qualidades técnicas, atuações e uma história de um amor jamais esquecido, mas que é relembrado num momento caótico.

A história se passa durante a Segunda Guerra Mundial, e muitos fugitivos tentavam escapar dos nazistas por uma rota que passava pela cidade de Casablanca, em Marrocos. O protagonista é o exilado americano Rick Blaine (Humphrey Bogart) que encontrou refúgio na cidade, dirigindo uma famosa casa noturna da região, da qual, seus convidados são desde refugiados franceses até alemães. Clandestinamente - vestindo um caráter cínico e apático -, tenta despistar o Capitão Renault (Claude Rains), e ajuda refugiados, possibilitando que eles fujam para os Estados Unidos. Até que então, ele reencontra o grande amor de sua vida, a bela Ilsa (Ingrid Bergman) que agora é casada com o procurado, por fugir de um campo de concentração nazista, Victor Laszlo (Paul Henreid) e precisam partir rapidamente dali.

Sem maiores confusões, a história é guiada de forma convencional e usa um extenso flashback para contar como foi a paixão do casal principal. A região de Casablanca representa o momento atual da situação. Um lugar cheio de tensões étnicas, violência e pessoas agindo pelas sombras do mercado negro. A vulnerabilidade do local, intensifica o drama do casal que foi separado e agora se encontra novamente, mas sem poder aproveitar e tomar decisões mais ousadas como, simplesmente, ficarem juntos. A agonia do lugar também regrada pelo sentimento de otimismo já que é o único local de fuga para a América - símbolo único de liberdade nesses sombrios tempos.

Contada abusando de estereótipos, seja na caracterização de seus personagens - o músico negro, o contador judeu -, ou no cenário - Paris é palco do amor que é interrompido pelo nazismo. A fotografia para o preto e branco dá um tom crucial. Enaltece o semblante belo e confuso da bela Ingrid Bergman, o brilho dos olhos e de suas jóias e também acrescenta sombras nos cenários representando a marginalidade das ações ao redor - tudo feito às escondidas. A música tema (As Time Goes By) tocada na intenção de resumir toda sublimidade do amor do passado, sem precisar de mais que isso.

O final traz um realismo pouco visto no cinema, mas com um motivo político nas entrelinhas, apesar de respeitoso. Se foi real, é porque é triste. E se o nazismo foi vencido, o amor ficou apenas na lembrança. Mesmo que a ação de Rick possa refletir um amor altruísta, sem mágoa e cheio de perdão, também representa uma forma maquiada de propaganda política contra a guerra, já que a torcida sempre será para o casal ficar junto e os alemães atrapalharam isso, destruíram sonhos e que isso não aconteça novamente.

A neblina ao redor da liberdade dá o tom do turbilhão de sentimentos como medo, angústia, confusão e redenção. E é por isso que Casablanca ainda renderá muito assunto por muitos anos. É um exemplar único de como Hollywood serve para se comunicar com a massa, utilizando sempre o melhor da indústria, manipulando sentimentos com maestria e fazendo a arte ganhar uma vida que mexe até com os mais céticos. É, ao mesmo tempo, divertido e sério, profundo e artificial, feliz e triste. Imortal, seja pra discutir sobre, ou simplesmente inspirar.

setembro 08, 2012

Livro: 'Como Ver um Filme' de Ana Maria Bahiana

Leitura obrigatória e prazerosa para cinéfilos e simpatizantes da sétima arte

Lançado no início deste ano pela editora Nova Fronteira, o livro Como Ver Um Filme, da conhecida jornalista e escritora, Ana Maria Bahiana - que há três décadas cobre a indústria de cinema e televisão nos Estados Unidos. O livro, como o título sugere, é um apanhado para leigos e uma organização para cinéfilos, sobre como o cinema é caracterizado antigamente e nos dias de hoje. Fala sobre sua divisão de trabalho para compor uma obra, desde a ideia até o resultado final visto nas grandes telas. Além de traçar um paralelo sobre o mercado x arte.

Divido em duas partes, primeiro sobre o trabalho de cada um desde o nascimento de uma ideia, até a construção do roteiro e a execução desta ideia, a análise parte para os gêneros cinematográficos Drama, Comédia, Ação/Aventura, Thriller (Suspense/Terror) e Ficção Científica/Fantasia. Essa abordagem, sempre apoiada na obra Poética de Aristóteles, tenta definir as diferenças e abordagens dentro da indústria - mesmo que um filme pode mesclar vários gêneros, já que sempre existem fórmulas e características básicas que fazem alguns se encaixarem nos mesmos temas. Ela ainda utiliza exemplos para ilustrar quando um filme utiliza bem a fórmula do gênero e se sai bem sucedido, ou aqueles que abusam e subestimam a inteligência do público e fazem um mau trabalho. No final de cada capítulo, ainda desafia o leitor com exercícios de percepção. Interessante também como a autora coloca Musical e Western como estilos cinematográficos e não gêneros. Isso faz sentido, com tantos musicais que são completamente diferente entre si, e a forma que são contados que os deixam semelhantes. Exemplo: Sweeney Tood x Hairsray.

Ana Maria Bahiana ainda apresenta gráficos que contextualizam esses gêneros e as mudanças que passaram em cada período histórico. Como grande meio de comunicação de massa, o pensamento da sociedade influencia fortemente o que é apresentado nas telas. A forma como também é lançado o filme, tratado na primeira parte, é fundamental para entender a proposta de um projeto - se ele é voltado para arte, ou para o grande mercado afim de lucrar bastante. No final, ela dá dicas de grandes filmes para quem busca entender melhor tudo o que foi mostrado e analisado e busca uma maneira de estreitar os laços do leitor com a sétima arte, sem se perder em filme menos importantes. Uma ótima leitura e importante em um mercado que sempre está numa constante mudança.


fevereiro 16, 2012

Dois filmes imperdíveis: o nacional 'Xingu', e 'Upside Down' com Jim Sturgess e Kirsten Dunst!

Tem coisa boa vindo por aí...

Com o ano ainda começando, a maioria dos filmes mais aguardados já tiveram sua prévias reveladas e disseminadas em blogs e portais especializados no final do ano passado e ainda um pouco no início deste. Outras vão começara a pipocar no início da primavera norte-americana junto com os blockbusters que estreiam nas férias e se estendem até o verão. Separei dois filmes que senti que não foram tão bem comentados e correm o risco até de passarem batido na disputa.

Um é o nacional Xingu, do diretor Cao Hamburger, que estreou no Festival de Berlim no último sábado (11) e foi muito bem recebido pelos presentes, chegando à ser aplaudido no final da sessão. O longa, que tem produção de Fernando Meirelles, acompanha a aventura dos irmãos Villas-Bôas. Na década de 1940, Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas (Felipe Camargo, João Miguel e Caio Blat, respectivamente) juntaram-se às expedições organizadas pelo governo brasileiro para desbravar o interior do país. Suas vidas foram transformadas pelo contato com tribos indígenas que encontraram pelo caminho e tiverem papel importante na criação do Parque Nacional do Xingu, em 1961. Pelo trailer é possível perceber o cuidado do diretor com a parte técnica, e em muitos momentos percebemos que estamos diante de um épico grandioso. Confira:




  •  A estreia em circuito comercial no Brasil está marcada para 6 de abril.


Upside Down é um romance à la Romeu e Julieta misturado com ficção científica. O longa é dirigido pelo argentino Juan Solanas e traz Jim Sturgess e Kirsten Dunst nos papéis principais. A sinopse é a seguinte:
 Adam (Sturgess) é um cara aparentemente normal em um universo bastante extraordinário. Ele vive humildemente tentando pagar as contas, mas seu espírito romântico se segura a uma memória de uma garota que ele conheceu em outro tempo, em outro mundo, um mundo afluente invertido com sua própria gravidade, diretamente acima mas além do alcance… uma garota chamada Eve (Dunst). Seus flertes durante a infância se tornam um amor impossível. Mas quando ele rapidamente vê a Eve adulta na televisão, nada ficará em seu caminho para tê-la de volta… Nem mesmo a lei ou a ciência.
O filme sobre esse romance proibido abusa dos efeitos visuais e teve ajuda do desenhista de produção Alex McDowell, que tem no seu currículo o excepcional Watchmen. Veja o belíssimo trailer:


A fantasia não tem data de lançamento definida ainda.

fevereiro 01, 2012

Melhores de 2011 - Parte 1: CINEMA

Hora de conhecer o que mais chamou atenção no ano passado!


O blog retorna depois de dias em hiato e prepara um especial com os melhores do ano de 2011. A lista dos maiores destaques na música, no cinema e nas séries de TV! Primeiro post é especial dos melhores filmes lançados no Brasil oficialmente:

CINEMA

Com blockbusters mostrando seu poder de imbecialização beirando à desastres sem precedentes, algumas surpresas ganharam a crítica e ainda conseguiram se sair bem com o público. Exemplo dos bons Capitão América: O Primeiro Vingador e Thor. Outros ultrapassaram a média e conseguiram até lugar entre os melhores do ano, já que 2011 não se mostrou tão forte com roteiros brilhantes ou surpreendentes - basta ver como está pedante esta temporada de premiações.

10. Inverno da Alma

O filme independente que se destacou entre os indicados ao Oscar em 2011. Atmosfera sombria, atuações congeladas. Final de arrepiar.

9. O Discurso do Rei

Quem me pergunta, eu digo o mesmo: filme chato! Mas ele tem sua importância, além de vencer um Oscar não merecido. Com coragem e delicadeza, se opôs a cultura fast food com tudo acelerado e deu uma experiência gratificante: bons diálogos e uma direção reluzente que conduzem de forma sólida uma boa história de superação.

8. Um Lugar Qualquer

Sofia Copolla nos transporta novamente - para a vida de personalidades que são tudo, mas ao mesmo tempo refletem o nada. E o vazio existencial está lá, mais uma vez...

7. Planeta dos Macacos: A Origem

A reinvenção de um clássico na sua segunda tentativa se saiu bem. Efeitos de primeira, história concisa e o melhor de tudo uma crítica social mais alarmante que nunca.

6. X-Men: Primeira Classe

Uma das melhores franquias vinda dos quadrinhos não poderia ter um capítulo melhor. Tudo novo, e ao mesmo tempo mostrando como a história começou. Entretanto, a essência está lá; questões sobre aceitação e preconceito além de boas cenas ação.

5. Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2

A última parte da saga é a mais emocionante e divertida da franquia que se mostrou irregular nos oito filmes feitos. Foi o clímax mais satisfatório do ano.

4. A Pele que Habito

O espanhol Pedro Almodóvar tomou Hollywood de assalto com sua brilhante trama de suspense que ainda desafia o senso do espectador comum. Eletrizante.

3. A Árvore da Vida

A obra prima de Terrence Malick é mais que um filme sobre a vida. A obra se difere por proporcionar uma experiência única ao público, mergulhando na complexidade da condição humana em um universo infinito.

2. Melancolia

Dirigido pelo - polêmico - dinamarquês Lars von Trier, o longa trata de um tema espinhoso, mas sem deixar de ser inspirador. E como não amar uma obra tão poética, tão bem dirigida e com atuações primorosas? Infelizmente, as premiações mais importantes não conseguiram enxergar além do que é proposto.

1. Cisne Negro

Darren Aronofsky apresenta uma assustadora fábula sobre sacrifício humano em prol das artes. O psicológico de uma jovem que buscava uma perfeição em meio a pressão e o controle de familiares e mestres. No fim, a tragédia toma forma e choca de forma crua. Um filme belo e surpreendente que utiliza com maestria a técnica cinematográfica (fotografia, trilha sonora, efeitos visuais...) e atuações tornando-se memorável. Como não sentir na pele a agonia da protagonista em busca de uma perfeição praticamente utópica?



setembro 12, 2011

Lista dos filmes que concorrem para representar o Brasil no Oscar!

Tropa de Elite 2 está entre eles!

Depois de anos de fracasso, finalmente, a chance de ouro surge mais uma vez. Tropa de Elite 2 foi inscrito pelo diretor José Padilha para concorrer à uma vaga como melhor longa estrangeiro do ano. Padilha já revelou publicamente que não liga muito pra isso, mas pelo jeito sua entrada no mercado internacional, pesa na sua atitude. O filme tem conquistado críticas boas em festivais internacionais, entretanto a temática do filme que é mais familiar para os moradores brasileiros, pode atrapalhar sua indicação já que o Oscar é mais abrangente. Claro que primeiro, temos que esperar alguma sensatez dos que vão escolher o representante e daí torcer pela indicação da Academia.

O representante será selecionado por uma comissão composta pela secretária do Audiovisual do MinC, Ana Paula Dourado Santana, o presidente da Associação Brasileira de Cinematografia, Carlos Eduardo Carvalho Pacheco, o ministro do Departamento Cultural do Itamaraty, George Torquato Firmeza, e os representantes da Academia Brasileira de Cinema, Jorge Humberto de Freitas Peregrino, Nelson Hoineff, Roberto Farias e Silvia Maria Sachs Rabello. Dia 20 será revelado o filme representante. Confira a lista dos inscritos:

"A Antropóloga", de Zeca Nunes Pires
"As mães de Chico Xavier", de Glauber Filho e Halder Gomes
"Assalto ao Banco Central", de Marcos Paulo
"Bruna Surfistinha", de Marcus Baldini
"Estamos Juntos", de Toni Venturi
"Família Vende Tudo", de Alain Fresnot
"Federal", de Erik de Castro
"Filme Vips", de Toniko Melo
"Histórias Reais de um Mentiroso VIPS", de Mariana Caltabiano
"Lope", de Andrucha Waddington
"Malu de Bicicleta", de Flávio Ramos Tambellini
"Mulatas! Um Tufão nos Quadris", de Walmor Pamplona
"Quebrando o Tabu", de Fernando Grostein Andrade
"Trabalhar Cansa", de Juliana Rojas e Marco Dutra
"Tropa de Elite 2", de José Padilha

Fonte: Folha.com

junho 01, 2011

"Oscar brasileiro" consagra 'Tropa de Elite 2'

Grande Prêmio do Cinema Brasileiro faz festa necessária e homenageia nomes importantes da indústria


Com provável aumento de audiência, em relação à edição do ano passado, a 10ª entrega do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, é cheio de estrelas, grande estrutura e exibição ao vivo no Canal Brasil e pela internet. Mesmo com alguns deslizes, que seriam corrigidos com ensaios, ou a falta de aproveitamento de estrelas que vemos na tela, e ali no momento mal aparecem, a não ser se ganharem, essa premiação pode crescer juntamente com o nosso cinema. Erros até o Oscar, que é soberano no mundo das premiações, tem seus tropeços. O interessante é apostarem mias em nomes populares das grandes telas para fazerem parte da festa, e não apenas dezenas de rostos importantes, mas que não são conhecidos do grande público.

Entre os vencedores, Tropa de Elite 2 saiu com nove prêmios, enquanto Chico Xavier levou três, Quincas e Berro d'água levou dois, Olhos Azuis, Nosso Lar, Eu e meu Guarda Chuva e As Melhores Coisas do Mundo, levaram um cada um. Lula, o Filho do Brasil saiu com o prêmio de Melhor atriz. Curioso notar, que o representante do Brasil para filme estrangeiro, ano passado, foi um fracasso tanto nos críticos da academia que votaram quanto no voto popular. Que democracia é essa que levam uma obra para concorrer ao Oscar, apenas pelo populismo? Tropa de Elite andou com suas próprias pernas, sustentado pelo diretor José Padilha que acreditou em sua obra e fez milhões de brasileiros orgulhosos. Quebrou recordes de bilheteria e abriu de vez as portas para o mercado apostar em obras da casa.

Entre os principais prêmios que Tropa de Elite 2 levou, está o de Melhor Filme por escolha da academia, Melhor Filme por escolha do público, Melhor Roteiro Original, Melhor Ator para Wagner Moura e Melhor Diretor para José Padilha. Cássia Kiss levou de melhor atriz coadjuvante pelo seu papel em Chico Xavier e Glória  Pires foi a melhor atriz, repetindo o feito do ano passado. Caio Blat dividiu o prêmio de Melhor ator coadjuvante por As Melhores Coisas do Mundo, com André Mattos de Tropa de Elite 2.

Que o prêmio cresça e apareça, e finalmente o Brasil consiga se estabelecer numa indústria forte do ramo, com obras tanto para entretenimento quanto para reflexão e crítica. Os festivais e prêmios estão aí para isso, apoiar quem se sacrifica para chegar longe e ter o trabalho reconhecido. Ainda é desleal o espaço cedido e o incentivo para as produções, mas isso aos poucos vai mudando. E o Project Monkeys vai estar aqui, olhando de perto e tendo orgulho do cinema nacional.

Veja a lista dos vencedores:

abril 12, 2011

'Tropa 2' e 'Chico Xavier' lideram indicações ao "Oscar" brasileiro

Grande Prêmio do Cinema Brasileiro ocorre em maio


Depois de uma boa edição que foi exibida ao vivo pelo Canal Brasil e on line e ter consagrado a produção É Proibido Fumar de Anna Muylaert, o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro cresce em 2011 junto com o mercado que teve bons títulos no último ano. Ainda não se tem muitas informações se ele será novamente exibido dessa forma, mas deveria ganhar mais espaço na mídia, já que muitos cinéfilos torcem para a indústria cinematográfica no Brasil crescer e isso sem dúvidas é um bom estímulo. A demora em ocorrer também é algo que poderia ser revisto, pois a cerimônia de entrega dos prêmios (troféu Grande Otelo) se realizará no dia 31 de maio. Ou seja na metade do ano premiar filmes do ano anterior. Mas o importante é que mesmo sem muito apoio, ele chega à sua nona edição (apesar de ter fontes desencontradas sobre esse número). Os campeões de indicações são os populares e sucesso de bilheteria Chico Xavier, o Filme e Tropa de Elite 2, cada um com 16 indicações.

Concorrem como melhor filme: Cinco Vezes Favela, Chico Xavier, As Melhores Coisas do Mundo, Olhos Azuis, Tropa de Elite 2 e Viajo Porque Preciso e Volto Porque Te Amo. Os cinco primeiros são de altíssimo nível, e este último eu ainda não vi. Mais uma vez o escolhido como representante do Oscar de filme estrangeiro, Lula, O Filho do Brasil, ficou de fora da disputa... que contradição necessária! Na direção alguns nomes são figurinhas carimabadas como Daniel Filho que tem agora como concorrente José Padilha. O excelente trabalho de Laís Bodanzky também foi lembrado por As Melhores Coisas do Mundo, que aos poucos tem sido descoberto pelo público alvo que não o prestigiou nos cinemas, assim como aconteceu com Desenrola.

Na categoria de atores, nomes populares da televisão dominam na categoria de melhor atriz: Christiane Torloni (Chico Xavier), Ingrid Guimarães (De Pernas para o ar), Marieta Severo (Quincas Berro D`Água) e Glória Pires (Lula, O Filho do Brasil) foram lembradas ao lado de Alice Braga por Cabeça ao Prêmio. Cadê Ana Paula Arósio que fez um lindo trabalho em Como Esquecer? Entre os indicados à melhor ator, temos Ângelo Antônio (Chico Xavier), Chico Diaz (O Sol do Meio-Dia), Marco Nanini (O Bem Amado), Nelson Xavier (Chico Xavier) e Paulo José (Quincas por Quincas Berro D`Água) e claro, Wagner Moura (Tropa de Elite 2).

Confira a lista completa aqui.

Lembrando que a Academia que elege os melhores do ano em cada categoria é formada por críticos e pessoas ligadas ao cinema, e esses são os finalistas. O público também pode votar nas categorias denominadas Voto Popular, que são entregues no mesmo dia, vote aqui. Um prêmio interessante e que deveria ganhar espaço, afinal ninguém duvida mais da qualidade do cinema brasileiro. Mesmo com certos tropeços, normal até no Oscar, os profissionais ligados ao cinema nacional agradecem.