dezembro 03, 2012

Crítica: 'Sessão de Terapia' chega ao fim com o herói ferido

Theo se perdeu nos desejos e ainda assim cumpriu sua missão


Como já comentei aqui, Sessão de Terapia, dirigida pela revelação como diretor, Selton Melo e exibida pelo GNT, é uma aventura complexa, emocional, surpreendente e viciante, e seu desfecho não poderia ter sido diferente. O seriado apresenta uma narrativa tão real, que é impossível não se envolver com os personagens, as histórias e os temas tratados. É como se uma câmera fosse ligada num consultório qualquer e ali, entre quatro paredes, você enxergasse o lado que estereótipos escondem.

E os personagens não são nada absurdos: a bela e perfeita menina que aparentemente sofreu um acidente de bicicleta - mas que na verdade escondia um desejo de suicídio ligado à culpa; o casal que vivia brigando por causa de um aborto, mas em conversas se revelou traumas relacionados com humilhação e a morte do pai da mulher; o policial boa pinta e arrogante que sofreu uma pressão desumana por toda sua vida por parte do pai, e nem consegue lidar com a derrota, pior ainda com uma sexualidade ambígua; e a bela mulher com problemas de relacionamentos que se apaixonou pelo terapeuta, mas esconde um bloqueio ligado à descoberta sexual precoce e abandono. Esses ingredientes ainda ganharam sal com o lado do psicólogo que é contado quando ele desabafa junto com sua própria terapeuta.

Com os caminhos de cada um tomando rumos cada vez mais separados, o protagonista absoluto, Theo, teve um de seus maiores dilemas retratados de forma impactante e colocando moral e ética profissional em jogo: abandonar a família e o casamento em crise para assumir uma relação com a paciente. E é incrível como a vida de Theo e a história de seus pacientes correlacionaram de forma correspondente. Seja com a jovem Nina que tem a idade de sua filha, o problema do casal Ana e João, que envolve traição e humilhação assim como o seu com sua esposa; a relação mal resolvida de Theo com o seu pai, mostrado de forma mais abrangente e em um momento literal quando o pai de Breno vai à uma sessão após a morte do filho; a terapeuta de Theo que passou o mesmo dilema dele, e por aí vai.

É verdade que o Theo poderia muito bem ter navegado nas emoções, conseguido levar os sentimentos de Júlia como uma "transferência erótica" e terminado tudo nas sessões de terapia - onde tudo começou. Mas a complexidade da narrativa do seriado, quase como a vida, não permitiria um final tão feliz assim. Antes de tudo, o herói tratado, é um ser humano. E assim, é passível de emoções, sentimentos e dúvidas. De erros. E mais do que qualquer problema, a nova questão de Theo é tão enigmática, mas ao mesmo tempo comum quanto tudo que foi tratado na temporada: um surto de ansiosidade, o que levaria para mais sessões e percorreria novos e obscuros caminhos. E como nas cenas finais do último episódio, a vida não é bem um mar para se velejar, e mais uma cidade com sua confusão de pontes e viadutos, uma via com dois sentidos, luzes que confundem a visão. E a terapia é uma ciência que nem sempre tem respostas, mesmo tentando ajudar à encontrá-las, entretanto, às vezes, não consegue.

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