janeiro 27, 2011

'Megamente' se salva no quesito diversão

Animação da Dreamworks empolga com história de anti herói


Mais um capítulo da "guerra" entre os estúdios de animação conseguiu se sair bem com o público. Com a crise de criatividade que também atinge o mercado do gênero e força os criadores seguirem com intermináveis continuações, a lógica do fazer "mais ou menos parecido com o filme do concorrente" pode criar histórias boas e com a fórmula de sucesso já testada. Isso foi provado em Procurando Nemo da Disney/Pixar e logo em seguida veio O Espanta Tubarões da Dreamworks; Madagascar pela Dreamworks e no ano seguinte surgiu o fracasso Selvagem pela Disney Animation; Shrek com a inovação de desconstruir os contos de fadas, argumento utilizado sutilmente em Enrolados, isso para citar os mais visíveis. Demorou, mas a resposta da Dreamworks para Os Incríveis do estúdio do Mickey, chegou apostando em mais uma desconstrução: Megamente.

Porém, mesmo que partindo da mesma premissa de heróis, e com coincidências no roteiro - como o vilão inesperado - Megamente acaba mais próximo do filme surpresa Meu Malvado Favorito (de um novo estúdio parceiro da Universal), do que, essencialmente da produção sobre uma família de heróis. E por essa a Dreamworks talvez não esperava, pois Meu Malvado Favorito se saiu melhor com a crítica e com o público, tornando-se um fenômeno no verão norte americano. E sim, o filme do vilão Gru é mais divertido e engraçado que o do vilão azul cabeçudo. Entretanto, Megamente tem seus méritos. Um desses é a parte técnica, que finalmente fez os filmes da casa sobressaírem desde o ótimo investimento em Como treinar o Seu Dragão.

Seja nas cenas de ação e na trilha sonora, tudo é grande e barulhento - no bom sentido, as músicas vão desde clássicos de AC/DC e Guns n' Roses até Michael Jackson. Focado muitas vezes em plano aberto, o filme não dispensa explosões e destruição na cidade de Metrocity, onde se passa a história. A lógica de fazer divertir se encaixa perfeitamente, apesar de ter um roteiro emotivo com algumas cenas de diálogos que servem mesmo como um descanso necessário e que faz a história seguir adiante. Fazendo várias menções à diversos heróis e seguindo com referência máxima as histórias de Super Homem, na trama, o anti-herói Megamente chega ao planeta Terra junto com o futuro rival Metro Man (enviados pelos pais quando um buraco negro suga seus planetas de origem). Com a rejeição da cidade que adotou o poderoso herói e asilou o pobre e sem poderes Megamente, ele começa atacar como vilão criando pânico nas ruas. Então, involuntariamente, consegue destruir o herói e tomar conta da cidade, só que não esperava ficar entediado tão rápido. Eis que tem a ideia de criar um novo herói e continuar o sentido de sua vida: capturar a mocinha em perigo e tramar contra o novo herói. O plano não sai tão certo e Megamente termina criando um novo e poderoso vilão.

A história segue interessante por toda a exibição, ainda que sem o charme francês e a graça de Meu Malvado Favorito e a eficiência em emocionar como em Os Incríveis, porém, Megamente veio com uma missão melhor que apenas duelar, e sim mostrar como as animações conseguem entreter, trazer as gloriosas mensagens ao público infanto-juvenil e não entediar os adultos. E ainda dando opção ao mercado de um gênero que tem conquistado cada vez mais espaço, chegando, mais uma vez, à indicação na categoria principal do Oscar. É mais uma prova que, felizmente, essa "guerra" acaba saindo tão divertida tanto para o público quanto para os criadores que buscam cada vez mais qualidade. 

Trailer:



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