novembro 19, 2012

Crítica: 'The Killing' revela seu assassino e emociona

Série finalizou ciclo com temporada excepcional 


Depois de 26 episódios e diversas reviravoltas, chegou ao fim há alguns dias pela A&E (que fez uma péssima retransmissão, exibindo de forma dublada e sem opção de áudio original e legendas) a série The Killing. Original do canal norte-americano AMC e remake da dinamarquesa Forbrydelsen, o seriado policial instigou e apresentou uma história com roteiro primoroso e uma trama tão complexa que no fim, a resolução não só surpreendeu, como deixou sua marca na história da TV.

Afinal das contas, quem matou a jovem Rosie Larsen?

A obsessão pelo poder e a obsessão cega por uma "vida melhor". E até chegar nessa sentença, muito se percorreu por uma sombria Seattle corrupta, cheia de segredos pessoais e uma eleição suja. Contar uma história como a mostrada em The Killing, é praticamente abrir a tampa da lixeira de grandes cidades, ou fazer uma varredura pelas águas dos arredores. É encontrar ossos enterrados, mas que na verdade foram plantados para culpar outros. É percorrer por escuros corredores apenas guiado sob a luz de lanternas. A verdade se torna tão nebulosa quanto a mentira. Nem os heróis são inocentes - guiados pela mesma motivação obsessiva que determinou a morte da jovem. No fim, ela foi a única inocente de toda a trama.

The Killing mostra de forma magnífica como o ser humano é uma peça que está a mercê de interesses inescrupulosos e ele mesmo acaba entrando no jogo e se perdendo. A morte de Rosie foi apenas uma infeliz coincidência de estar no lugar errado e na hora errada, pois, em seu cotidiano a sujeira corre à solta, e se dá mal quem vê algo que não devia. Quando caminhos se cruzam. O clima conspiratório que a série prega, na verdade para no mesmo lugar do início - o assassino não estava tão longe assim. Não é tão diferente da realidade que apresenta casos assombrosos dentro de famílias e seus segredos. Dentro de grande empresas e do sistema político.

O caminho percorrido pela investigadora Sarah Linden (Mireille Enos), conseguiu revelar assuntos ainda mais sombrios que a morte de Rosie. Conseguiu por à luz segredos que, pela busca do assassino, encontrou pessoas complexas ligadas à jovem. Todos culpados, mas ao mesmo tempo, apenas humanos. Quando Sarah se questiona quem é o culpado mesmo tendo prendido o assassino, é porque a investigação policial nunca é uma ciência exata, apesar de se apoiar nela para chegar ao resultado final. A complexidade da equação, deixa sempre em aberto qualquer satisfação da resolução. São humanos, com seus sentimentos, com seus equívocos, erros.

A partir daí, a vida continua e escolhas vão sendo feitas. Portas vão sendo fechadas para àqueles que perderam a confiança dos amigos que eram antes eram leais. Mudanças são feitas para se seguir em frente. Corpos vão surgindo. E a única luz é em um vídeo gravado por uma jovem sonhadora, mas refém de segredos familiares, vítima da cidade corrupta, suja. Um vídeo de despedida, emocionante. A única redenção, já que ela não se corrompeu junto com a cidade. Com a realidade. A melancolia se dispersa por um momento em sua família, e o sinal de esperança surge com o nascer do sol gravado por ela. Mas, lá fora, o tempo continua nublado... a cidade continua cinzenta.

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