fevereiro 24, 2013

Crítica: 'Indomável Sonhadora' faz um discurso emocionante sobre o ser humano e a civilização

Longa nos apresenta aos primatas sobreviventes do presente


A menina Hushpuppy (Quvenzhané Wallis) é o que pode se chamar de heroína dos tempos modernos, só que em uma vertente primitiva após um apocalipse. Mas diferente dos heróis dos quadrinhos, Hushpuppy não veste uma capa e nem possui poderes extraordinários. Suas armas são os instintos de sobrevivência ensinados pelo pai. Suas características são o uniforme necessário: os cabelos que remetem à um filhote de leão selvagem, a garra de comer o que geralmente uma garota civilizada não comeria e ainda seu olhar tão forte e ligeiramente triste o fazem de sua figura uma guerreira. Em Indomável Sonhadora (Beasts of the Southern Wild, 2012) tudo é primitivo, até sua heroína.

Curioso se falar em primitivo em um filme que se passa nos dias de hoje, mas sim são seres humanos que não se adequaram à modernização e estão fadados a morrerem em lugares já esquecidos pelo planeta. Contando a história de sobrevivência da filha com o pai (Dwight Henry), o longa faz uma reflexão dos maiores temores dos novos tempos: o aquecimento global. Utilizando esse vilão como plano de fundo, o longa entra no âmago do que é a vida. A real vida. O ser humano sem casa, sem ruas, sem prédios e sem medicina. É o animal que nasce como qualquer outro e precisa se impor para sobreviver. É a importância da mãe para suprir uma carência afetiva, é o animal indomável que não deveria se conformar com a civilização dopada e encaixotada que lhe é oferecida - e em troca despedaça o seu planeta.

Em a Indomável Sonhadora, o diretor Benh Zeitlin não economiza nas metáforas e simbolismos para contar a história quase documental. Durante a jornada, Hushpuppy tem sua própria caverna, da qual, ela espera que no futuro cientistas encontrem seus desenhos que contam sua história (as pinturas rupestres). Em outro momento, o fim do mundo, intercalando uma tempestade e o derretimento de geleiras apresenta-se os vilões. Bestas gigantes estão vindo na direção dos sobreviventes do apocalipse e são o maior temor da jovem - o medo de perder o pai. O centro de refugiados que remete à civilização artificial, oferecendo drogas no melhor estilo Admirável Mundo Novo.

Ao fugirem de lá, ela tem um momento de afeto materno em um bordel (assim como as mulheres de lá por um momento sentem seu instinto materno aflorado) - destaque ao enquadramento do diretor dá aos decotes (alusão à amamentação) e a cabeça das crianças encostadas no colo. A garotinha que clama pela mãe o tempo inteiro, como se fosse um filhote desesperado desprendido dos pais. O choro sofrido de pai e filha que remete ao fim das barreiras emocionais que foram postas durante tudo a transição e ensinamento da jovem. É uma catarse que tem como melhor referência o excelente A Estrada.

Indomável Sonhadora é um diamante, único, singelo e valioso, mas que se encontra no seu estado bruto, com as características que aos olhos de muitos, é uma sujeira agressiva, insignificante e confusa. Mas é ali que está o que é mais interessante. Uma analise crua do ser humano como ele é ao nascer e que em tempos apocalípticos deve se preparar para a sobrevivência. Tal vilão pode não demorar muito para chegar à civilização, mas por enquanto está em áreas mais pobres, abandonadas. Entretanto, seus moradores se veem como elemento único do glorioso universo e importantes para a sustentação daqueles lugares - se não fossem eles destruindo as barreiras, o lugar teria morrido de vez. A morte encontrou o pai da garota, mas ela estava pronta para enfrentar as bestas e com cabeça erguida e, agora, está pronta para a próxima batalha, como uma heroína destemida, pura, indomável e sonhadora.

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fevereiro 17, 2013

Crítica: 'Meu Namorado é um Zumbi' desconstrói mito para divertir

Zumbi que está mais pra Romeu do que qualquer outra coisa...


Depois de uma febre vampiresca que tomou conta da cultura pop, chegou a hora dos zumbis dominarem de vez os cinemas. Com o sucesso na última década de grandes filmes de suspense como Extermínio (28 Days Later, 2003) de Danny Boyle, passando pelo terror em Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead, 2004) de Zack Snyder, até a franquia de ação vinda dos videogames Resident Evil, chegou a hora de um romance adolescente para completar a onda - isso sem deixar de mencionar o sucesso televisivo da série de TV oriunda dos quadrinhos, The Walking Dead. Em Meu Namorado é um Zumbi (Warm Bodies, 2013) o alvo é o público jovem que busca algo menos sério que a saga Crepúsculo e menos intelectualizada que a de Jogos Vorazes.

Óbvio que a temática é muito mais complicada de ser desenvolvida em relação aos vampiros, porém, essa aventura adolescente é um sopro de originalidade. Assim como o último sucesso que conseguiu dar uma cara diferente ao tema, Zumbilândia (Zombieland, 2009), Meu Namorado é um Zumbi se apóia na comédia para divertir e no romance para atrair o público feminino - cada vez mais difícil de atrair. Do mesmo jeito que Crepúsculo conseguiu dar numa sobrevida à temática, mesmo dividindo opiniões, chega-se agora próximo ao divisor de águas sobre história de zumbis, mesmo sendo aquele que funciona como uma sátira, porém sem deixar de lado questões mais tradicionais.

O filme conta a história do planeta em um futuro pós-apocalíptico, onde um vírus se alastrou transformando pessoas em zumbis. A origem da doença não é explicada, como de praxe em produções do estilo. O "jovem" zumbi R (Nicholas Hoult, cada vez mais em evidência) passa por uma crise existencial, como é possível ouvir  pelo seu subconsciente, transparente para o espectador em forma de off, e acaba criando laços de amizade com uma humana chamada Julie (Teresa Palmer, a cara da Kristen Stewart). Com a medida que vão ficando próximos, ele vai se apaixonando. Sendo assim, seus sinais vitais começam a dar sinais de vida, o que gera uma onda de "cura" em toda a comunidade zumbi. Tudo seriam flores se não fossem duas ameaças, os esqueléticos, que é a forma mais degenerada da doença (totalmente irreversível e violenta) e o general Grigio (John Malkovich), pai de Julie, que não está interessado na cura e quer a extinção imediata de todos os zumbis.

No primeiro momento que o amor dos dois começa a crescer, é dada uma cara Romeu e Julieta à trama. E o diretor Jonathan Levine, por trás do sucesso independente 50% (50/50, 2010), faz de forma isso bem clara. Uma das cenas mais perceptíveis, é quando o R (seria uma alusão à Romeu?) aparece em frente a casa de Julie, que está triste na sacada do prédio. Tal referência, é mais clara que qualquer devaneio shakespeariano que permeia toda franquia Crepúsculo e até mesmo mais decente que últimos filmes adolescentes românticos. Tal dose de romance é sempre quebrada com uma pitada de comédia, intercalando menções com a indústria cultural atual - Kim Kardashian é citada - até mais antigas, como Uma Linda Mulher e sua inesquecível música tema.

Em outras vertentes percebe-se a necessidade do longa buscar também requentar a metáfora do tema, da qual, é uma crítica em relação ao consumismo desenfreado. Nesse sentido, ele inclui também os paredões (no sentido também literal) que sempre separaram os humanos dos zumbis. Deixando de lado qualquer tentativa de entendimento e cortando vínculos que poderiam gerar uma aproximação. É como se uma ilha fosse formada, deixando humanos de diferentes níveis, separados - não muito diferente do pensamento individualista que permeia no contexto atual da sociedade. Os muros pessoais, oriundos do medo do desconhecido, e o temor que o diferente possa causar em uma sociedade estável. Não são os próprios norte-americanos que discutem a grande muralha em relação ao México?

Meu Namorado é um Zumbi é um bom filme, que garante uma diversão descompromissada e acima da média. Numa época em que a indústria mostrou que não se trata de uma crise criativa, mas sim um medo irracional dos grandes estúdios de investirem em histórias diferentes e originais, ele vem para provar que é possível sim mesclar uma boa e ousada ideia. E dessa forma, sai na frente de outras produções milionárias - de gosto duvidoso com a fórmula testada anteriormente - que fracassaram recentemente : João e Maria: Caçadores de Bruxas (Hansel and Gretel: Witch Hunters, 2013) - suando pelo sucesso internacional e Dezesseis Luas (Beautiful Creatures, 2013), que tem como slogan: "o novo Crepúsculo". É no mínimo tratar os espectadores como zumbis.

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Novidades: Os novos clipes de Rihanna, Justin Timberlake, entre outros!

P!nk, Mikky Ecko, Phillip Phillips, Azealia Banks e Lana Del Rey também lançam aguardados clipes



A semana após ao Grammy (leia nossa resenha aqui) é um período de divulgação extrema na indústria fonográfica, prova disso é o excesso de videoclipes e singles lançados nessa semana. Aproveitando a atenção da clientela artistas como P!nk, Justin Timberlake, Rihanna e Mikky Ekko promoveram seus novos singles.

A americana P!nk lançou no fim da semana passada oficialmente o single "Just Give Me A Reason", sua parceria com Nate Ruess extraída do sexto álbum da cantora, intitulado "The Truth About Love". A balada ganhou o clipe também na semana passada mas só deu início com a promoção nesta semana. O clipe tem cenas fortes, retrata exatamente a letra da música: um casal e junto a uma cama ao mar com as cenas de P!nk e seu marido, Carey Hart, trocando carícias e lutando contra a crise.

A faixa atualmente não possuí grandes posições nas charts do mundo, porém promete grande desempenho devido a força dessa grande combinação. Assista abaixo:


Justin Timberlake também não perdeu tempo! Após o sucesso de seu single Suit & Tie, que já atingiu o Top 3 de muitas charts do mundo, e sua  performance vintage no Grammy, o cantor lançou ontem o mágico clipe para a faixa.

Totalmente monocromático e formal, fora dirigido pelo renomado David Fincher e conta com a aparição e versos de Jay-Z. Na belíssima produção, nada apresenta muito conteúdo, retrata uma performance de Timberlake, muitas danças, cenas burlescas, luzes, cena no estúdio, trampolins, tudo muito vintage e muitos traços para relembrar o fantástico clipe de Vogue de Madonna. Acredita-se que o retorno de JT em “The 20/20 Experience” não será um período de muitas inovações e sim uma recordação do glamour dos "Anos Dourados". Assista o vídeo abaixo:


Rihanna também usou a mesma estratégia de Timberlake e logo após o Grammy e sua apresentação de sucesso lançou o vídeoclipe da balada “Stay”. A faixa está incluída no 7º álbum da cantora de Barbados, "Unapologetic", tem a participação de Mikky Ekko que também compôs a música e já está garantindo lugar em todas as paradas musicais do mundo, ganhou destaque principalmente no Reino Unido, onde atingiu o pico de 5º lugar. 

O clipe tem a direção de Sophie Muller e possuí fotografia excelente, a letra da música fora bem trabalhada durante as sentimentais cenas onde é mostrada a dor de um casal ao saber que perderam a si mesmo. Os vocais marcantes presentes na faixa ajudaram a tornar um simples projeto em uma obra de arte. Assista abaixo: 


O americano Mikky Ekko aproveitou a carona de Rihanna para o sucesso e lançou o vídeo oficial de seu primeiro single. Intitulada “Pull Me Down”, a faixa é uma balada indie pessimista que tem muitas chances de garantir algum sucesso para o estreante, principalmente no Reino Unido onde o cantor já está divulgando seu trabalho.

Dirigido por Sam Pilling, o videoclipe retrata a saudade deixada por um erro cometido com a pessoa amada, possuí uma casa onde todos os objetos estão ao chão como cenário principal e ainda conta com uma personificação de morte em relação para sua amada. Assista ao clipe de estréia:


E não para por aí! Mais clipes que estrearam esta semana:
  1. Lana Del Rey e seu "Burning Desire"
  2. Phillip Phillips com "Gone, Gone, Gone"
  3. Gossip em "Get a Job"
  4. Azealia Banks com seu "Harlem Shake"

fevereiro 16, 2013

Crítica: 'A Hora Mais Escura' explora de forma intensa caçada à Bin Laden

Burocracia, erros, tortura, paranoia, mentiras, rastro de sangue e o troféu


Depois de vencer o Oscar batendo o favorito James Cameron e seu grandioso Avatar (2009), a diretora Kathryn Bigelow apresenta uma obra que muito tem semelhanças com o seu premiado Guerra ao Terror (The Hurt Locker, 2009). Em A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty, 2012) ela apresenta o mesmo capricho em expor os limites humanos morais e físicos diante a guerra nos novos tempos tecnológicos, mas que tem armas medievais como a tortura. O herói imperfeito e obcecado contrasta com o árido ambiente onde busca uma solução para o fim do derramamento de sangue. Um lugar onde a paranoia é comum no dia-dia, apesar da liberdade que o ambiente aparenta.

Os minutos iniciais justificam toda a motivação que é vista ao longo da produção. Áudio de telefonemas feitos de vítimas dos atentados de 11 de setembro assombram o imaginário de qualquer grande nação que foi alvo dos terroristas. A diretora nem mostra imagens, obviamente, aproveitando o clima tenso que causa lembranças automáticas do público que as fixou na mente, basta ter vivido naquele fatídico dia. A partir daí se conhece o trabalho da CIA pela busca do terrorista mais procurado do mundo: Osama Bin Laden. Para inserir o espectador nessa jornada, é inserida a personagem da jovem Maya (Jessica Chastain), uma agente que tem como função buscar interlocutores que possam ter contato direto com o líder terrorista.

Não economizando na tortura para se obter respostas, a metade do filme vai mostrando como a CIA durante anos se perdeu em sua paranoia, desespero e por que não, incompetência. As confusas pistas que levaram até um grande ataque anunciado contra a própria agência numa base no Afeganistão, matando sete agentes. Tal episódio, juntando os ataques espalhados pela Europa na última década, desencadeados pela Al Qaeda, fizeram a organização ser destroçada por críticas, com a necessidade de reavaliar seus planos e focar em evitar novos atentados, sem ter como alvo apenas o líder. Maya, no entanto, cria uma obsessão com sede de vingança pela morte dos amigos. Pessoas que antes passaram desapercebidas entram em seu radar e aos poucos o esconderijo de Bin Laden é encontrado.

Sem tomar partido, a diretora mostra o que se sabe, desde todas as polêmicas levantadas, como a CIA sendo usada para interesses políticos - ao mentir sobre a fabricação de armas de potencial devastador no Irã em meio a essa tensão que vivia a América -, até a ação de busca pelo terrorista dentro do Paquistão, sem qualquer aviso prévio, desrespeitando regras internacionais. A tortura também é outra temática que ao longo dos anos, fez com que a agência perdesse seu direito de fazer interrogatórios com suspeitos. Essa forma medieval e desumana só refletia a instabilidade da agência. Bigelow mostra de maneira fria e crua. E ainda, após todos os percalços, a decisão de entrar no esconderijo de Bin Laden passou por uma grande burocracia, até que uma ação fosse permitida - é como se durante anos a busca fosse a preocupação, e não pensaram na questão: e se nós o encontrarmos?

A diretora que tem sido alvejada por críticas de pessoas que vêem o filme como uma propaganda da tortura, afinal, em nenhum momento ela é criticada pela protagonista, se saí vitoriosa mesmo incompreendida. Jessica Chastain fez um belo trabalho, mostrando que Maya, apenas jogou o jogo que lhe fora lhe dado. É como um Capitão Nascimento subindo o morro à qualquer custo para conseguir cumprir sua missão em Tropa de Elite (2008). Não interessa os meios utilizados. Em contra partida, é mostrado o preço de ter uma responsabilidade tão grande nas mãos: os problemas pessoais. Como um Capitão Nascimento sem vida pessoal, com grande grau de ansiosidade, o choro sofrido de Maya ao final de A Hora Mais Escura não denota um sentimento vitorioso e de comemoração, e sim de solidão, dor e sofrimento por tudo que passou. Não tem emoção melhor refletido quanto esse, depois do rastro de sangue e que tem como troféu um homem morto. Tudo por uma nação doente por heróis, paranoica... desesperada.

Trailer:


fevereiro 14, 2013

Especial: Grammy 2013 - O Investimento Certo!

Prêmios, performances e novidades!


No ultimo domingo (10) foi ao ar a maior premiação da música: o Grammy Awards. Com uma divulgação e apresentação jovial, performances para agradar desde o público teen aos hipsters e indicações não tão justas (felizmente a lista de vencedores faz jus aos que mereciam), a 55º edição da gratificação obteve a maior audiência dos últimos anos.

As indicações estavam voltadas a artistas como Gotye e Frank Ocean e bandas como Fun. e The Black Keys que justamente foram os vencedores da noite. Nunca tal premiação fora tão justa com a gratificação: a maioria dos premiados foram realmente os que mais se destacaram pela qualidade de seu produto e não do quão sucesso fizeram.

The Black Keys ganhando o Grammy de Melhor Álbum de Rock.
Eis as merecidas vitórias:
Música do ano – “We Are Young”, fun. Feat. Janelle Monáe
CD do ano – “Babel”, Mumford & Sons
Artista Revelação – fun.
CD Pop – “Stronger”, Kelly Clarkson
CD Contemporâneo – “Channel Orange”, Frank Ocean
CD de Rap – “Take Care”, Drake
Colaboração de Rap – “No Church In The Wild”, Jay-Z e Kanye West Feat. Frank Ocean & The-Dream
Música de Rap – “N****s In Paris”, Jay-Z e Kanye West
CD Dance – “Bangarang”, Skrillex
Música de Rock – “Lonely Boy”, The Black Keys
CD de Rock – “El Camino”, The Black Keys
Melhor Videoclipe curto: “We Found Love”, Rihanna Feat. Calvin harris

Claro, nem tudo são flores e houve algumas "zebras" na agremiação:
Gravação do ano – “Somebody That I Used to Know”, Gotye Feat. Kimbra
  • Por que não Lonely Boy do The Black Keys ou a fantástica We Are Young do fun.? Sabemos que a música do Gotye fez sucesso, mas há músicas melhores pra ganhar tal prêmio.
R&B Performance – “Climax”, Usher
  • Adorn do Miguel merecia mais, possui muito mais ênfase e expressa melhor a essência do R&B.
CD Alternativo – “Making Mirrors”, Gotye
  • O impronunciável disco de Fiona Apple e o excelente Biophilia da Björk ficaram de mãos atadas para um trabalho não tão bom como.
  • E também artistas como Lana Del Rey e Florence + The Machine tiveram seus trabalhos menosprezados pela premiação.

PERFORMANCES MARCANTES

Houve apresentação para todos os gostos! Tudo começou com o exagero na performance da Taylor Swift, que levou um grande circo para o palco e não teria muita atenção se não fosse pela câmera e seus agudos que desafinaram na música We Are Never Ever Getting Back Together, da qual, aproveitou para mandar uma indireta para um de seus inúmeros ex-namorados, Harry Styles, integrante de One Direction.


Justin Timberlake aproveitou o momento e mandou super bem na divulgação de seu lead-single "Suit And Tie" que foi apresentado em um clima vintage e que lembrou a Janelle Monáe, contou com a parceria de Jay-Z e ainda revelou "Little Pusher Love Girl" música do seu novo álbum de inéditas intitulado "The 20/20 Expierence".


Bruno Mars cantou a contagiante "Locked Of Out Heaven" e seguiu a performance com a participação de Sting, Rihanna, Ziggy Marley e Damian para uma ilustre homenagem a Bob Marley, "Walking On The Moon" e "Could You Be Loved" foram cantadas em clima de festa!


Outra performance muito esperada e incrivelmente bem feita foi a do Ed Sheeran com Elton John. Eles cantaram "The A Team", foi o tipo de apresentação de deixar o "quero mais".



Outros destaques (clique nos nomes das músicas para assistir):


E você? O que achou da 55ª Edição do Grammy?

fevereiro 13, 2013

Crítica: As ditaduras de 'The Walking Dead' e 'Fringe'

Séries retornam com semelhanças gritantes e qualidades questionáveis



Dois marcos importantes ocorrerem nos últimas dias para os fãs de séries e que pacientemente esperam suas estreias no Brasil: os retornos de Fringe e The Walking Dead. A primeira iniciou sua quinta e última temporada no sábado (sendo que já finalizou seu ciclo nos EUA, pela FOX) e finalizou no domingo pela Warner Channel. Sim. O canal fez uma maratona dos treze episódios da temporada final. Já a série de zumbis retornou no último domingo nos EUA pela AMC (registrando recorde de audiência mais uma vez) e no Brasil, ontem (12) pela Fox Brasil. E as duas se encontram num momento único e similar: a ditadura. Uma está com  o mundo e sua liberdade tomada pelos Observadores, raça de humanos evoluída, e a outra, pelo Governador.

Ao ver o primeiro episódio de Fringe, depois de uma quarta temporada fraca, entende-se que apesar da série ter contado tanta história, envolvendo universos paralelos, teorias científicas absurdas postas em prática, vilões terríveis, monstros e a constante luta do bem contra o mal, chega-se a uma vertente básica. Em um futuro distópico, o Planeta Terra está tomada pelos Observadores, aqueles seres evoluídos que viajam pelas galáxias presenciando fatos históricos e revolucionários. E cabe a organização Fringe, congelada e liberta em um âmbar em 2036, acabar com a ditadura. Esses Observadores não acreditam nos humanos e dizimaram parte da população, e agora busca extingui-la mais ainda.

O primeiro episódio foi basicamente a união da organização antiga com a nova, que entre eles está a filha do casal Peter e Olívia. Walter que tinha um plano em sua mente, o perdeu depois que desfragmentou seu próprio cérebro para não dar informações quando fora capturado por um dos Observadores - algo que vai servir para enrolar mais um pouco. Fringe entra em sua temporada final, menos complexa, mais objetiva e inteligente sem soar confusa. Artifícios como a importância música e da cultura em meio a uma ditadura, são sempre bem-vindos, juntando aos bons efeitos especiais, porém fica meio complicado entrar nessa história dos Observadores, que são tão frios, mesmo tão elevados. Ok. É como O Dia em que a Terra Parou, clássico cinematográfico de 1951, e tem referência da mais pura literatura de ficção cientifica como o próprio episódio citou Isaac Asimov, mas faltou uma explicação mais verossímil.

Outra ditadura que persiste está em The Walking Dead, porém, em ruínas. Depois da metade dessa terceira temporada, mostrando a história de Woodbury e seu inescrupuloso Governador, o seriado retornou do ponto onde parou: Merle e Daryl no ringue e os sobreviventes tentando libertá-los. Quer dizer, libertá-lo. Depois de fugirem do local, criou-se uma tensão, Daryl deixou de ser esperto e ficou do lado do irritante irmão, mas Rick seguiu um pouco  de bondade que lhe resta para ajudar Michonne. Criou-se mais atrito, já que Gleen, machucado ao extremo julgou Rick por não ter matado Merle. O povoado de Woodbury está em ruínas, assim como a confiança dos moradores pelo Governador. Uau. Eles preferem sair dali, nada mais inteligente que o líder disse à Andrea: deixe-os ir. Outro núcleo com destaque, são os novos sobreviventes que chegaram à prisão de segurança máxima onde está o xerife. Eles são tão apáticos, que só consigo pensar numa coisa: mais coadjuvantes para zumbis devorarem. Sério que eles querem trair a confiança do grupo? É quase um revival de Lost.

Infelizmente The Walking Dead tem caminhado com um roteiro desinteressante e focando numa ação pouco original, que tem como base vingança e briga por território. Esse retorno, assim como o final da primeira metade, estão longe de serem tão impactantes como a temporada anterior. Tudo soa superficial. Algumas são interessantes como o caso de Rick sua mudança de comportamento que é fato mais intrigante até o momento, como diz o título do próximo episódio, sua alucinação foi seu suicídio como lider assim como o Governador assassinando na frente da multidão - só que o primeiro caso tem sido contado de forma ridícula, depois do telefonema do além, agora Rick vendo o fantasma de sua esposa com um vestido branco (!). É... quero ver quando a fórmula de "jeitos interessantes de matar zumbis" acabar, o que eles vão arranjar. Mas é óbvio que o melhor está sendo guardado, então é ver e forçar um pouquinho nos debates, afinal, é isso que fazia Lost, e outras séries do gênero, serem tão interessantes.

 Promo do próximo episódio:

 

fevereiro 07, 2013

Crítica: 'Os Miseráveis' é uma revolução musical espetacular

Adaptação ressalta o ditado "comeu o pão que diabo amassou"... só que cantando


Dizer que uma adaptação cinematográfica do musical Os Miseráveis, oriundo do clássico da literatura escrita por Victor Hugo e lançada em 1862, não era uma das obras mais aguardadas nos últimos anos, é balela. Em Hollywood, a história nunca se sobressaiu como deveria, sem ser sucesso de crítica e público ao mesmo tempo. A primeira que teve alguma comoção e chegou ser indicada ao Oscar foi a de 1935, dirigida por Richard Boleslawski e outra em 1952 de Lewis Milestone também chegou a ter alguma notoriedade aproveitando a evolução dos aspectos técnicos. Em 1998, uma superprodução de Bille August, tentou resgatar a alma da obra. Porém apesar das boas críticas, o filme afundou nas bilheterias. Todas elas contam com pouca diferença o que se é lido nos livros, parecendo sempre engessadas. Nos palcos a história foi outra.

O aclamado musical que está em cartaz desde os anos 80, e já ganhou versões em diversos países, se sobressai pela união lírica da história de superação com a crítica social. A encenação é embalada por canções que viraram clássicas graças ao sucesso - é impossível não citar o fenômeno Susan Boyle, cantando I Dream a Dreamed e trazendo de vez o musical para a era digital (que pode ter dado o impulso final para a adaptação vinda dos palcos). Eis que a cereja do bolo foi o diretor Tom Hooper, que acabara de ter vencido o Oscar pelo O Discurso do Rei, foi chamado para realizar a adaptação - mais um sinal da importância do investimento. Além disso, o contexto ajudou em muito o sucesso que de Os Miseráveis (Les Misérables, 2012), em forma de musical, nos cinemas. Em tempos de Occupy Wall Street, e revoltas civis em vários cantos do mundo, a Revolução Francesa tem muito à inspirar. E nada melhor do que unir algo testado e aprovado com a realidade que vive o mundo. Resultado, sucesso de bilheteria e 8 indicações ao Oscar 2013.

Mesmo que em baixa, é perceptível que Hollywood busca uma nova era do ouro de musicais para o cinema. No próprio Oscar deste ano será feita uma homenagem aos sucesso da última década como Chicago e Dreamgirls (estranhamente tiraram o magnífico Moulin Rouge da lista). Mas essa adaptação de Os Miseráveis tem seus próprios méritos de ter chegado tão longe, e não apenas o auxílio da peça e suas músicas memoráveis e a boa vontade da indústria. O alto investimento foi recompensado de forma arrasadora. A sintonia entre o texto, e atuações de um grande time de atores como Hugh Jackman, Anne Hathaway e Russell Crowe, até o time infantil que é afinado, junto com a parte técnica: edição, trilha sonora, fotografia, efeitos especiais, maquiagem, figurino, fazem da obra interessante, divertida e tocante. A última vez que um musical no sentido mais clássico estreou feito com tanta maestria, foi Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007) do mestre Tim Burton - talvez seu último filme realmente bom. Mas esse tinha elementos góticos, marca registrada do diretor, e não é tão comercial como espera Hollywood.

Como nos clássicos do cinema, é perceptível a mudança de atos no musical. Começa com melodrama trágico, vivido pelo protagonista Jean Valjean (Jackman) e Fantine (Hathaway). Os atores escolhidos são ótimos cantores (o diretor os fez realmente cantarem durante as filmagens de cenas mais pessoais, e não apenas dublarem como é o normal). E chega até o início da transformação do herói da história em busca de redenção, que passa por momento cômico apresentando o cortiço, da qual, vivem os malandros que cuidam de Cosette, vividos pelos já conhecidos em Sweeney Todd por papéis semelhantes, Helena Bohan Carter e Sacha Baron Cohen. Existe também uma necessidade de inserir uma consciência no complicado investigador Javert (Crowe) - o personagem que mais sofre mudanças entre as adaptações. Nada como cantar um pouco e desabafar - uma ótima sacada ele está sempre à beira do abismo (paraíso e inferno), e prefere pular para a lei, que não lhe oferece vida, afinal ele é fiel ao que acredita.

Mas nem tudo são flores. Apesar de momentos marcantes de extrema habilidade artística e técnica - as cenas de revolução com bandeiras batendo cotra o vento, no maior estilo do pintor Eugène Delacroix, são emocionantes de se ver - o longa tem  um roteiro por vezes preguiçoso. São personagens que se encontram em momentos mais oportunos. Seja Valjean encontrando Cosette numa floresta, depois dando de cara com alguém que o tenha ajudado e agora este lhe deve uma ajuda para se esconder, ou cruzando com pessoas até mesmo dentro do esgoto. As coincidências são tantas que banalizam o acaso e enfraquecem a narrativa. Entretanto, Os Miseráveis tem ao seu favor todas as qualidades que esses deslizes não atrapalham o resultado final.

Um filme memorável, contando uma história que apesar de tão revista, é emocionante e sempre será ícone para momentos de superação em tempos sombrios. A injustiça social, um problema constante em grandes países, e pior ainda nos mais pobres, sempre contribuíra para o sucesso e o apresso dessa obra. E não importa o seu estilo - mesmo que no musical seja mais atraente e com um final ainda mais emocionante. A catarse da história será sempre a redenção daquele que literalmente comeu o pão que o diabo amassou, mas isso mudou sua vida, depois de conhecer a bondade e o altruísmo. E termina feliz, mesmo sendo em suma trágica. Não importa o tempo, Os Miseráveis sempre será inspirador, só manter sua alma, como nesse glorioso filme musical.

Trailer:



fevereiro 05, 2013

Crítica: Loucura e normalidade se misturam em 'O Lado bom da Vida'

A terapia da vida... mas com um final piegas


Muito tem em comum O Lado bom da Vida (Silver Linings Playbook, 2012) e O Vencedor (The Fighter, 2010), ambos de David O. Russell, premiados e com atuações marcantes. Não tratam de temas extraordinários, são de origem independente, valorizam o roteiro bem construído e com diálogos bem intercalados, equilibrando a simplicidade da história com um jeito diferenciado de contá-la. Isso faz de temas pesados, como o vício em drogas tratado no filme do boxeador e, agora, nesse com seus protagonistas disfuncionais, ter ares de comédia. E apesar dos dois mostrarem drama familiares, não chegam a carregar o tom da história negativamente.


Em O Lado bom da Vida, Russell parte para o romance que ficou descompensado em seu longa anterior. Primeiro conhecemos Pat (Bradley Cooper, muito bem no papel) um jovem professor de história que fica um bom tempo internado num hospital psiquiátrico após um violento colapso nervoso. Perdeu o emprego, o casamento e a credibilidade. Depois de um tempo, volta para a casa dos pais, com vontade de retornar a "normalidade". Pronto para tentar reconquistar a esposa e a confiança dos pais, vai aos poucos tentando se manter na linha. Porém, ele foi diagnosticado com transtorno bipolar, o que o faz ter de variações de humor quando se vê sob pressão ou estresse.

Com uma restrição policial que não permite que ele se aproxime da esposa, Pat acaba conhecendo Tiffany (Jennifer Lawrence, roubando a cena). Ela é jovem que também passou por um colapso e vive uma crise como a dele, e agora é uma forma dele se aproximar da esposa - ambas possuem um contato em comum. E é aí que se vai ficando mais claro onde o roteiro quer chegar. O poder de Tiffany sob ele fica evidente logo na primeira cena entre dois, quando ele perde a fala ao reparar nela. A partir daí, Pat começa uma jornada não tão disfuncional em relação as pessoas "normais". Ele precisa superar um casamento fracassado e ceder as investidas de Tiffany que está afim da companhia dele. A única diferença é os dois tem problemas e são um pouco mais alterados que os demais. E o diretor sabe mostrar isso muito bem.

Ao apresentar os distúrbios de Pat, Russell não economiza nos escândalos até que Pat aceite a tomar medicamentos. E assim encerra o primeiro ato com ele consertando uma janela que quebrou. Em seguida, insere a personagem de Lawrence como um choque no cotidiano do moço. Ela literalmente dá um susto nele, lhe dá um tapa, o assusta durante uma corrida, passa à "persegui-lo" (correndo atrás, no sentido literal mesmo) e aos poucos, lhe dá algumas lições de moral. A verdade é que Pat é um acomodado, se escondeu atrás de uma doença e a aceitação dos pais. É incrível como as cenas dele correndo funcionam como uma metáfora visual quando ao redor está o american way life, parado, silencioso. Então Tiffany agita sua vida. É como se apenas os dois fossem o movimento no contexto da realidade. Os "anormais".

Tiffany representa aqui, a verdadeira "louca" da história. É ela quem vai mexer nas engrenagens da vida e de fazer não só Pat, mas como toda sua família se movimentar, seguir em frente sem medo. Utilizando a dança como método (ferramenta não muito sútil no roteiro, mas que funciona no final), ele acaba focando no que aprendeu nos tempos internado: gastar suas forças negativas no lado bom da vida. Por mais que tente fugir da realidade, é Tiffany que está afim de trocar ajuda e assim vencerem os problemas juntos e vai manipulá-lo para isso. E no final, caindo em um caminho piegas demais, mesmo buscando fazer referências de clássicos românticos, a corrida sela o que se foi visto durante o longa, Pat desta vez é que está atrás da garota.

O Lado bom da Vida funciona como uma boa história reflexiva, falando sobre a vida e como ela mesmo tem as ferramentas para ajustar qualquer engrenagem fora do lugar. Mas não que tudo precise ser perfeito - basta reparar como a dança imperfeita deles, lhes entregou a felicidade - o mais importante é se esforçar e focar nas pessoas que querem ajudar ou que procuram ajuda. É uma aposta não tão certeira como é mostrada no filme, mas funciona quando se tem vontade de vencer alguma barreira. O problema da sociedade, não são esses que correm pela cidade à procura de movimento, e sim os parados vivendo sua loucura silenciosa que lhes é permitida: seja no violento fanatismo esportivo ou na perfeita e sufocante vida subúrbio, da qual, casas tem um ipod em cada comodo da casa e os casamentos são de aparências.

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