março 31, 2010

A estética perfeita de 'Direito de Amar'

Primeiro filme do cultuado estilista Tom Ford, sublinha perfeccionismo na imagem


O ícone da moda Tom Ford, durante 10 anos, foi o homem responsável por tirar umas das maiores marcas do mundo da falência. Dentro da grife italiana Gucci ele revitalizou o estilo sofisticado dos produtos, além de incrementar o sexo aos anúncios que passaram a ser ousados. Agora utiliza as mesmas provocantes características na própria marca que leva o seu nome. Fica óbvio que se trata de uma pessoa que entende a importância da imagem ao produto. Seja chocando ou não, a estética de um comercial deve prevalecer e fazer o máximo para enriquecer o que se quer vender. Não é necessário ser a favor ou contra o seu método, mas têm-se a admitir que ele sabe fazer isso muito bem. A prova disso está na sua primeira empreitada cinematográfica Direito de Amar (A Single Men).

Adaptação do romance semiautobiográfico do britânico Christopher Isherwood, lançado em 1964 e alvo de grandes polêmicas, o filme conta a história do professor universitário George, homossexual, que acaba de perder o companheiro com quem viveu durante 16 anos. Proibido pela família do falecido de ir ao próprio enterro, ele tenta entender o que será de sua vida, e ao mesmo tempo prepara o suícidio. Nesse doloroso processo, personagens fortes o levam a compreender e analisar melhor a situação, são eles: a amiga (Julianne Moore, irretocável) que possui um amor platônico por ele; e indiretamente um aluno (Nicholas Hoult, o Tony da primeira fase de Skins) que vê o professor mais profundamente e sabe que tem alguma coisa errada.

O filme é recheado de memórias de George com o namorado, analises da relação em conversas sobre idade ou o fato de serem gays, e também momentos da narração do professor sobre as angústias da vida. A produção segue um nível interessante e mais realista com a temática homossexual se colocando em uma linha tênue entre o politizado Milk, A Voz da Igualdade e o triste romance O Segredo de Brokeback Montain. Só demonstra uma visão mais complexa quando é aguçada com artifício dos enquadramentos parados e vários closes, do figurino impecável, a fotografia de primeira e a trilha sonora instrumental de arrepiar. Detalhes poderosos que fazem a história ficar mais rica na poesia.

Tom Ford em ação
Os óculos gigantes que demonstram a insegurança do personagem ou a roupa excessivamente aveludada do aluno que salientam o ar da inocência. Os méritos dessa estética potente, vão para Tom Ford obcecado pela perfeição - como ele mesmo se denominou. Provavelmente a história não conseguiria se sobressair nas mãos de outro diretor, e o designer de moda fez aqui o que muitos tem a dificuldade de equilibrar: imagem e roteiro.


Outro que merece méritos aqui é Colin Firth que ultimamente estava perdido em papéis desinteressantes, aqui se encontra com o que parece ter sido feito sob medida. Foi elogiado, ganhou prêmios e uma importante indicação ao Oscar desse ano. Direito de Amar é um filme para sensíveis, que enxergam facilmente poesia na imagem, para os que estão na meia idade e passaram por situações de desilusão ou perda e o carente público homossexual que se identifica facilmente com a situação da história e não encontra produções boas sobre a temática. Para esses, a estética bonita do filme mostra bem a angústia de se viver em meio ao preconceito da própria família e o que leva à solidão, um homem que apenas no momento de desespero consegue dar valor a vida ao seu redor.

A Single Man
EUA , 2009 - 101
Drama

Direção: Tom Ford
Roteiro: Tom Ford, Christopher Isherwood, David Scearce
Elenco: Colin Firth, Julianne Moore, Nicholas Hoult, Matthew Goode, Jon Kortajarena, Paulette Lamori, Ryan Simpkins, Ginnifer Goodwin 

Trailer:


março 30, 2010

CONFIRA O NOVO CLIPE DO MGMT - "FLASH DELIRIUM"

Psicodelia dá lugar ao bizarro


O grupo indie do Brooklyn, está prestes a lançar seu segundo álbum, Congratulations, e assume de vez a postura mais inde rock e menos psicodélica que mostraram no álbum e nos clipes do sucesso Oracular Spectacular, maior prova é o  hit Time to Pretend. A nova fase do duo, formado pelos integrantes Andrew Vanwyngarden e Ben Goldwasser, está menos fantasiada - seja no figurino e maquilagem -, porém, continua com atitude e alucinado.

Não tive a oportunidade de conferi-los no finado Tim Festival, que os trouxerem em 2008 para Vitória, mas um amigo bem próximo confirmou que o show segue essa linha mais rock e não tem nada de psicodélico - característica que atraiu vários fãs. Ele ainda me contou que os dois são bem simpáticos com os fãs, e inclusive depois do show foram a um barzinho bem alternativo e lá ficou batendo papo e bebendo com eles. Terminou que os dois foram pro hotel com umas fãs e podemos imaginar que possa ter acontecido no melhor estilo sexo, drogas e rock'n'roll.

Confira o novo - e bizarro - clipe dos caras, Flash Delirium


Congratulations será lançado dia 13 de Abril.

março 24, 2010

CONFIRA O NOVO CLIPE DO OWL CITY, "VANILLA TWILIGHT"

Depois do grande sucesso com Fireflies, músico lança segundo single


O clipe bonitinho, que alavancou as vendas do single Fireflies e também do primeiro álbum Ocean Eyes, esconde uma coisa de muitos. Não se trata de uma banda e sim de um conceito musical conhecido como "synthpop", que consiste do conjunto de teclados e sintetizadores como os principais instrumentos, ou seja, a sonoridade que você ouve pode ser feita apenas por uma única pessoa munida de poucos instrumentos e um  bom computador de edição de som.

O Owl City é projeto do músico Adam Young  de Minnesota, Estados Unidos, que conquistou as paradas no final do ano passado com o hit Fireflies. Claro que, ele não fez tudo sozinho e teve a base de uma gravadora que gravou um álbum e preparou a divulgação, mas no Myspace é possível descobrir muita gente se apropriando do novo estilo que é muito interessante e moderno, ele foi um dos que se destacou com a ferramenta.

No novo clipe, o conceito de amor, sonhos e felicidade continua, tanto na letra quanto no vídeo. Confira o novo clipe do Owl City, Vanilla Twilight:


DIVULGADO TRAILER DA SUPERPRODUÇÃO NACIONAL 'NOSSO LAR'

A versão cinematográfica baseada na obra de Chico Xavier tem qualidade internacional


Foi se o tempo que o cinema nacional era sinônimo de favela, pobreza ou comédias cheias de corpos desnudos e piadas sem graça. Mesmo que ainda engatinhando em outras direções, as produções realizadas aqui no Brasil, com a ajuda e aprendizado por companhias internacionais, estão se aperfeiçoando e mostrando que o país tem estrutura, profissionais de qualidade (como atores, diretores e produtores), e principalmente boa vontade e - agora - algum investimento. O mais novo exemplo disso é o filme Nosso Lar, baseado na famosa obra do médium Chico Xavier, psicografada em 1942, pelo espírito André Luiz. Ou seja, pra quem é espírita ou simpatizante, pode-se dizer que o filme é baseado em fatos reais.


A história é sobre um médico que morre e desperta no mundo espiritual - depois de anos em um "breu" de escuridão na transição dos mundos. Lá, ele conhece como é a vida após a morte e como funciona o mundo espiritual, o sistema de reencarnação e a relação com o mundo dos encarnados. Segundo o site da Rolling Stones, o roteiro é escrito e dirigido por Wagner de Assis que dirigiu a também adaptação literária A Cartomante.



Os efeitos visuais que figuram por todo o filme mostrando como é o plano espiritual, a cidade e os personagens, ficaram a cargo da empresa Intelligent Creatures mesma de produções como Babel e Watchmen, do diretor de fotografia Ueli Steiger de 10.000 A.C, Godzilla e O Dia Depois de Amanhã e do supervisor de efeitos especiais Lev Kolobov de Babel e Fonte da Vida.

Confira o promissor trailer:


março 23, 2010

NOVIDADES: O RETORNO OFICIAL DE CHRISTINA AGUILERA

Cantora começa a divulgação de novo álbum


Com a overdose de Lady GaGa, Ke$ha e cia. na mídia em geral, qualquer cuidado é pouco ao se lançar um novo trabalho em meio a forte concorrência, ainda mais quando se trata de uma cantora com uma década de carreira. E, pior ainda perigosamente quando ela promete voltar mais dance e com músicas abusando da sonoridade eletrônica. Por isso tantas vezes se adia, e estudam a melhor hora de lançar o trabalho.

Christina Aguilera está de volta e apresentou hoje a capa do seu novo single Not Myself Tonight em seu site oficial. A música faz parte de Bionic, quarto álbum da cantora sem data de lançamento prevista. No site foi colocado um relógio em contagem regressiva indicando o momento que sairá outra notícia. Boatos revelam que a música será lançada nas rádios dia 29 de Março.

março 21, 2010

'Ilha do Medo' é o modo gênial de fazer algo que já fizeram

Suspense não assusta, porém, prende o espectador até o fim


Depois de consagrado no Oscar em 2007, pelo sucesso de Os Infiltrados, o diretor Martin Scorsese que já havia conquistado fãs pelos filmes sempre marcados pela estética clássica e bem realizada, agora conquista uma visibilidade muito maior com o público de massa. A prova mais concreta dessa afirmação está nos incontestáveis 170 milhões de dólares que sua mais nova produção Ilha do Medo arrecadou nas bilheterias ao redor do mundo em quatro semanas. O suspense ainda marca mais uma parceria de sucesso dele com o ator Leonardo DiCaprio (O Aviador, Gangues de Nova Iorque, Os Infiltrados).

O suspense Ilha do Medo, conta a história de dois agentes federais, Teddy Daniels, interpretado pelo ótimo e mais uma vez certeiro DiCaprio, e o outro é seu companheiro Chuck Aule (Mark Ruffalo). Eles chegam até a ilha Shuttler para desvendar o sumiço de um paciente do enorme centro psiquiátrico que reside ali, isolado e com forte segurança. Em meio a apresentação de pistas do tal mistério, Teddy começa também  resolver os mistérios que assombram seu passado, com a ligação do lugar e a morte de sua esposa Dolores (Michelle Williams).

É por aí que o clima de conspiração persiste para confundir a cabeça do público, seja em forma de flashback, de sonhos ou de visões. Teddy tem suas lembranças da segunda guerra postas em jogo principalmente quando chegava em um campo de concentração e se encontra diante de todo o terror e violência, e assim faz referências com a clínica. Outro ponto de vista jogado ao público é a paranóia de estar no centro de uma possível conspiração contra ele, agravados por ser um lugar da qual ele desconhece os principais motivos de sua real existência. A trama é o suficiente para manter o público preso nesse desconhecido e finalmente entender onde se que chegar.


Mas nem tudo é eficiente. Apesar da estética bem cuidada, trilha sonora que segue em forma de homenagem aos clássicos do gênero, o filme tende a agradar àqueles assíduos fãs do diretor, por encontrar tudo aquilo que ele propôs em outras produções. Para o espectador mais acostumado com os recentes suspenses picotados com cenas assustadoras e parecem ao máximo buscar roteiros pouco originais - diferente do desejo do público que odeia clichês -, Ilha do Medo pode decepcionar. Pode, porque quem esperava ao menos um filme com uma solução mais inovadora ou ao menos um história diferente e surpreendente, se encontra em um labirinto até interessante, mas que apresenta uma saída esquecível e desapontadora. Não era pretensioso ser o melhor filme de Martin Scorsese, mas serve mesmo para sabermos que ele está ativo mesmo depois do Oscar - e isso é muito bom.

Shutter Island
EUA , 2010 - 138
Policial / Suspense
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Laeta Kalogridis, Dennis Lehane
Elenco: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams, Emily Mortimer, Patricia Clarkson, Jackie Earle Haley, Ted Levine

Trailer:





março 19, 2010

ARCTIC MONKEYS 'MY PROPELLER' - VIDEO PREMIERE

Grupo lança novo clipe e volta a obscuridade


Depois do catastrófico video de Cornerstone, a banda Arctic Monkeys está lançando o terceiro single oficial do último álbum Humbug. O vídeo segue escuro como Crying Lightning, porém menos bizarro como Cornerstone.

O clipe não é ruim, mas poderia ser melhor se olharmos bem para o histórico da banda. A música pelo menos continua muito boa! Confira:

março 17, 2010

NOVIDADES: TRUE BLOOD GANHA DATA DE ESTREIA!

Inicio da terceira temporada ocorre em junho


Curiosos para saber o que aconteceu com Bill na última e enigmática cena da série hype True Blood? A espera vai durar um pouquinho mais. O canal HBO entregou que a série volta com episódios inéditos dia 13 de Junho nos Estados Unidos. É aguardar para que a HBO do Brasil faça como no ano passado e estreia a série com menos de um mês de diferença. Mas claro, que quem gosta mesmo, talvez não consiga nem esperar.

Confira o teaser promocional da terceira temporada:

março 13, 2010

FLOBOTS "WHITE FLAG WARRIOR" - VIDEO PREMIRE

Grupo indie de hip-hop/rock se prepara para lançar o terceiro álbum


Eles fizeram grande sucesso com o hit Handlebars do sugundo álbum Fight with Tools de 2008. Naquele ano o cenário pop/alternativo conhecia o Flobots, uma banda inovadora, com melodias fortes e mistura interessante e potente de hip-hop, rock e de quebra um violino que faz toda a diferença. Vale destacar também as letras das músicas, sempre com conteúdo político e criticando uma realidade injusta. A banda de Denver, Colorado, conseguiu vender cerca de 260 mil álbuns, feito considerável em  se tratando de um som mais underground. Veja Handlebars:


Agora se preparam para lançar o terceiro álbum - o primeiro se chama Onomatopoeia e foi lançado de forma independente em 2001 - intitulado Survival Story. São 12 faixas que seguem o estilo proposto, porém, com mais levadas de rock. Prova disso é o primeiro single White Flag Warrior, que para deixar o som ainda mais pesado, chamaram o vocalista Tim McIlrath do Rise Against.

Confira a premiere de White Flag Warrior:


Survival Story tem data de lançamento no dia 16 de Março.

março 11, 2010

A SAGA CREPÚSCULO: ECLIPSE - TRAILER PREMIERE

Terceira parte do fenômeno literário e cinematográfico ganha primeiro teaser


Confesso que esse teaser foi o melhor já produzido desde o lançamento de Crepúsculo. Finalmente a produção se assume como dramalhão mexicano, com o triângulo amoroso consistente e complicado entre vampiro, humano e lobisomem. Provavelmente a produção de marketing cansou de querer chamar o público masculino para ver a novela, ausentando de vez as cenas de ação pelo menos nesse teaser. E, claro, por isso não podia faltar o descamisado Jacob.


A direção dessa vez fica por conta de David Slade que dirigiu a adaptação de HQ também de vampiros 30 dias de noite, e pasmem, o sádico terror Meninamá.com!

Confira a prévia:


Eclipse estreia em 20 de junho. Resenhas de Crepúsculo e Lua Nova você encontra aqui e aqui.

março 08, 2010

OSCAR 2010: A POLÊMICA AVATAR

Premiação precisava apimentar a disputa, mas exagerou na dose

Primeiro que fique bem claro. Esse filme já foi visto antes e nem faz muito tempo. Porém, teve menos comoção porque O Senhor dos Anéis não foi tão popular em seu lançamento como Avatar está sendo no calor dos recordes. O épico de Peter Jackson ganhou popularidade aos poucos e melhorou de público apenas depois do segundo filme, produzido  junto com o terceiro - e com o orçamento bem maior. E logo depois vieram os onze Oscars para O Retorno do Rei. E é isso que a Academia parece fazer.

O diretor James Cameron anunciou uma trilogia para Avatar e a Academia economizou estatuetas para as próximas premiações (se não for isso, aposto em loucura de quem vota nisso). E a tática tem consequências polêmicas, visto que se trata de um filme bom com um tema tão pertinente. Não que Guerra ao Terror não trabalhe um assunto que seja pertinente, mas Avatar é sobre humanidade, é de uma esfera maior e que pode-se chamar de universal. Agora é esperar os próximos dez anos para que justiça seja feita, e nós cinéfilos ficamos apostando no grande bolão que o prêmio se tornou - há anos.

Quando se tem Sandra Bullock levando prêmio de Meryl Streep (Julie & Julia), isso não mostra tanta ousadia, e beira à uma estúpida escolha. Ano passado Kate Winslet levou, mas realmente fez por merecer, anos após anos sendo indicada por trabalhos belíssimos e melhorando a cada ano. O que Sandra fez? Não desmerecendo o talento da atriz, mas são tantas escolhas erradas, que é difícil acreditar que ela suou para chegar onde está como outras. Outro fator discutível é o favoritismo de alguns filmes em categorias que realmente são fortes e conseguem naufragar na hora do prêmio.

Amor sem Escalas favorito em roteiro adaptado precisava de pelo menos um prêmio para ser lembrado de alguma maneira - e tudo o favorecia, desde atuações até o roteiro sobre um assunto atual que é a crise econômica. Saiu de mãos vazias. Preciosa, por mais que seja isso tudo, ganhou o mais importante que ele poderia levar (Melhor Atriz Coadjuvante), afinal é um filme que tem em seu forte as atuações. E Bastardos Inglórios, em que seu forte é a originalidade do roteiro, ganhou um  prêmio tão óbvio que é pouco diante do que merecia (Melhor Ator Coadjuvante).

Se o Oscar desse ano não quis chover no molhado, já que Avatar é tão grande para se sustentar sozinho e vai crescer ainda mais entre crítica e público futuramente, pelo menos que eles fossem mais justos e não fizessem o tão odiado óbvio, deixando de lado grande merecedores e fazendo dessa premiação, além de ser a mais apática e chata, a causadora de uma polêmica com fundamentos tão pretenciosos quanto o valor real que o prêmio tem.

Por outro lado, que sirva pelo menos de lição para o Brasil, pois,  temos muito a perder quando não apostamos no cinema real e que não é necessário 500 milhões de orçamamento para se ganhar reconhecimento. Mesmo que as boas piadas de Steve Martin e Alec Baldwin, é difícil achar graça no joguinho que eles fazem com os vencedores. Confira a lista de quem ganhou o bolão - em negrito:


março 07, 2010

O vazio existencial exposto em 'Amor sem Escalas'

O ser humano e a descoberta de sentimentos em fases da vida


A vida de Ryan Bingham (George Clooney), um Conselheiro de Transições de Carreira, não poderia ser mais complicada. O executivo trabalha em uma empresa que é contratada para demitir funcionários em grandes corporações. Os chefões dessas empresas não têm a coragem de fazer esse serviço e por isso pedem ajuda a pessoas como ele que dão um alento para os ex-funcionários. É até compreensível em partes, as reações são de pessoas desesperadas chegam a comparar a demissão até com a morte. Viajando de avião de um lado pro outro, Ryan não possui fortes laços afetivos com seus parentes e nem amizades verdadeiras. Se diz cercado de pessoas, mas a verdade é que se isola a cada viagem, vive distante do mundo real e não sente falta de ter uma família. Seu único hobby é acumular milhas para onde voa, sem pensar no que fazer depois com elas. 

Em meio a esse individualismo e a profissão dominada - em que construiu táticas eficientes a cada resposta e reação dos recém demitidos -, ele conhece conhece Alex (Vera Farmiga), com quem começa uma relação um tanto impessoal, da qual, os meios eletrônicos controlam quando vão se encontrar ou a troca de mensagens via celulares fazem parte do compromisso. O sexo é casual e os encontros são para preencher lacunas existentes na vida dos dois. Porém, ele também conhece Natalie (Anna Kendrick) que entra em sua empresa e apresenta um novo plano de demissão via videoconferência, tudo feito pela web. Natalie é uma jovem formada e quer entrar no emprego pelo desafio e principalmente por causa de um namorado, da qual decide seguir. A diferença entre as duas? Basicamente, que uma é aparentemente a versão de saias de Ryan e a outra é uma jovem sentimental.


Durante as viagens e aos preparativos de casamento da irmã, Ryan ouvindo os conselhos de Natalie e com seu apego por Alex aumentando, consegue aos poucos visualizar outras perspectiva e perceber o quanto é sozinho. Por mais que ele fuja da realidade que é sua casa vazia, um dia se dá conta que poderia fazer diferente e não ser um parente esquecido ou um amante qualquer. Nesse fluxo de sentimento também percebe-se o vazio existencialista dos outros personagens como o de Alex e a mudança de Natalie que não aguenta a pressão do desumano trabalho.

O diretor Jason Reiman  optou em dar um toque cômico no emprego de Ryan, assim também como fez em Obrigado por Fumar, com o porta voz da indústria de cigarros. São trabalhos difíceis, e que se fundamentam em um script que de tão convincente até eles mesmos passam a acreditar nele. Se iludem pela falta de humanidade ali presente nas palavras reconfortantes. O problema - ou solução - é que os seres humanos são cheios de sentimentos que despertam a cada momento da vida, sejam pra alertar ou para confundir ainda mais. Um filme que nada tem a ver com o título traduzido e muito menos deveria ser vendido como uma simples comédia romântica. Amor sem Escalas é sobre a vida, sentimentos e acima de tudo, a percepção de perda de tempo com futilidades, e a rejeição de pessoas que são importantes para a vida - talvez motivada pelo medo de conflitos e julgamentos - , que deve-se pôr todas elas em uma mochila e não deixar para trás.
  
Amor Sem Escalas
Up In The Air
EUA, 2009 - 109 min
Romance / Drama / Comédia 
Direção: Jason Reitman 
Roteiro: Jason Reitman e Sheldon Turner 
Elenco: George Clooney, Anna Kendrick, Vera Farmiga
Trailer:

A realidade não fabricada em 'Preciosa, Uma História de Esperança'

A realidade que choca, mas não é surpresa pra ninguém


Muitos reclamam que o cinema brasileiro expõe demais o que temos de pior a mostrar do país. Mas em termos cinematográficos, essa realidade é o que faz o cinema ser um dos melhores veículos de comunicação de massa para mostrar uma cultura, e causa reflexão em quem assiste. Se ver a pobreza como ela é pode causar repulsa em alguns, outros sabem aproveitar da melhor forma e fazer a sua parte. Entender e deixar de lado certos preconceitos já é algo. Não é à toa ver Cidade de Deus sendo considerado um dos melhores filmes produzidos e conquistando o feito de ser indicado à quatro estatuetas do Oscar. E porque não salientar também que ele abriu uma nova perspectiva de mostrar realidades de culturas em que a desigualdade social é a maior causadora da violência? Quem quer ser um  Milionário? é o ápice disso, mostrando uma Índia que ninguém conhece a partir dos cartões postais. Uma Hollywood menos contida, finalmente tem absorvido dessa nova dinâmica e contado histórias de personagens não necessariamente reais, mas que vivem de forma real. Preciosa é o mais novo exemplo desse tipo de cinema.

Apesar de uma trama envolvente e muitas vezes chocante, Preciosa até inova no assunto, mas não chega a surpreender. Trata de uma temática triste realista do ser humano e explora melhor uma personagem que provavelmente aqui no Brasil, seria mais um caso para os tablóides sensacionalistas abusarem. Mesmo se tratando de Estados Unidos, até que o filme não maquiou o problema como de costume, basta as cenas de abuso e o depoimento sem pudor sobre o assunto. Os protagonistas aqui não são árabes ou latinos (apesar, claro, de um desses  representados no longa), são negros americanos (tratados da mesma forma em vários lugares por lá), morando nos guetos que os países de primeiro mundo oferecem. A jovem Claireece Preciosa Jones (Gabourey Sidibe) de 16 anos, não sabe o que é a felicidade nem o amor. Do mesmo jeito que ela não sabe ler e nem escrever, porém é boa em matemática, algo que chama atenção da diretora do colégio, da qual ela está sendo expulsa por causa de sua segunda gravidez. Então é convidada a participar de uma escola especial para esses tipos de caso.

Em casa não existe ambiente familiar eficiente para a jovem ter motivação de estudar e sonhar com um futuro melhor. Sofre abuso sexual do pai e é violentada fisicamente e verbalmente pela mãe (Mo'Nique). Mesclando cenas fortes e repulsivas, a válvula de escape da jovem é viajar mentalmente com a fama no show business junto com um namorado de cabelo bom e rico. Tirando isso, ela não tem uma visão positiva do futuro à não ser trabalhar ganhando pouco. Porém, uma coisa que acredita e sem dúvidas a chave para contornar o problema, é apostar na sua educação. Isso é uma escolha pessoal e a jovem aproveita bem isso. A mãe sempre foi contra e induz a menina à seguir o caminho do assistencialismo que o governo fornece e o que garante a sobrevivência dela, enganando os assistentes.

Nessa escola especial Preciosa recebe a atenção da professora Sra. Blu Rain (Paula Patton), que junto com uma turma de garotas negras ou de ascendência latina (e para mostrar o tamanho da desigualdade, um garoto branco aparece por lá nos momentos finais), a jovem é acolhida e aprende a por para fora seus problemas, escrevendo-os em um diário e assim aprendendo a superá-los, muitos são traumas provenientes desses constantes abusos. Preciosa ressurge do abismo e mantém a cabeça erguida. Quando novos problemas surgem, ela dessa vez tem uma mão erguida para ajudá-la a levantar, além de criar essa capacidade de ver e seguir além.

Juntando atuações impecáveis e uma boa direção de Lee Daniels - que consegue pôr o público na pele da sofrida jovem - as indicações ao Oscar são merecidas e em especial na atuação incorrigível de Mo'Nique - melhor atriz coadjuvante -  como a mãe que consegue por medo em qualquer um. Uma atuação digna e competente, ainda mais se tratando de uma atriz que também é humorista. Até Mariah Carey consegue convencer na pele da assistente social. A edição também é excepcional e causa arrepios ao retratar as cenas de violência (sem mostrar muito) mescladas com os sonhos da jovem. Todos esses atributos fazem o filme marcante e que mesmo não surpreendendo diante tantos outros similares já feitos - para citar alguns, Escritores da Liberdade (2007) ou até mesmo um nacional, o emocionante O Contador de Histórias (2009) -, sem dúvidas a personagem Preciosa estará presente nas mentes de quem o viu por um bom tempo - principalmente ao reclamar da vida.
  

Preciosa – Uma História de Esperança
Precious: Based on the Book “Push” by Sapphire
EUA, 2009 - 110 min
Drama 
Direção: Lee Daniels 
Roteiro: Damien Paul 
Elenco: Gabourey "Gabbie" Sidibe, Mo'Nique, Paula Patton, Lenny Kravitz, Mariah Carey, Sherri Shepherd

Trailer: 




março 04, 2010

Musical 'Nine' é um fracasso na tentativa de revitalizar o gênero. Por quê?

A grande promessa do ano passado e do Oscar, fracassou com críticos e público


No momento em que o cinema respira musicais e a maré nunca esteve tão boa, a sinuosa pergunta surge: 'até quando'? Com o ressurgimento do gênero desde o incrível remake de Moulin Rouge de 2001 e as adaptações do teatro, O Fantasma da Ópera, o divertido Hairspray e Swenney Todd - obra de arte de Tim Buton -, passando por cinebiografias e homenagens como em Dreamgirls e Mammae Mia! até o momento áureo da boa fase gênero, com a consagração de Chicago - vencedor em seis estatuetas do Oscar em 2003 incluindo melhor filme - tirando claro, a Disney e sua versão teen com o até bom High School Musical 3, o público parece demonstrar cansaço do estilo. Prova disso é o alto investimento em Nine e o pouco retorno, ou será que a produção é uma exceção?

O filme traz curiosas coincidências com a realidade. Dirigido por Rob Marshall, o mesmo que produziu e até coreografou Chicago - o que fez mais bilheterias nos Estados Unidos -, agora está de volta nesse fracasso cinematográfico que tem muito mais estrelas que o anterior e um investimento maior e que conseguiu a pior bilheteria possível entre os filmes citados. Mas o filme não merece essa recepção tão negativa. Pelo menos pra quem gosta e musicais é um prato cheio. Com um elenco afinado, misturando veteranos de peso como Daniel Day-Lewis, Judi Dench e Sophia Loren junto a rostos mais conhecidos em outra geração como Penélope Cruz, Nicole Kidman, Marion Cotillard Kate Hudson, o maior problema de Nine está no roteiro - ou a falta dele. É estranho repetir o que todos críticos falam, mas não é difícil perceber isso. 

A história do cineasta italiano Guido,  que é elogiado pelos críticos, mas cujos últimas produções foram fracassos de crítica e público, é contada de forma rasa, sem maiores dramas, a não ser do protagonista perdido e buscando inspiração. Pressionado pela feroz imprensa - que está seguindo seus passos durante o processo de produção - o projeto nem sequer tem roteiro, mas a aposta em torno dele é tão grande que o estúdio nem se importa e já começa a montar os cenários do longa e escalar o elenco. Por enquanto existe apenas o nome: Itália. Essa busca de um roteiro leva Guido a procurar as mulheres que fizeram ou fazem parte de sua vida. Seja em lembranças ou vivenciando o presente com sua mulher e amantes, o cineasta começa a se conhecer e viver a crise, procurando uma saída.


O espaço para essa crise criativa é mesclado com os musicais que sintetizam o problema delas com o personagem, seja de sua figurinista Lilli (Judi Dench, formidável) ajudando ao dizer o que ele deseja ouvir; a sensual amante Carla (Penélope Cruz, roubando a cena mais uma vez) desejando atenção custe ao que custar e a esposa sofrida Luisa (Marion Cotillard), que tenta sustentar o casamento. Ainda dividindo a vida amorosa do cineasta está a atriz e musa Claudia (Nicole Kidman); e a sensacionalista jornalista Stephanie (Kate Hudson) - a que menos combina com o elenco. Outros números servem como uma lembrança de sua falecida mãe (Sophia Loren) e a prostituta de sua adolescência Saraghina (Fergie) - um dos melhores números do filme com a intensa música Be Italian.

Nine é isso. Clipes em meio a uma história por vezes entediante, por vezes exagerada e chega ao final sem ficar estável. O protagonista Daniel Day-Lewis não mostra força, sofre como uma frágil criança e fica ofuscado em seu próprio filme. O melhor aqui e que vale destacar, é a parte técnica: fotografia, figurinos, músicas... E aos fãs de musicais estilosos como esse, espera-se que esse fracasso seja um caso isolado e até uma lição para os próximos. No final do ano o gênero talvez fique mais fortalecido com Cher e Christina Aguilera no promissor Burlesque, e até lá que venha mais dança, música e pelo menos um roteiro com no mínimo uma pitada de alma e sincronia.
   
Nine
Nine
EUA, 2009 - 118 min
Musical 
Direção: Rob Marshall 
Roteiro: Michael Tolkin, Anthony Minghella 
Elenco: Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Penélope Cruz, Nicole Kidman, Judi Dench, Kate Hudson, Sophia Loren, Stacy Ferguson

Trailer: 

 

 

março 01, 2010

PAOLO NUTINI LANÇA NOVO VÍDEO EM PROL DE CAUSA HUMANITÁRIA

Cantor se junta ação que busca aumentar o desenvolvimento sustentável em países pobres


Hoje em dia não basta ser pop star, vender álbuns e conseguir o respeito dos críticos, artista bem sucedido na carreira tem que mostrar que ajuda o próximo, ainda mais quando assistimos o planeta Terra se ruindo. Comemorando a marca de mais de 1 milhão de cópias vendidas pelo mundo e sucesso absoluto no Reino Unido, da qual o fez ser indicado ao Brit Awars - estranhamente perder e nem ao menos ser convidado para cantar - o escocês Paolo Nutini está apoiando a empresa de chocolates Cadbury. A empresa de alimentos que comercializa a tradicional barra Cadbury Dairy Milk, está lançando o projeto Big Swap Songs, uma iniciativa que tem como objetivo ajudar a garantir o desenvolvimento sustentável econômico, social e ambiental de um milhão de agricultores de cacau e suas comunidades em Gana, Índia, Indonésia e Caribe.

O projeto ocorre um ano depois da empresa ganhar o certificado fairtrade (comércio justo e solidário). Esse selo, é proveniente da Fundação Fairtrade que anualmente realiza o evento Fairtrade Fortnight, uma quinzena com festas, shows, apresentações, feiras, etc., e feita para celebrar o comércio justo no Reino Unido. Para se ter ideia, depois de ganho o certificado no chocolate, houve triplicação das vendas de cacau para os agricultores do produto em Gana.

Paolo se junta ao grupo The Big Ghana Band, uma banda nacional de Gana, e grava em dueto o seu recente sucesso Pencil Full Of Lead para apoiar o projeto. Essa nova versão faz parte do álbum Big Swap Songs que conta com a versão dessa banda para outras músicas de vários artistas, além de duas do próprio grupo. O álbum está disponível gratuitamente para download no endereço www.cadburymusic.com, onde também ocorre uma enquete sobre quais produtos recentemente os consumidores trocaram (ou trocariam) por produtos com o selo de comércio justo.

A versão ficou muito interessante e mais animada que o clipe da música lançada originalmente. Confira: