setembro 30, 2010

'Nosso Lar': superprodução é de encher os olhos, mas cansativa

Filme mais caro produzido no país é visualmente espetacular


A cada ano, desde a retomada do cinema nacional no início dos anos 90, o Brasil acelera os lançamentos de títulos nacionais e finalmente começa explorar outros gêneros além dos já tradicionais comédia, drama e infantil. E neste ano em especial, os filmes com temática espírita começam a surgir com o centenário do maior líder espiritual do país: Chico Xavier (1910-2002). Tudo começou com Bezerra de Menezes no ano passado, Chico Xavier o filme no início do ano, e agora Nosso Lar - mais de 3 milhões de espectadores em quatro semanas em cartaz. O sucesso deles pode ser explicado, talvez, pelo fato da temática ser muito explorada em novelas (produto midiático para entretenimento mais popular do país) e pela própria cultura do brasileiro que é espiritualista independente de religião.

Baseado no livro psicografado por Chico Xavier em 1942, ditado por André Luiz - o protagonista, Nosso Lar conta a história do médico (interpretado por Renato Prieto) que morre e continua a vida no mundo espiritual. Antes, porém, vive anos no umbral, até conseguir a redenção e ser levado para o novo mundo. Lá, ele é guiado pelo jovem Lísias (Fernando Alves Pinto) a uma cidade em que os desencarnados moram e procuram evoluir na "vida pós morte" (estudam, trabalham, fazem caridade) antes de voltarem à terra - que é o melhor lugar para evoluírem. Com dificuldades, André vai entendendo o percurso que tem de fazer para poder finalmente ver a família que deixou, afinal, é o que mais deseja no momento.

Orçado em 20 milhões, que realmente são percebidos, Nosso Lar veio com uma premissa singular de mudar a cara do cinema nacional que anda sem novidades há tempos. Porém, infelizmente se limita como voz do espiritismo e assume a chata lição de querer converter os mais céticos. Abusa da didática e de sermões. Para os espíritas, a experiência pode ser melhor do que um fã de Harry Potter assistir uma adaptação cinematográfica das histórias do bruxo, já que o filme espírita segue bem arrisca tudo que é visualizado nas obras, e só não virou filme antes porque desenhar o mundo espiritual para as telonas estava fora dos padrões tecnológicos que o país dispõe. E aí está o grande trunfo do filme. A parte técnica é impecável.

A produção tende ficar como um marco inicial do uso de técnicas mais ousadas nas produções nacionais, entretanto, pode ser um passo importante também para os filmes religiosos - no caso os espíritas. Nosso Lar, felizmente, não cai na breguice que grande parte de produções do gênero se colocam. Aqui é tudo muito limpo e bem realizado. Se para os mais céticos a produção pode impressionar apenas no visual, é prudente que os próximos filmes espíritas agora se concentrem mais no drama e menos na didática já explorada exaustivamente nesse. E que isso, sem preconceitos, seja um impulso também para outros diretores e produtoras brasileiras.  

Nosso Lar
Brasil , 2010 - 102 min.
Drama
Direção: Wagner de Assis
Roteiro: Wagner de Assis
Elenco: Renato Prieto, Fernando Alves Pinto, Rosanne Mulholland, Inez Viana, Rodrigo dos Santos, Werner Schünemann, Clemente Viscaíno, Othon Bastos, Ana Rosa, Paulo Goulart 

Trailer: 




Um comentário:

  1. é, eu achei o filme (visualmente falando) maravilhoso. fiquei impressionada com a evolução dos efeitos especiais q esse filme mostrou dentro de uma produção nacional. mas como roteiro/enredo eu achei q faltava alguma coisa. o incio é corrido, o meio é arrastado, o fim chega cedo demais. não li o livro, não curto muito livros espíritas, mas tive a sensação q eles esqueceram/pularam muiotas coisas. algumas coisas não tem nem explicação no filme!
    mas no todo, eu achei um filme bom.

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