novembro 20, 2010

O significado da adolescência em 'As Melhores Coisas do Mundo'

Produção mostra de forma brilhante a tumultuada fase


Analisar o filme As Melhores Coisas do Mundo (Brasil, 2010) é o mesmo que sentar no meio do pátio em um colégio particular no horário do intervalo. A temática, que é explorada excessivamente, em comédias norte-americanas, aqui é um dramático retrato do que é ser adolescente nos dias de hoje e como os jovens fazem para lidar o tumultuado período de transição e amadurecimento. São expostos à perigosas ferramentas tecnológicas, novas emoções e sentimentos, mas principalmente, são postos à prova com as diferentes mudanças de relações humanas da sociedade moderna.

O protagonista do filme é Mano (Francisco Miguez), um garoto de 15 anos que começa a perceber um mundo de uma forma diferente. Finalmente, vai entendendo que a infância está ficando para trás e, agora adolescente, precisa manter uma posição socialmente aceita no colégio lidando com a cobrança dos amigos, paixões, sonhos e, ainda assim, buscar uma forma de se divertir. E é no colégio que muito desses dilemas são construídos. Mais do que um lugar para aprendizado, a escola para os jovens é um lugar de conhecimento do que realmente é o mundo afora. Ali, como tudo é muito limitado, cheio de regras e pessoas inseguras, algo mínimo na rua, toma proporções estratosféricas.

Mano tem três obrigações que precisa lidar diariamente. Uma é a família que passa por um verdadeiro tormento. Seus pais estão prestes à se separarem, e o que poderia ser comum nos dias de hoje, é agravado pelo fato de o pai assumir a homossexualidade. Essa fato é o suficiente para deixar o garoto e o irmão (Fiuk), em cima de uma corda prestes à romper. Se o conhecimento do fato chegar à escola, os dois sabem que serão julgados e enfrentaram todo o preconceito. É nesse ambiente que ocorre todos os tipos de injúria e difamação criados e difundidos pelos outros jovens - e até pelo próprio Mano. Outra obrigação funciona aqui como a válvula de escape do rapaz. Suas aulas de violão funcionam como uma terapia, da qual, o professor (Paulo Vilhena) serve para dar conselhos e mostrar que o jovem pode buscar as melhores coisas da difícil fase. A terceira são as relações inter-pessoais no colégio, como paixões e amizades.

Todos personagens principais do filme possuem características próprias e também revelam seu jeito de lidarem com as transformações. O irmão de Mano, é um jovem apaixonado que passa então por uma dolorosa separação. Sensível, ele expõe de forma poética seus medos e anseios em um blog. A amiga de Mano, Carol (Gabriela Rocha), esconde seus sentimentos em um caderninho que funciona como um diário, mas apenas de sentimentos momentâneos. Os adultos, principalmente a mãe dos rapazes, vivida pela querida Denise Fraga, ainda está aprendendo com a vida que prega uma peça tão inesperada e dolorosa de se superar, além de não encontrar as respostas que anseia nas teorias de autores e nem nas regras sobre moral e ética impostas pelo mundo. Ainda percebe que diferente do que acha, o mundo mudou à ponto de não saber nem metade das coisas que os filhos passam.

Com atuações precisas, As Melhores Coisas do Mundo, engloba diversos caminhos confusos, da qual, os adolescentes não sabem qual seguir. Percebem que a diversão precisa ser buscada, pois está cada vez mais perdida nas novas provas impostas pelo mundo. Os méritos de uma obra tão interessante de se assistir, são da diretora Laís Bodanzky, que preferiu sair das temáticas focadas nas classes menos favorecidas e explorar a outra parte que também sente as mudanças da sociedade. Sutilmente trata de bullying, e ainda tem tempo para mostrar a mudança radical de sentimentos do protagonista, que passa a levantar uma bandeira e lutar por ela. Infelizmente não é o caminho escolhido pela maioria, mas aqui, a mensagem para quem está passando por maus bocados na fase, serve como exemplo. E claro, a lição serve também para os pais.




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