novembro 07, 2012

Crítica: 'Sessão de Terapia' é viciante

Série do GNT mal sai da sala do terapeuta, mas prende atenção


Enquanto no cinema, o ostracismo toma conta de Hollywood e afins, na televisão o momento é outro. A moda é fazer remakes. É praticamente o passado recente da indústria cinematográfica e que agora ganha contornos pelo mundo afora. A moda chegou ao Brasil, primeiro com o gênero reality show e agora aos poucos com seriados. É basicamente o que idealizou Chacrinha, "na TV nada se cria, tudo se copia" - e se é bom, por que não? O canal via por assinatura GNT, da Globosat trouxe para o Brasil, o seriado Sessão de Terapia, uma versão do israelense BeTipul  que se tornou sucesso internacional depois que a HBO produziu uma versão americana, com o título de In Treatment.

Com versões para Argentina, Canadá (em francês), Polônia, Hungria, República Checa, Holanda, Eslováquia, Sérvia, Eslovênia, Moldávia e Romênia, no Brasil o seriado estreou em Outubro e segue finalizando seus 45 episódios encomendados. Exibido de segunda à sexta feira, a série é centrada no terapeuta Theo (Zécarlos Machado) e seus pacientes: Júlia Rebelo (Maria Fernanda Cândido), anestesista de 35 anos que tem medo de manter relacionamentos e logo assume um interesse amoroso por ele; Breno Dantas (Sérgio Guizé), atirador de elite de 34 anos que acidentalmente matou uma criança durante uma operação e logo se mostra arrogante; Nina Vidal (Bianca Muller), uma ginasta de 15 anos que tem problemas para se socializar e se acidentou, mas deixando em dúvidas uma tentativa de suicídio; e o casal Ana (Mariana Lima) e João (André Frateschi), ela uma executiva de 38 anos, ele um ator de 35 anos, que discordam sobre a gravidez da mulher (ela quer abortar e ele quer o filho).

Se o cenário quase não muda - é praticamente centrado em closes de Theo e a conversa com seus pacientes -, é dessas conversa que o ritmo da série é ditado. Como o trabalho desse profissional é tirar do paciente o que ele não está percebendo em seu subconsciente, aos poucos as temíveis verdades vão sendo reveladas e tomando rumos cada vez mais obscuros. É viciante. Mesmo cada caso não tendo relação específica com o outro, Theo se torna o protagonista absoluto, quando nas sextas, ele vira o paciente e vai ao consultória da velha amiga Dora Aguiar (Selma Egrei). Lá, desabafa sobre sua vida e a relação conflituosa com os pacientes. O famoso "dois lados da moeda".

Diálogos intensos, personagens complexos e interessantes, a boa direção de Selton Mello que dá um tom intimista e melancólico que só acrescentam à trama, fazem de Sessão de Terapia uma boa pedida àqueles que procuram uma ótima série. E se o medo de ser tediosa por não mudar de cenário assuste você, aí vai um resumo do que já aconteceu por lá: uma tentativa de suicídio, um aborto espontâneo, briga física, Selton Mello fez uma participação, e a revelação da esposa de Theo (Maria Luisa Mendonça) que trai o marido.

Pois é, se no cinema, nem os remakes empolgam, na TV eles se saem melhores, basta ver o sucesso de Homeland, oriunda de uma série também de Israel, e The Killing, original da Dinamarca, das quais, a originalidade segue em alta.

Para entender como a série é exibida (clique para ampliar):