dezembro 31, 2010

R.I.P 2010 | melhores do ano | CINEMA

A originalidade e o custo baixo prevaleceram!

A última lista sobre os melhores do ano é sobre cinema! Foi difícil montar essas listas e espero que gostem. Veja a de melhores séries e melhores em música. Ano começou polêmico com Guerra ao Terror levando o Oscar do recordista absoluto de bilheteria Avatar. Os que acompanham o blog, sabem que fiquei indignado e que defendo Avatar à qualquer custo, mesmo reconhecendo que Guerra ao Terror é um bom filme. Foi um ano repleto de fracassos, da qual, resolvi fugir e fazer bem minhas escolhas no cinema. Outros memoráveis (ou não) me faltou tempo de fazer resenhas como o ótimo Zumbilândia e a comédia Os Mercenários. Esses que me lembro. Bom avisar que Scott Pilgrim estreou apenas em São Paulo e nem chegou em DVD ainda. O cinema brasileiro surpreendeu. Dos arquivados e analisados eu juntei os 15 melhores baseado na minha opinião no texto abaixo, depois vou citar os maiores destaques, decepções ou os filmes que não sobressaíram tanto, mas não são ruins. (As escolhas são limitadas aos que estrearam em 2010 ou vistos nesse ano):

Os 20 melhores filmes de 2010


20- Os Famosos e os Duendes da Morte - o diretor Esmir Filho se lança nos filme de longa duração e se saí bem. A produção é bem cuidada e com um roteiro interessante, mesmo que não muito original.

19- A Fita Branca- dramática trama que explora uma Alemanha cinzenta e próxima do holocausto. O filme não é pra qualquer um e tem de ser entendido o contexto que o envolve.

18- Homem de Ferro 2- esse aí mostra que os filmes de heróis seguem a trajetória de sucesso, mesmo que o ano não tenha sido tão grandioso nos lançamentos do gênero como promete 2011.


17- Eu Matei Minha Mãe- esse título assustador não faz jus ao que a produção realmente é. Explora a difícil relação entre filho homossexual e a mãe. A produção fala sobre superação e aceitação.

16- Deixa Ela Entrar- o terror sueco ganhou até um remake. Mas não era necessário. Esse filme de vampiros é um dos melhores da temática e ainda tem um frescor de ineditismo no roteiro.

15- 5 Vezes Favela - Agora por nós mesmos - produção nacional feita por moradores de favelas sobre a região em que moram. Não poderia ter saído melhor. Infelizmente o público ainda tem preconceito e não foi prestigiá-lo.

14- Kick Ass - Quebrando Tudo- esqueça tudo o que você sabe sobre heróis em quadrinhos. Se a Hit Girl não te convencer que esse filme é hilário, você deve está morto.

13- O Segredo dos Seus Olhos- filme argentino pode ter momentos meio parados e confusos, mas o surpreendente final é um evento emocionante e que não se vê sempre no cinema. Venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro este ano.

12- Guerra ao Terror- venceu o Oscar e ganhou odiadores que queriam ver Avatar como vencedor. Mas fazer o que, o filme tem algum mérito. A guerra nunca foi contada de maneira tão sensível.

11- Como Treinar Seu Dragão- quando a Dreamworks parecia sem novidades para concorrer com a Pixar, ela acaba entendo a fórmula do sucesso da concorrente e inserindo nas novas produções. Roteiro divertido e emocionante.

10- Preciosa, Uma História de Esperança - ainda muito lembrado pelo barulho que fez no Oscar, Preciosa é um drama de uma realidade pouco explorada com seriedade nos Estados Unidos.

9- A Estrada- a onda de filme pós-apocalípticos nos presenteou com essa adaptação do vencedor do prêmio Pulitzer de 2007. O drama de pai e filho que tentam sobreviver no caos, é brilhante e emocionante.

8- Direito de Amar - o estilista Tom Ford se lança no cinema e mostra impecável produção, da qual, a estética fala muito mais do que as palavras.

7- Meu Malvado Favorito - animação que tornou-se um fenômeno de bilheteria, e em meio a crítica, é a mais divertida e engraçada do ano. Pela primeira vez podemos torcer para um vilão em um filme "infantil".

6- As Melhores Coisas do Mundo- produção nacional ficou meio escondida dos cinemas, uma pena. O filme retrata a classe média de um jeito nunca contado antes. Os anseios de ser adolescente, e como os pais precisam se adequar à nova realidade, foram contados com um toque bem realista.

5- Amor Sem Escalas- conheço muitos que não gostaram desse drama. O maior problema está no fato de o tratarem como uma comédia romântica que ele não é. Aqui, o vazio existencial rodeia os personagens principais e mostra como o ser humano busca suas válvulas de escape para assim seguir em diante.

4- A Rede Social- a produção que melhor analisa uma época conectada à internet. Mas, ao mesmo tempo, reforça como os norte-americanos estão presos em seu espírito competitivo, mesmo que o sacrifício para vencer, os faça abrir mão de seus amigos. Favorito ao Oscar 2011.

3- A Origem - Christopher Nolan fez toda a diferença em Hollywood este ano e provou que uma história original pode sim ser sinônimo de boa bilheteria. O roteiro que explora à fundo os sonhos e o sub consciente, é tão caprichado que ao fim pouco se entende. A mente humana não é assim, um labirinto de confusão?

2- Toy Story 3- diversão para às crianças e um emocionante drama para os adultos. Emocionar-se ao final dessa história, que fala sobre amizade acima de tudo, é obrigatório àqueles que tiveram seus fiéis companheiros de infância - seus brinquedos.

1- Tropa de Elite 2- nunca na história do cinema nacional um filme foi tão longe e explorou temas polêmicos. Todo o contexto ajudou o longa de José Padilha se tornar o fenômeno de bilheteria no Brasil. Ano eleitoral e a  retomada das favelas do Rio de Janeiro. E o herói Coronel Nascimento foi longe, meteu a mão na cara dos novos inimigos: os políticos corruptos. E a platéia vai à loucura!


:: Cinema em 2010 ::

dezembro 30, 2010

R.I.P 2010 | melhores do ano | MÚSICA

 Ano fraco para a indústria e com poucas novidades

O ano de 2010 foi considerado fraco para a indústria fonográfica. Sem nenhum fenômeno de vendas, Lady GaGa continua liderando a lista de álbuns vendidos, junto da queridinha Taylor Swift, Eminem e Take That (Reino Unido). A lista que preparei dos melhores, limita-se ao meu gosto (óbvio), o que pode frustrar os que esperam Katy Perry, Ke$ha ou Florence and The Machine. Detesto gente que não é sincera e coloca nomes alternativos para parecer hype. A prova de que não estou sendo mesquinho é o meu Last.fm que não mente. Gosto de tudo um pouco e procuro não ter preconceitos. Pra mim, os 10 melhores álbuns do ano foram:


10- Christina Aguilera - Bionic

O chamado flop do ano. E daí? Quem disse boas vendas é sinônimo de qualidade? Deixando de lado o motivo pela qual o álbum não deslanchou, Bionic é um trabalho muito bem produzido da talentosa Christina Aguilera. É uma mistura de diversos estilos, dance, baladas e o bom pop que na voz da cantora sempre se sobressai. Poucos o julgam realmente com razão. >> Destaques: Prima Donna e Lift Me Up.

9- Maroon 5 - Hands All Over

Por mais que pareça uma posição alta, eu sou muito fã do Adam Levine e sua trupe. Nono lugar não é motivo de orgulho, já que o álbum é fraco, quase sem identidade e com músicas banais. Faltou atitude, porém o capricho dos músicos se destaca em algumas faixas. Na combalida indústria do bom pop que agora tudo é música de boate, o Maroon 5 não renegou suas origens ainda. >> Destaques: Give a Little More e No Curtain Call.

8- Sandy Leah - Manuscrito

 Sandy finalmente se livrou da sombra brega sertaneja e pop e conseguiu mesclar MPB com um pop sério. Fez um álbum surpreendentemente bom e bem produzido, com letras poéticas e sem forçar a barra para ser comercial. Em tempos de axé, Restart e Wanessa, o trabalho é um sopro de qualidade. >> Destaques: Mais Um Rosto e Tempo.

7- Serj Tankian - Imperfect Harmonies

O segundo trabalho solo do músico conhecido pelo grupo System of a Down, não é tão bom quanto o primeiro, Elect the Dead, mas vale a pena conferir as letras politizadas e a mistura sempre bem vinda de metal com o clássico. E todos sabem que a voz de Serj é rara e importante no mercado. >> Destaques:  Left of Center e Reconstructive Demonstrations.

6- Plan B - The Defamation of Strickland Banks

Um nome que se destacou no Reino Unido este ano com direito a apresentação no Europe Music Awards (cada vez mais dominado por artistas norte-americanos). Uma mistura de rap com R&B que fez toda diferença, mesmo que a voz passe de Justin Timberlake para Daniel Merriweather em alguns momentos, sem impressionar muito, é um refúgio para quem gosta de estilos misturados. >> Destaques: She Said e The Recluse.

5- Arcade Fire - The Suburbs

Demorei para conhecer esse trabalho da banda. Não fiquei impressionado com o primeiro single e deixei um pouco de lado, por mais que a banda fosse santificada por todos os veículos. Mas eis que assisti ao clipe de The Suburbs e mais uma vez fui fisgado. A música e a qualidade do vídeo mostram porque o Arcade Fire é uma das bandas mais importantes do ano. É melancólico e genial. >> Destaques: The Suburbs e Empty Room

4- Mumford and Sons - Sigh No More

Fui conhecer esse glorioso grupo de indie-folk agora no final do ano com o lançamento deles nos Estados Unidos, e por isso o clipe passava na VH1. É um álbum excelente. Com uma sonoridade profunda, vozes cantando em conjunto e acordes de violão de arrepiar. >> Destaques: Little Lion Man e Thistle & Weeds

3- Mark Ronson & The Business - Record Collection

O consagrado produtor que fez Amy Winehouse ser uma das estrelas da década, lançou seu novo trabalho partindo para uma direção um pouco diferente. O trabalho se firmou mais pop e conseguiu nomes hype da música para dar vida a banda The Business Intl e ao estilo hip hop e synth pop. >> Destaques: You Gave Me Nothing e The Bike Song.

2- My Chemical Romance - Danger Days: The True Lives Of The Fabulous Killjoys

A banda de Gerard Way sofreu uma baixa importante na formação, o que fez atrasar o álbum. Porém, o que se ouve é mais um trabalho beirando conceitual e de altíssimo nível. Mesmo que fugindo do estilo emo que consagrou a banda, O My Chemical Romance retorna inspirado, divertido, complexo e sem submeter à grandes transformações como ocorreram com bandas que surgiram na mesma época e que sumiram: Fall Out Boy, Simple Plan e Evanescence. >> Destaques: Na Na Na e SING.

1- Gabriella Cilmi - Ten

Quem? Fardada a ser lembrada por um único hit, Sweet About Me, a australiana de 19 anos bem que emplacou uma música nas parada este anos: On A Mission. Ela é pop, é linda e abusa dos anos 80 na sonoridade do trabalho.  Com uma voz que lembra Amy Winehouse, Gabriella faz diferença e merece o reconhecimento, já que seu estilo é propício a isso. Mas, por enquanto, fica restrito à poucos o talento da jovem. >> Destaques: Defender, On A Mission e Invisible Girl.

dezembro 29, 2010

Ben Affleck busca redenção em 'Atração Perigosa'

Ator marca mais uma jornada como diretor


Depois de estrear na direção com Medo da Verdade, em 2007, Ben Affleck busca um novo rumo para sua carreira considerada instável. Desde que venceu o Oscar em 1998 de roteiro original ao lado do amigo bem sucedido Matt Damon, Affleck não soube mais o que seria o prestígio da crítica e do público, chegando a ser indicado como pior ator por alguns filmes. Mas eis que agora ele ousa entrar de vez na carreira de diretor e consegue, enfim, emplacar um bom trabalho que está sendo reconhecido em premiações e foi prestigiado com o sucesso de bilheteria pelo público. Em Atração Perigosa (The Town, EUA, 2010), Ben Affleck dirige e atua uma eletrizante trama de suspense e ação com um toque de drama.

O filme é uma adaptação do romance The Prince of Thieves de Chuck Hogan, e se passa depois de um assalto a banco no pequeno bairro de Charlestown. Logo no início do filme, ficamos sabendo que não existe lugar que ocorra mais assaltos à bancos como lá. O bairro fica em Boston, conhecido por existir gangues de irlandeses. Também é revelado que o ofício do crime passa de pai para filho, como acaba provando-se durante o filme. O assalto seria bem sucedido se a caixa Claire Keesey (Rebecca Hall) não tivesse virado refém do bando e tornado-se o foco de Doug MacRay (Affleck) - que busca vigiá-la, pois descobre que ela mora nas redondezas, e assim quer certifica-se que ela não irá longe com a investigação do FBI. Porém, do outro lado está um agente do FBI (John Hamm) que começa uma caça aos ladrões e tem boa lábia para conquistar seus interesses. Junto do amigo e comparsa compulsivo (Jeremy Renner) e de outros integrantes, Doug percisa cumprir um último plano.

O filme diferente de alguns grandiosos filmes de assaltos à banco, como o ótimo e surpreendente Plano Perfeito, não traz surpresas. É mais focado no drama do personagem de Aflleck que busca uma redenção. A narrativa é simples, em conversas e em reuniões do FBI, sabemos um pouco do passado dos criminosos e assim seguir à caça de gato e rato proposta. E mesmo com cara de bom moço e até o mais bonzinho entre os bandidos, o protagonista aos poucos vai mostrando que sua redenção não significa deixar de lado o passado criminoso. Ele vai em reuniões do AA e visita o pai constantemente na cadeia, além de se apaixonar pela principal testemunha do seu crime. Fica claro que ultrapassar os limites impostos por ele mesmo é que vão levar à redenção.


Atração Perigosa se fixa como um bom filme do gênero, e se destaca ainda mais por ter sido um ano fraco em Hollywood. Fica marcado aqui uma tentativa bem sucedida de um ator mediano e que como seu  personagem, busca uma nova chance, um novo caminho, sem deixar o passado nebuloso para trás.

Trailer:


R.I.P 2010 | melhores do ano | SÉRIES

O blog listou as séries que mais se destacaram no ano

Sem dúvidas foi um ano grandioso para a televisão mundial. Em tempos de transição das tecnologias, o hábito de acompanhar programas e séries pela TV não é mais unânime. Na internet é possível fazer o download de episódios e assim os seriados se popularizaram no resto do mundo. Mas eis que a TV a cabo cresceu contra a vertente. O motivo não podia ser mais conveniente: a qualidade. Canais como AMC, HBO e Showtime se estabeleceram como grandes fábricas de bons programas de TV nos Estados Unidos. Algumas séries eu conheci melhor esse ano, assistindo a todas temporadas, como no caso de Mad Men, Brothers & Sisters, Breaking Bad e Medium, porém, será julgada a última temporada exibida no Brasil nesse ano. Esse ano fiquei por fora de programas ingleses, mesmo não sendo muito fã, a única vista foi Skins. Porém, essa estranha questão de cortar o final das fases e assim ignorar o climax de despedida do elenco é algo que me fez desgostar do seriado aos poucos. No Brasil, a Rede Globo tem investido cada vez mais no formato. Assisti alguns episódios de Separação, escritos por Alexandre Machado e Fernanda Young, os mesmos de Os Normais. O seriado é ótimo, mas o horário ingrato. Aí que está o problema. Do que adianta apostar no gênero, mas esticar uma novela até às 22h30, inserir um Casseta e Planeta/Globo Repórter depois e enfiar o seriado para depois das 23h - 23h30? Vou me atualizar quanto à esse seriado e também Aline, da qual, assisti apenas o piloto e lembro ter gostado muito. Mas vamos ao que interessa!

10 - Glee (temporada 1) / Modern Family (temporada 1)

Glee foi essencialmente o sopro de novidade na tv aberta norte-americana. Fez uma temporada estável, apesar de episódios que beiraram ao exagero como o especial da Madonna. Mas o trunfo de Glee para a maioria dos críticos - e a mim - , não está na música - artifício para chamar atenção da massa - e sim no roteiro cômico e ousado. Não é todo dia que um estudante gay se abre para o pai machista no horário nobre, ou o preconceito racial é tratado de uma forma tão tocante. (FOX)

Modern Family é a comédia revelação do ano. O seriado cômico desbancou Glee e 30 Rock e levou o Emmy Awards para casa. Merecidamente, pois, uma série ser tão engraçada com o formato de documentário, é algo de gênio. As atuações também não podem ser deixadas de lado. Roteiro dinâmico e criativo. (ABC/FOX)

9- The Good Wife (temporada 1 e parte da 2ª)

O melhor drama de advogados atual inova ao inserir uma pitada de trama política na mistura. Como não se bastasse, ainda tem a família da personagem principal jogada no primeiro plano. The Good Wife não é genuinamente um seriado de um caso por episódio, aqui a história central é o que movimenta os jogos de interesses. O melhor ainda está na realista forma de tratar o caso de adultério por parte de político famoso e a relação da esposa com isso tudo. (CBS/ Universal Channel)


8- Fringe (temporada 2 e parte da 3ª) / The Walking Dead (temporada 1)


Fringe é uma surpresa. Um seriado que começou com uma trama meio nebulosa, ninguém sabia muito do que se tratava e agora abriu, literalmente, um portal para algo surpreendente e jamais explorado no universo da TV aberta. Infelizmente o público não comprou muito a ideia, e Fringe está correndo risco de cancelamento, ainda mais agora que a FOX a jogou para às sextas-feiras. Não sei o que é melhor: os personagens tão interessantes, a trama mirabolante e fascinante, ou as teorias de universos paralelos e observadores que não se limitam ao roteiro da série. (FOX, Warner Channel)


The Walking Dead é, em partes, uma decepção pelo número pequeno de episódios para essa primeira temporada. Pelo pouco que dá para julgar, o seriado tem uma produção de efeitos especiais bem cuidada, assustadora quando necessário e, como um bom filme de zumbis, a série traz a complexidade humana nos momentos de desespero à tona. A questão da fé pela ciência também foi muito bem conduzida. É aguardar para saber como o roteiro vai se sair ao criar armadilhas que serão expostas aos personagens. Uma coisa é certa, de todas, The Walking Dead é a mais nova série que pode ocupar o lugar de Lost no imaginário do público. (AMC, FOX)

7- Boardwalk Empire (temporada 1)

Elenco de primeira, direção de arte impecável e produção do cineasta que sabe muito bem falar sobre a máfia: Martin Scorcese. Mas ok. Depois de Mad Men, um seriado assim não surpreenderia tanto. Porém, com um desfecho impressionante, Boardwalk Empire manteve-se estável na temporada de debute e se prepara para mostrar realmente a que veio. Em meio a complexos personagens vivendo na cidade do pecado, pode-se esperar de tudo. (HBO)

6- Breaking Bad (temporadas 1 e 2)

Mais um seriado focado em personagens e na complexidade do ser humano. Ao tratar do espinhoso assunto que é o câncer, Breaking Bad faz isso de forma genial. Criou um paralelo de como ele mesmo começou a ter atitudes destrutivas semelhantes da doença atingindo o organismo. Nada escapa da sua obsessão de se manter vivo (o que se torna uma ótima desculpa para preencher seu vazio), e não abre mão de seus momentos ao lado de seu melhor amigo quando está fabricando metanfetamina. Os diálogos de Walter e Jesse são os melhores da TV atual. (AMC, AXN)

5- 30 Rock (temporada 5)

Tenho uma grande dificuldade de rir em seriados. Acho o formato sitcom com a platéia morrendo de rir da série, uma das coisas mais forçadas na TV. Funcionou muito bem antigamente, pois as séries eram realmente boas. Algumas de hoje são interessantes, mas me falta paciência de segui-las. 30 Rock é diferente. O próprio time formado para o programa já é garantia de arrancar minhas risadas e assim preencherem o intervalo de 30 segundo obrigatórios entre uma piada e outra. Não preciso de incentivo. Só a genial Tina Fey ao lado de Alec Baldwin "trabalharem" em uma das maiores redes de TV no Estados Unidos. (NBC, SONY)

4- Nurse Jackie (temporada 2)

Enquanto em outras séries os protagonistas precisam superar um câncer, zumbis, preconceitos, instinto assassino, vazio existencial e por aí vai, Jackie precisa superar uma dor nas costas. E o que ela faz? Se enche de remédios até se viciar. Claro que essa dor nas costas é muito mais uma desculpa para ela enfrentar sua vida perfeita e irritante. Edie Falco interpreta uma das maiores figuras femininas da TV no momento e o drama de viciados em drogas nunca foi contado de forma tão realista, pendendo para o lado cômico e mostrando uma face dos hospitais pouco conhecida, ou você acha que todos hospitais são como em Grey's Anatomy? (Showtime, Studio Universal)


3- Friday Night Lights (temporada 4)

A queridinha dos críticos no gênero série-adolescente-no-colegial é tão boa, mas tão boa, que será difícil outro seriado do gênero satisfazer tanto quanto ela. Pra começar, o seriado se passa no Texas, lugar onde os costumes são diferentes de outras regiões dos Estados Unidos. Questões como relação do jovem com a terceira idade, Guerra do Iraque, bullying, racismo, bipolaridade, drogas no esporte, adolescência e deficientes físicos, são tratados com seriedade e com um elenco que tem na improvisação o ponto forte para manter a narrativa contundente. (DirecTV, NBC, AXN)

2- Dexter (temporada 4)

Havia prometido falar sobre Dexter aqui no blog no especial Semana em Série. Fico envergonhado de não ter comentado nada ainda, mas quem assiste sabe do que se trata. Quem não assiste perde uma das produções mais controversas da TV. Dexter Morgan é sem dúvidas o personagem mais adorável e ao mesmo tempo assustador entre os seriados. Fica claro que fórmula foi copiada por todos esses outros seriados da lista, da qual, seus protagonistas precisam esconder seus sentimentos e emoções mais sombrias. Tentam conviver com seus monstros e as vezes optam por alimenta-los ou contê-los. Essa temporada foi nervosa, com momentos de tensão à todo momento. Termina de uma forma chocante e que será uma lição para o serial killer. Mas o que mais me dá medo em Dexter, é que qualquer ser humano comum se identifica de algum jeito com ele. (Showtime, FX)

1- Mad Men (temporada 3)

O seriado que retrata um período de fortes mudanças na sociedade, também se dá o luxo de discutir a complexidade de seus protagonistas. Os desejos latentes são por horas sufocados, mas em algum momento eles escapam e levam à tona atitudes condenáveis para uma época, da qual, o importante é seguir o utópico American Way of Life. As mulheres trabalhadoras, que querem se distanciar da vida de dona de casa e submissas aos homens vão ganhando espaço, enquanto outras vivem desesperadas e seguem medidas desastrosas. A terceira temporada chocou com o destino tomado do personagem homossexual, os segredos revelados do protagonista e o início de uma nova era para a agência de publicidade onde se passa parte da trama. Os ricos detalhes para reviver uma época tão charmosa e elegante não se limitam nos espaços físicos, trazendo o melhor da moda de volta e assim influenciando a cultura atual. Personagens bem construídos e um roteiro que não se submete ao que a audiência deseja. Um luxo que apenas uma série da tv a cabo pode realizar. (AMC, HBO)

Essa é a lista do Project Monkeys, e pra você? Qual foram as séries mais marcantes do ano?

dezembro 27, 2010

Sem medo de assistir '5 Vezes Favela - Agora por nós mesmos'

Produção se encarrega de mostrar o que não aparece na grande mídia


A palavra favela no Brasil tem um peso trágico, e não é por menos. Sinônimo de bandidagem, violência e pobreza, o lugar nunca foi levado à sério nem por autoridades e muito menos por parte da sociedade. Com a mídia noticiando sempre a pior face do lugar - aquela em que traficantes mandam, desmandam e matam -, quem mora ali sabe que não é exatamente isso o tempo todo. Não que não exista tensão ou medo dos moradores das comunidades da região, mas até eles mesmo são induzidos à viver dessa maneira. Basta ligar a TV e ver na retomada do Complexo do Alemão, que quando se tem polícia o risco de uma verdadeira guerra dobra, no geral guerra entre traficantes é de proporções menores. Sem polícia, a guerra do tráfico assusta, mas no geral, não atrapalha a vida de seus moradores que acaba dando um jeito de conviver na guerra. O filme 5 Vezes Favela - Agora por nós mesmos, feito por jovens cineastas moradores de comunidades cariocas coordenado por Cacá Diegues, vem com esse intuito de desmistificar a favela e acender a luz de lugares da região pouco conhecidos.

O cinema brasileiro já explorou a temática várias vezes: Tropa de Elite justifica como os bandidos conseguem tanto poder, ao ponto de reinarem nessas comunidades, sempre com apoio dos políticos e da classe média (e até dessa mídia sanguinária); Cidade de Deus mostra a violência da região quando a guerra do tráfico recruta jovens; e Última Parada 174 relata uma vida destruída pela falta de uma estrutura familiar e o mesmo poder destrutivo do tráfico. Agora 5 Vezes Favela vem com uma iniciativa interessante de mostrar um lado humanizado não do bandido nem do policial, mas sim de pessoas comuns que vivem naquela imensidão. Dividido em cinco curtas, o filme mescla o drama, a comédia, os medos e a perca de inocência dos jovens que moram ali. Mostra também a face daqueles que não seguem o triste caminho de se envolver com tráfico. As boas opções aparecem, mesmo que o fim justifica os meios esbarrando na opção mais fácil de revender a droga como no curta Fonte de Renda. Os cinco episódios são:

Fonte de Renda: na trama um jovem realiza o sonho de passar no vestibular, mesmo que agora tenha de abrir mão do trabalho. Dentro da faculdade de Direito e ele tem de se submeter à revender drogas para os colegas de classe média e assim sobreviver no lugar, já que os livros e o transporte consomem um dinheiro que sua família não tem. O desfecho poderia ser trágico, mas serve como uma lição. Aqui não é a justiça ou as leis que o puniram, e sim a sua própria atitude que contradisse sua moral.

Arroz com Feijão: Wesley tem 12 anos e começa a se incomodar com o pai cansado de comer arroz e feijão. O garoto então tem a ideia de comprar um frango e assim dar de presente ao pai na hora da janta. Junto do amigo Orelha, vão à busca do dinheiro para realizar tal feito. É o mais engraçado e com roteiro bem interessante.

Concerto Para Violino: os jovens Márcia, Jota e Ademir seriam amigos desde os tempos de infância, se não fosse a separação obrigatória e os caminhos diferentes que cada um tomou. Ademir virou policial, Márcia entrou para o mundo da música e Jota virou traficante. Suas vidas aos 20 anos se cruzam e suas diferenças vão por em risco os sonhos da única que soube enfrentar a vida com certa dignidade, ou pelo menos tentou limpar à tempo o sangue das mãos. Dramático e com o toque de poesia, é triste e ao mesmo tempo expõe a polícia como parceira do crime para certos casos e como é difícil ser do bem e se livrar ileso da violenta realidade de seus amigos.

Deixa Voar: Flavio, é morador de uma favela carioca que por acidente deixa a pipa de seu amigo voar para o território tomado pela facção rival. O medo de entrar na região desconhecida acaba sendo deixado de lado quando compreende que não existe tanta diferença do local com a sua comunidade. O jovem aproveita e vai na casa de sua paquera da escola. Fica claro aqui o que comentei no início da análise, os próprios moradores são induzidos à sentir o medo de sua própria região, seja pelos traficantes ou pela mídia local.

Acende a Luz: na véspera de Natal falta luz no morro, deixando seus moradores em polvorosa. Os técnicos da companhia de energia são enviados, mas não conseguem resolver o problema. Outros chegam, entretanto, fazem o serviço com má vontade e vivem enrolando as pessoas. Eis que um funcionário acaba virando refém até que consiga resolver o problema - mas calma! tudo é tratado com muito bem humor e nem sequer aparece um vestígio de arma de fogo e sim as donas de casa prontas para dar umas na cara do pobre homem. Sozinho e em meio ao problema, o funcionário acaba cedendo e integrando a grande ceia da comunidade.

Os cinco curtas apresentam em seus protagonistas um sentimento em comum: medo. Seja o medo de perder a oportunidade única de seguir o sonho de se formar, o medo do pai traumatizado na infância por ter visto seu pai roubando uma galinha para dar o que comer à família e apanhando, o medo de ser policial e ter de seguir as regras impostas pelo tráfico e assim poder se livrar dos problemas mesmo estando do "lado do bem", o medo do outro lado da ponte onde vivem os inimigos, ou o medo de trabalhar naquela comunidade violenta com bandidos para todos os lados. E todos eles superam esse medo, ou pelo menos buscam uma alternativa para suprir esse sentimento. 5 Vezes Favela vem com a intenção de mudar - nem que seja um pouco - esse sentimento dentro do imaginário do brasileiro. Mas infelizmente ligar à TV e ver bandidos fugindo com armas tão pesadas quanto de verdadeiros guerrilheiros, levam a proposta por água à baixo e mais uma vez os moradores da favela ficam refém desse pesado nome, injusto e presos no estereótipo triste imposto pelos abutres que precisam deixar o sistema do jeito que está. Não que a favela seja um paraíso, mas também está longe de ser, apenas, totalmente o que se é pintado ao vivo na TV.

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dezembro 26, 2010

A sensibilidade do filme 'Os Famosos e os Duendes da Morte'

Primeiro longa de Esmir Filho é uma poesia sobre a falta de perspectiva




Filmes que falam sobre a internet e a geração de jovens conectados que buscam alguma liberdade ali dentro, ou simplesmente a usam para desabafar seus problemas, são cada vez mais frequentes. Nesse ano, A Rede Social (EUA, 2010) é sem dúvidas o maior exemplo que define os efeitos que tal tecnologia pode causar nos relacionamentos. Mas se David Fincher percebeu e retratou apenas o vazio presente na rede e que não adianta você ter meio milhão de amigos no ciberespaço que, além de inimigos, vai te sobrar a imensa solidão, em Os Famosos e os Duendes da Morte (Brasil, 2010), a internet surge como um forma de poética e de interação entre certas tribos.

O protagonista é um jovem (Henrique Larré) que mora no interior do Rio Grande do Sul, mas não se encaixa com o contexto do lugar. Vive navegando, fumando baseado e buscando algum caminho da qual possa seguir. Numa cidade com tradições trazidas de imigrantes, com muitos habitantes mais velhos e uma população que segue hierarquias quase que imutáveis, o diretor transcende esse mesmo lugar que pode parecer um ambiente de liberdade - já que está livre dos mals das grandes cidades - e o transforma em um sufocante vazio, com caminhos bem definidos da qual todos os morados devem passar ao ir e vir. O projeto de vida é praticamente envelhecer no local e assim casar-se na tradicional festa junina.

Porém, Mr. Tambourine Man (seu apelido no mundo virtual, inspirado na música do ídolo Bob Dylan) vive numa cidade assombrada por fantasmas. A ponte que corta um grande rio da região, é palco para alguns casos de suicídio. Ao mesmo tempo em que se questiona qual caminho seguir, como buscar a sensação de liberdade, ele visita o blog de um misterioso amigo onde encontra postagens de vídeos e fotografias que dão dicas de como ele pode encontrar o que busca. O problema, é que até a metade do filme, a ideia que se passa é que a tal solução seria o próprio suícidio. Mas não é, entretanto também não denominada um mal e pode assim criar algum tipo de confusão. Perto do final, enquanto os moradores ao redor buscam por razões de seguirem adiante, se ocupando de tarefas para não se entregarem à loucura - a mãe do rapaz, logo após a morte do marido, criou o habito de conversar com o cachorro -. o jovem tem a chance de sair do universo disponível na internet e se aventurar pelos anseios que o dominam. Falar mais do que isso é ultrapassar os limites e atrapalhar a análise de quem ainda não o viu.

O diretor Esmir Filho é um diretor e autor que tem tudo a se mostrar um grande cineasta. No premiado curta Alguma Coisa Assim, essa sensibilidade em transparecer emoções de jovens era perceptível. Em Os Famosos e os Duendes da Morte, ele faz um filme menos equilibrado, e que espera por demais a sensibilidade do espectador em compreender toda a poesia de uma tribo - que se encaixaria perfeitamente como os emotivos. E aí pode faltar um pouco de paciência daqueles que não terão muito à se identificar. Mesmo assim, é de grande mérito a utilização dos vídeos do Youtube ou as fotos postadas no Flickr como ferramenta de libertação ou de forma de expressão. Se focar na característica da faixa etária do protagonista, o filme é uma versão poética, sensível e mais artística de As Melhores Coisas do Mundo (Brasil, 2010), o que não demérito, afinal, esse trata-se de um interessante ponto de vista sobre o que é ser adolescente e seus dilemas atuais. Só que diferente desse, a internet para Esmir Filho não é a vilã. 


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