setembro 29, 2012

Crítica: 'Veep' pouco ousa na sátira política, mas garante risadas

Série não assume riscos e sutileza exagerada atrapalha a piada, mas sem comprometer


Ano eleitoral nos Estados Unidos e Veep tinha um terreno amplo para desconstruir toda rotina que é um acontecimento tão tumultuado. A série estrelada pela vencedora do Emmy deste ano Julia Louis-Dreyfus e que foi exibida por aqui pela HBO,  encontra na lenda de que o vice presidente não tem quase nada a fazer à não ser que o presidente morra ou seja afastado do mandato. Para eles servem questões de interesse menor e pacíficos como luta contra obesidade e coisas do tipo. Porém, para a vice da série, Selina Meyer, o seu trunfo era comandar o projeto que envolve a questão ambiental - algo de status nos dias de hoje.

Em torno deste assunto é que a série vai se desenrolando e colocando Selina em meio ao fogo cruzado de interesses dentro do governo e o ego dos políticos. Selina tem como "ajuda" uma equipe de assessores que tentam controlar a imprensa, manipular pessoas ou apenas fazerem o máximo para satisfazer a chefe. No entanto, é na equipe que está concentrado a maioria dos adventos engraçados do seriado. Controladores de crise que nada. Eles tampam um buraco enquanto outro fica destampado e provoca consequências ainda mais complicadas. É como se o jeitinho brasileiro ganhasse uma versão presidencial por lá.

O mérito do seriado, mesmo sem ousar no humor escrachado, está na figura de Selina que rouba as cenas quando está perdidamente decidida a impressionar o presidente - este que nunca liga para o seu gabinete (uma piada que jamais perderá força de tão boa). Seu jeito politicamente incorreto também garante algumas doses de risos. O seriado fica á mercê de outras séries no estilo - não tem as risadas ao fundo - como 30 Rock, mas a ideia, que é uma adaptação de um seriado inglês, vem bem à calhar já que é sobre os bastidores de uma grande nação e nada como rir de pessoas importantes e imponentes. Algo que sempre dá certo e por isso fica difícil separar o humor da política. Pena que uma imitação de Sarah Palin feita pela Tina Fey é bem mais engraçada.