janeiro 30, 2011

'Skins' retorna madura e ainda melhor

Versão original do seriado trata bullying e a busca pela identidade com maestria


Enquanto a versão norte americana de Skins, enfrenta problemas de audiência e a perda de patrocínio depois de apresentar um conteúdo considerado controverso (o que já era esperado, né?), no Reino Unido o seriado continua nas nuvens. Mostra cenas de uso de drogas por jovens e nudez ocasional, mas sem chocar ou atrapalhar o brilhante roteiro - que sempre foi o ponto forte do seriado inglês. Essa quinta temporada teve sem dúvidas, o melhor episódio de abertura desde o momento de estreia quando o personagem Tony abre os olhos e nos leva à sua arrogante vida. Na segunda fase, o seriado caiu nos clichês construídos por ela mesma e foi salva por alguns personagens coadjuvantes.

Nesse primeiro episódio da quinta temporada e a terceira geração do elenco, ficamos centrado no drama de Franky, uma jovem que tem um jeito peculiar de ser e por isso sofreu e sofre preconceito em qualquer lugar que vive. Filha adotiva de pais homossexuais, ela mantém uma aparência andrógina (parece Tilda Swinton adolescente) e gosta de vestir roupas diferentes, sempre com muito pano, beirando ao masculino. Sempre leva seu boneco de madeira, também sem uma identidade definida, para todos os lugares e com ele tenta entender como viver dessa forma. No colégio ela é abordada pelo trio de garotas aparentemente fúteis e que aproveitam a bizarra situação para se sentirem por cima. São elas, Mini, Liv e Grace. Depois de forçarem uma amizade, Mini consegue com ajuda do namorado, Nick, tramar contra a jovem. De volta à solidão, Franky tem dificuldades de assumir como é e enfrentar o mundo, da qual, todos tentam se moldar de forma socialmente aceita.

Termina como um bom feel good movie, com o apoio dos novos amigos Alo e Rich - também diferentes e buscando um jeito de sobreviver com seus trejeitos politicamente inaceitáveis, ou nem tanto assim - Franky encontra uma forma melhor para desabafar do que atirar contra o nada, descarregando seu ódio às "vadias". Tudo acontece mesmo depois que Matt a encontra e diz como ela é bonita.  No melhor estilo Skins, a aceitação de sua própria identidade e a busca pelo respeito à liberdade de ser autêntica, vem com festa entre outros jovens e a sede por fazer algo proibido levando à cartase de ser adolescente e enfrentar os problemas da conturbada fase. Foi uma maneira espetacular para dar um novo gás ao seriado que escolheu fechar gerações sem um desfecho concreto - o que acaba virando uma experiência indigesta à cada final de uma fase. Fica à dica para os autores da versão norte americana que podiam ter começado como Franky em seus primeiros momentos na escola nova: quieta, sem procurar encrenca e depois ir impondo seu modo de ser, com à ajuda de seu público já fidelizado.

Veja o teaser e o trailer:




Skins é exibida no canal 4 Channel da Inglaterra e no Brasil pela VH1 e HBO que estão reprisando as quatro temporadas.

janeiro 28, 2011

'VIPs', com Wagner Moura, ganha primeiro trailer completo!

 Prévia destaca as diversas faces do ator



VIPs foi o grande vencedor na categoria melhor ficção no Festival do Rio no ano passado, além de levar outros prêmios, como melhor ator, e já foi exibido em alguns outros festivais. Com lançamento comercial marcado para 25 de março, ele ganha seu primeiro trailer completo, depois de um simples teaser.

Inspirado em uma história real, o filme traz Wagner Moura na pele do golpista Marcelo do Nascimento, um jovem com o sonho de ser piloto de avião. Para conseguir realizar esse desejo, ele se passa por várias pessoas e inclusive se torna piloto do narcotráfico.

Veja o trailer, que destaca as várias identidades que o personagem de Moura precisa para o tal feito:


O roteiro é uma adaptação do livro VIPs - Histórias Reais de Um Mentiroso, de Mariana Caltabiano. A produção tem a direção de Toniko Melo, e o elenco ainda conta com Gisele Fróes, Norival Rizzo, Roger Golbeth, Arieta Corrêa e Juliano Cazarré. A produção é da O2 Filmes, com roteiro de Thiago Dottori e Bráulio Mantovani (Tropa de Elite, Cidade de Deus).

janeiro 27, 2011

'Megamente' se salva no quesito diversão

Animação da Dreamworks empolga com história de anti herói


Mais um capítulo da "guerra" entre os estúdios de animação conseguiu se sair bem com o público. Com a crise de criatividade que também atinge o mercado do gênero e força os criadores seguirem com intermináveis continuações, a lógica do fazer "mais ou menos parecido com o filme do concorrente" pode criar histórias boas e com a fórmula de sucesso já testada. Isso foi provado em Procurando Nemo da Disney/Pixar e logo em seguida veio O Espanta Tubarões da Dreamworks; Madagascar pela Dreamworks e no ano seguinte surgiu o fracasso Selvagem pela Disney Animation; Shrek com a inovação de desconstruir os contos de fadas, argumento utilizado sutilmente em Enrolados, isso para citar os mais visíveis. Demorou, mas a resposta da Dreamworks para Os Incríveis do estúdio do Mickey, chegou apostando em mais uma desconstrução: Megamente.

Porém, mesmo que partindo da mesma premissa de heróis, e com coincidências no roteiro - como o vilão inesperado - Megamente acaba mais próximo do filme surpresa Meu Malvado Favorito (de um novo estúdio parceiro da Universal), do que, essencialmente da produção sobre uma família de heróis. E por essa a Dreamworks talvez não esperava, pois Meu Malvado Favorito se saiu melhor com a crítica e com o público, tornando-se um fenômeno no verão norte americano. E sim, o filme do vilão Gru é mais divertido e engraçado que o do vilão azul cabeçudo. Entretanto, Megamente tem seus méritos. Um desses é a parte técnica, que finalmente fez os filmes da casa sobressaírem desde o ótimo investimento em Como treinar o Seu Dragão.

Seja nas cenas de ação e na trilha sonora, tudo é grande e barulhento - no bom sentido, as músicas vão desde clássicos de AC/DC e Guns n' Roses até Michael Jackson. Focado muitas vezes em plano aberto, o filme não dispensa explosões e destruição na cidade de Metrocity, onde se passa a história. A lógica de fazer divertir se encaixa perfeitamente, apesar de ter um roteiro emotivo com algumas cenas de diálogos que servem mesmo como um descanso necessário e que faz a história seguir adiante. Fazendo várias menções à diversos heróis e seguindo com referência máxima as histórias de Super Homem, na trama, o anti-herói Megamente chega ao planeta Terra junto com o futuro rival Metro Man (enviados pelos pais quando um buraco negro suga seus planetas de origem). Com a rejeição da cidade que adotou o poderoso herói e asilou o pobre e sem poderes Megamente, ele começa atacar como vilão criando pânico nas ruas. Então, involuntariamente, consegue destruir o herói e tomar conta da cidade, só que não esperava ficar entediado tão rápido. Eis que tem a ideia de criar um novo herói e continuar o sentido de sua vida: capturar a mocinha em perigo e tramar contra o novo herói. O plano não sai tão certo e Megamente termina criando um novo e poderoso vilão.

A história segue interessante por toda a exibição, ainda que sem o charme francês e a graça de Meu Malvado Favorito e a eficiência em emocionar como em Os Incríveis, porém, Megamente veio com uma missão melhor que apenas duelar, e sim mostrar como as animações conseguem entreter, trazer as gloriosas mensagens ao público infanto-juvenil e não entediar os adultos. E ainda dando opção ao mercado de um gênero que tem conquistado cada vez mais espaço, chegando, mais uma vez, à indicação na categoria principal do Oscar. É mais uma prova que, felizmente, essa "guerra" acaba saindo tão divertida tanto para o público quanto para os criadores que buscam cada vez mais qualidade. 

Trailer:



janeiro 25, 2011

Oscar 2011: 'O Discurso do Rei' emplaca 12 indicações!

Vai ser uma noite de surpresas e Brasil na disputa por Lixo Extraordinário

Foi divulgada hoje, pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood a lista de indicados para o Oscar 2011. Com algumas surpresas, os indicados não saíram muito daqueles que carimbaram o passaporte no Globo de Ouro e outras premiações, apesar de O Discurso do Rei ainda ter grandes chances de surpreender, já que venceu o prêmio do sindicato do produtores na categoria principal e agora emplaca 12 indicações (!). Inverno da Alma é sem dúvidas a grande surpresa por conseguir três categorias, entre elas de melhor filme. Andrew Garfield é a ausência inesperada como coadjuvante em A Rede Social e o diretor Christopher Nolan por A Origem.

Confira a lista dos indicados nas principais categorias:


James Franco e Anne Hathaway: apresentadores
Melhor filme


Melhor Diretor

  • Darren Aronovsky - Cisne Negro
  • David Fincher - A Rede Social
  • Tom Hooper - O Discurso do Rei
  • David O. Russell - O Vencedor
  • Joel e Ethan Coen - Bravura Indômita

Melhor ator

  • Jesse Eisenberg - A Rede Social
  • Colin Firth - O Discurso do Rei
  • James Franco - 127 Horas
  • Jeff Bridges - Bravura Indômita
  • Javier Bardem - Biutiful

Melhor atriz

  • Nicole Kidman - Reencontrando a Felicidade
  • Jennifer Lawrence - Inverno da Alma
  • Natalie Portman - Cisne Negro
  • Michelle Williams - Blue Valentine
  • Annette Bening - Minhas Mães e meu Pai

Melhor ator coadjuvante

  • Christian Bale - O Vencedor
  • Jeremy Renner - Atração Perigosa
  • Geoffrey Rush - O Discurso do Rei
  • John Hawkes - Inverno da Alma
  •  Mark Ruffalo - Minhas Mães e meu Pai

Melhor atriz coadjuvante

  • Amy Adams - O Vencedor
  • Helena Bonham Carter - O Discurso do Rei
  • Jacki Weaver - Animal Kingdom
  • Melissa Leo - O Vencedor
  • Hailee Steinfeld - Bravura Indômita

Melhor longa animado


Melhor direção de arte


Melhor documentário

  • Waste Land (Lixo Extraordinário)
  • Exit Through the Gift Shop
  • Trabalho Interno
  • Gasland
  • Restrepo
    Melhor trilha sonora
    Melhor roteiro original
    • A Origem
    • Minhas Mães e Meu Pai
    • O Discurso do Rei
    • Another Year
    • O Vencedor
    Melhor roteiro adaptado 

    Melhor Edição de Som

    Melhor mixagem de Som
    Melhores Efeitos Visuais

    Melhor canção Original
    • Coming Home (Country Strong)
    • I See the Light (Enrolados
    • If I Rise (127 Horas)
    • We Belong Together  (Toy Story 3)

    Melhor Maquiagem
    • Achievement in makeup 
    • The Way Back 
    • O Lobisonem

    Melhor Edição
    • Cisne Negro
    • O Vencedor
    • O Discurso do Rei
    • 127 Horas
    • A Rede Social

        Melhor Curta de animação

        • Day & Night
        • The Gruffalo A Magic Light Pictures
        • Let's Pollute A Geefwee Boedoe
        • The Lost Thing
        • Madagascar, carnet de voyage (Madagascar, a Journey Diary) 
        Melhor fotografia

            * Cisne Negro
            * A Origem
            * O Discurso do Rei
            * A Rede Social
            * Bravura Indômita

        Melhor filme em lingua estrangeira

        • Biutiful
        • Fora-da-Lei
        • Dente Canino
        • Incendies
        • Em um Mundo Melhor

        Melhor figurino


        Melhor documentário em curta-metragem

        • Killing in the Name
        • Poster Girl
        • Strangers no More
        • Sun Come Up
        • The Warriors of Qiugang

        Melhor curta-metragem

        • The Confession
        • The Crush
        • God of Love
        • Na Wewe
        • Wish 143

          Os filmes são escolhidos por 5.755 membros da Academia, e os vencedores serão conhecidos na 83a. cerimônia de entrega dos prêmios principais que ocorre em 27 de fevereiro no Kodak Theatre. No Brasil, o Oscar 2011 será exibido pela TV Globo (com cortes) e pelo canal pago TNT (na integra e antes o tapete vermelho).

          janeiro 22, 2011

          Avril Lavigne vende música pop (e outras coisas) em novo clipe!

          Cantora aposta suas fichas no hit What The Hell

          Depois de anunciar o retorno na indústria musical após três anos ausente de inéditas, a canadense Avril Lavigne acaba de estrear seu novo videoclipe para música What The Hell. O single foi lançado oficialmente na virada do ano e disponibilizado gratuitamente no Facebook da cantora. Tal ação, repercutiu nas vendas digitais pelo iTunes, pois mesmo alcançando o 2º lugar e ficando atrás apenas da imbatível Britney Spears, já não se encontra entre os dez mais e conseguiu apenas o 13º lugar na Billboard Hot 100. No Reino Unido, Espera-se que What The Hell alcance ao menos o top 30, entretanto, em outros mercados, como o japonês o single chegou ao primeiro lugar.

          > Confira o novo clipe do Cold War Kids

          Recheado de ações de merchandising explicitas, entre marcas da própria grife da cantora, seja de perfumes e roupas - e também de outra marca famosa de eletrônicos - o clipe consiste na cantora querendo curtir a vida enquanto é perseguida pelo namorado. Bem humorada e sexy, Avril Lavigne não se reinventa como fez nos outros três álbuns, aposta num pop bem elaborado, mas ainda assim descartável - veja minha resenha sobre a música aqui. Lembrando que a cantora garantiu que a música não representa o que será o novo disco. O clipe foi gravado também em 3D.

          Veja:




          O quarto álbum da cantora, Goodbye Lullaby, tem data de lançamento em 8 de Março.

          Fonte: ALBR

          janeiro 17, 2011

          Sem grandes surpresas, Globo de Ouro consagra 'A Rede Social' e 'Glee'!

          Premiação arrastada não surpreende na parte de cinema

          O Globo de Ouro, ao longo do tempo, tem perdido sua credibilidade em apostar cada vez mais em estrelas para atrair publicidade, deixando de lado a qualidade de seus trabalhos. Felizmente esse ano para contornar o absurdo de duas indicações ao Johnny Depp, ou os equívocos na categoria de melhor filme de musical/comédia, o mestre de cerimônias - o comediante inglês Ricky Gervais - fez piada com isso tudo, já que a imprensa inteira estava comentando como O Turista, um fracasso em todos os sentidos, conseguiu sair com 3 indicações. Mas fazer piada funciona no momento, mas não melhora a reputação do show. Porém, nem tudo é culpa da imprensa estrangeira que vota em seus favoritos. O ano foi fraco principalmente nesse gênero de comédia e musical. Musical então... Burlesque só devia está ali pela Cher e por ser o único à defender o gênero.

          Com A Rede Social assumindo o favoritismo e vencendo nas categorias principais (filme e diretor), já se torna o favorito também ao Oscar. Isso se a Academia não querer surpreender como no ano passado, da qual, o Globo de Ouro deu o prêmio à Avatar e o Oscar premiou Guerra ao Terror, tentando fugir do óbvio. Mas isso no momento é difícil, já que A Rede Social é unânime em várias outras premiações dos críticos, além de ser um filme importante, que analisa uma geração. Outros que já eram esperados venceram: Christian Bale e Melissa Leo levaram de melhor ator e atriz coadjuvante, respectivamente, por O Vencedor; Toy Story 3 foi a melhor animação; Annette Bening levou de melhor atriz em comédia ou musical por Minhas Mães e Meu Pai - que também foi escolhido o melhor filme do gênero; Colin Firth venceu de melhor ator por O Discurso do Rei e a queridinha Natalie Portman levou por Cisne Negro como melhor atriz. Em roteiro e trilha sonora, os nomes ainda não confirmam favoritsmo para o Oscar. Trilha sonora ficou com o bom trabalho de Trent Reznor e Atticus Ross para A Rede Social - no Oscar, Hans Zimmer, meu favorito, ainda é forte pela incrível trilha de A Origem -, enquanto, o roteiro de Aaron Sorkin por A Rede Social até pode levar como roteiro adaptado, porém, em roteiro original Christopher Nolan é um forte nome.

          Na parte de séries, nunca existem fortes favoritos. Não pelo menos quando algumas séries que são sempre vencedores já estão envelhecidas e demonstrando sinais de cansaço, daí a empolgação fica pelas novidades. O fato de Glee ser um musical ajuda bastante à ser vencedor em diversos prêmios, mas ver o seriado batendo Nurse Jackie, 30 Rock, Modern Family e The Big C, é discutível. A surpresa veio por conta de Katey Sagal levar como melhor atriz de drama por Sons of Anarchy e Laura Linney por The Big C (mas ao ver a série percebe-se que não é tão surpresa assim). Jim Parsons de The Big Bang Theory levou de melhor ator de comédia enquanto Steve Buscemi ficou com o prêmio de melhor ator de drama por Boardwalk Empire - premiada como a melhor série de drama (parece que encontraram uma "substituta" de Mad Men).
           

          Veja a lista completa com indicados e os vencedores em negrito:

          janeiro 14, 2011

          'Enrolados' e a primeira princesa em 3D

          Animação até empolga, mas emociona menos que o padrão tradicional


          Falar da nova animação da Walt Disney Pictures - o 50º desenho da empresa - Enrolados (Tangled, EUA, 2010), sem comentar sobre os lançamentos passados do estúdio, é complicado. Sempre buscando oferecer diversão à família inteira, a empresa do Mickey buscou evoluir e se adequar ao mercado gradativamente. Conhecida por ser a casa das princesas mais famosas da literatura, a Disney construiu uma maneira de vender sonhos à garotinhas que desejam viver as fábulas e encontrar o tal príncipe encantado. Mesmo se baseando de histórias já existentes, sem o toque e o marketing da empresa, pouco se iria longe. Exemplo de animação mal sucedida sem o aparato da "magia" tem como principal nome Anastasia - tentativa da 20th Century Fox com a temática princesa. E basta ter no imaginário filmes como A Bela e a Fera, Cinderela, Aladdin, Branca de Neve e os Sete Anões, A Pequena Sereia, entre outros, e facilmente confundir tais lendas com o estúdio.

          Entretanto, a Pixar levou para o cinema um novo formato de computação gráfica para os desenhos infantis e, nesses 15 anos do lançamento de Toy Story, até hoje, o padrão é garantia de lucros aos principais estúdios de Hollywood. É a Pixar também, a "responsável" pela diminuição do interesse do público no formato convencional, enterrando até mesmo as tradicionais tramas da Disney. Depois de decidir parar com o formato, o estúdio tentou emplacar uma nova princesa no bom filme A Princesa e o Sapo. Porém, o fracasso levou os executivos terem mais cuidado e realmente não arriscarem com o público. Um ano depois, surge uma nova princesa, mas com tantos disfarces, que fica difícil decidir pelo marketing, qual o gênero apresentados. Se adequando à realidade, Enrolados quebra o gelo dos contos de fadas tradicionais e insere uma figura de princesa mais forte e ativa, mas sem deixar de lado a delicadeza de sonhadora e romântica, além de vulnerável. Isso foi testado em Encantada e A Princesa e o Sapo, mas agora em computação gráfica, é que a personalidade dela fica melhor visível e aproveitada de maneira divertida, afinal, o filme é uma aventura e não apenas um novo conto de fadas.

          Juntando coadjuvantes inesperados como um cavalo da corte real que age como um cachorro, ou o mascote da Rapunzel um adorável camaleão, o estranho aqui é se dar conta que a Disney andou tendo referências das concorrentes para moldar o visual. Mesmo com produção de um dos mentores da Pixar, John Lasseter, as semelhanças com Shrek da Dreamworks Animations são impressionantes. A Disney Animations (criada para não ficar dependente da Pixar no formato) já havia lançado seus projetos como A Família do Futuro, O Galinho Chicken Little e Bolt sem impressionar muito, e agora mais uma vez continua no caminho quase ideal e sem arriscar tanto.

          Mesmo que com uma parte técnica impressionante - US$ 260 milhões de investimento -, e esconder o nome Rapunzel em busca do público masculino (que prefere heróis de quadrinhos, como ela mesmo percebeu ao comprar a Marvel), ao final da exibição, fica claro que a intenção é até interessante, mas a emoção e a qualidade do roteiro dos filmes mais tradicionais ficou desfigurada, pior ainda a cantoria desnecessária. Na versão brasileira, ainda tem um forçado Luciano Huck como a voz do protagonista masculino (que dessa vez não é um príncipe e sim um ladrão - mais uma característica de desconstrução e adequação à cultura atual, vide o sucesso de Jack Sparrow). O que funcionou muito bem em UP Altas Aventuras com Chico Anysio dublando o protagonista, aqui o apresentador global não convence. Parece meio desesperador esse tipo de atitudes e mudanças, mas a Disney precisava revitalizar e novamente ser àquela empresa que vende sonhos e se mantém no imaginário das crianças e da família, sem claro, deixar de fora o esperado beijo do casal no final da projeção e, agora, em 3D.

          Trailer:


          janeiro 06, 2011

          'O Último Mestre do Ar': quando a crítica assume o ódio por um diretor

          Filme de M. Night Shyamalan nem de longe é tão ruim assim


          Demorei à assistir a adaptação cinematográfica dos desenhos da Nickelodeon, Avatar. Não conheço a produção que é voltada ao público infantil, mas fiquei atraído com o trailer do filme O Último Mestre do Ar (The Last Airbender, EUA, 2010), além de saber que o autor do famoso O Sexto Sentido, M. Night Shyamalan, assinava a direção e o roteiro. Com tantas críticas negativas que foram surgindo, a vontade foi diminuindo e se extinguindo, chegando que na hora da escolha, sempre optava por outro filme em cartaz. Infelizmente, assim como muitos outros fizeram. Mas cometi um erro. Assim como a crítica se sucumbiu à um ódio irrestrito ao diretor, o público acabou comprando uma ideia um tanto equivocada de suas novas obras.

          É engraçado que na maioria dos textos disponíveis sobre o filme, apenas uma coisa está em jogo: o fim de sua carreira como diretor. Começam a citar os deslizes como A Dama da Água e o terror trash Fim dos Tempos, e aí jogam pedra no que seria a primeira experiência do diretor numa adaptação do gênero fantasia. Ou seja, ele não pode mais errar se não já pode ser enterrado de vez na pilha de folhas dos críticos e consequentemente nas bilheterias. Em Hollywood existem jornalistas que até vendem textos elogiosos aos estúdios, afinal, o método ajuda na publicidade e na carreira de certos diretores. São poucas produções e diretores imunes ao sistema. Mas M. Night Shyamalan não parece ligar pra isso, faz seu próprio roteiro e o filma, não aceitando pitacos dos estúdios que temem um erro e percam dinheiro. Daí ele comprou briga com a Disney (entenda melhor aqui). Infelizmente, o estúdio estava certo nos conselhos - que defendiam também os ideais da empresa -, pediam para que ele não usasse um personagem crítico de cinema e ainda fosse o único devorado pelo monstro em A Dama da Água, além da participação dele próprio (como sempre fez em outros filmes) como um personagem de grande importância na história, já que não é um grande ator. Mas o diretor não tem um direito de defender sua ideia? Em Fim dos Tempos, abandonado pelos grandes estúdios - o que pode comprometer a produção -, conseguiu por sorte a distribuição pela FOX, e mostrou o que já vinha sido perceptível nos outros longas, um roteiro mal desenvolvido, problemas de execução e atuação, mas com uma mensagem interessante da história.

          Em O Último Mestre do Ar, a crítica estava lá, pairando ansiosa como um abutre e pronta para em detonar o filme de todas as formas, pouco importa se é um filme voltado à certo público. A verdade é que sim, o filme tem lá seus problemas, mas nem de longe é o desastre que o chamam. Não é a pior adaptação cinematográfica de todos os tempos para um desenho e nem pode ser o fator decisivo para decretar o fim da carreira de um diretor. Em um ano tão fraco de blockbusters, ouso a dizer que me diverti muito mais assistindo o filme em DVD, do que quando fui ao cinema ver a última parte da aventura As Crônicas de Nárnia. Desastres e fracassos no gênero, temos Dragonball Evolution, que pode ser considerado ruim em todos os aspectos e até mesmo o pretensioso Speed Racer. Mas em O Último Mestre do Ar, M. Night Shyamalan apresenta um versão mais zen e realista/sombria do que seria o desenho, deixando de lado a caricatura forçada dos personagens ( feitos assim para serem bem aceitos na TV infantil). Claro que esse ponto pode ser negativo para os fãs da saga, mas deve-se deixar claro que os criadores e produtores do próprio desenho prestaram consultoria ao diretor - inclusive nos extras ambos aparecem lá felizes em dizer como construíram a história.

          Os críticos falam mal gratuitamente, desde preconceito por parte da equipe do filme na escalação de atores caucasianos no lugar dos orientais, como é no desenho (como se nos Estados Unidos não fizesse diferença), até no roteiro fraco, como se o desenho fosse uma obra prima a ser adaptada. O maior problema é que o ódio que a crítica sente por ele é exatamente uma forma de punir à eles mesmos por criarem um gênio que na verdade nunca existiu. M. Night Shyamalan foi superestimado de um jeito tão cruel que aos poucos sua carreira mostrou que apesar de criativo e exímio talento para o suspense, seus trabalhos apresentam problemas na produção e no próprio roteiro. E isso não é um problema isolado à apenas ele, ainda mais se tratando de superproduções, só que ele foi o cara que fez O Sexto Sentido - até esse sucesso lhe subiu à cabeça.

          Entretanto, o que não é dito, é que o diretor ainda consegue mostrar um trabalho equilibrado e consistente em O Último Mestre do Ar. O filme possui bons efeitos visuais, movimento, uma interessante mensagem budista - dando ênfase na importância de manter o lado espiritual do mundo, sua natureza quieta, pois ela é importante ao equilíbrio e paz entre nações. Deve-se respeitar as riquezas de outros povos. Aqui, nem mesmo o vilão é um mal caráter, e sim um anti herói pressionado à fazer justiça. O protagonista Aang está em luto e busca redenção, já que certas atitudes anteriores suas contribuiriam para o caos. O que pode ser levado em conta ainda, é que esse seria o primeiro capítulo de uma possível franquia e, ainda assim, o diretor poderia contornar o excesso de didatismo, melhorar a estética acinzentada e principalmente inserir um pouco mais de humor. Mas até lá, o caminho de M. Night Shyamalan também é cinzento, mas nem por isso ele deva ser esquecido e enterrado pelos críticos que também falham assim como ele. Em tempos que tem críticos rasgando elogios absurdos à Alice no País das Maravilhas e Os Mercenários, é bom desconfiar.

          Trailer: