janeiro 13, 2013

Crítica: 'Cloud Atlas - A Viagem' filosofa sobre a vida em diferentes gerações

Filme expõe questões ao ser humano que não possui respostas, apenas a fé e o amor


Muito se diz sobre o filme pelo marketing usado pelas distribuidoras. Em Cloud Atlas - A Viagem (Cloud Atlas, 2012), por exemplo, apesar de ser vendido internacionalmente como uma ficção científica filosófica, no Brasil os ares de filme espírita ganharam mais força. O trailer tem uma narração que muito lembram filmes espíritas que fizeram sucesso por aqui como Nosso Lar e Chico Xavier, além do nome que ganhou, A Viagem, fazendo alusão direta à novela com a mesma temática que a Rede Globo cansou de reexibir nos últimos anos. E faz sentido, numa complexa trama sobre diferentes épocas e gerações, como o mesmo poster adianta: tudo está conectado. E mais do que isso, a vida dos personagens estão ligados de forma à traçar paralelo entre os diferentes períodos, porém, com os mesmos personagens, numa espécie de reencarnação. Mas, para aqueles que não gostam da temática religiosa, a boa notícia é que o filme vai além disso.

São várias histórias contadas no longa, entrelaçadas de maneira que remetem as ações e reações que se desdobram mais à frente. No meio disso tudo, a humanidade dos protagonistas é testada em cada problema da época, seja a escravidão, a revolução de ideias (e quem deseja roubá-las), usinas nucleares e homens perigosos e ambiciosos, a falta de liberdade numa época banal como a nossa, um futuro regido à força pelo estado que faz absurdos com empregadas em Seul, e um futuro além que contempla a vida espiritual, mas vive em meio à bárbaros canibais, após do acontecimento chamado "A Queda" com o fim da dinastia opressora. Tudo isso com grandes atuações de Tom Hanks, Halle Berry, Hugh Grant, Susan Sarandon, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Ben Whishaw, Keith David, David Gyasi, Zhou Xun e Doona Bae.

O longa utiliza os personagens centrais para mostrar como em diferentes momentos, eles estão diante de desafios morais e éticos e que de acordo com suas ações, podem definir o que vai acontecer no futuro. De uma forma otimista, junta os heróis e vilões, que mudam de maquiagem e até de sexo, de acordo com o grau de sua participação nesses desafios. Contudo, algumas histórias mostram como a civilização humana dá voltas e voltas nas mesmas questões, como a liberdade que vira um dos temas centrais em todas as histórias, seja na liberdade de sua consciência (o caso do músico à beira de cometer suicídio), seja pelo escravo à bordo de um navio, pelos velhinhos presos na casa de repouso que age com maus tratos, a jovem empregada que, literalmente, tem uma coleira no pescoço e o povo sobrevivente que foge dos canibais.

A produção, que é assinada pelos diretores de Matrix, Andy e Lana Wachowski, além de um terceiro, Tom Tykwer, usa como base das conexões do roteiro, não apenas o lado espiritual, mas se apóia também à filosofia do que rege a vida. Os demônios que perseguem os seres humanos, suas crenças, suas obsessões, seus erros, sua bondade, entre outros, mas principalmente o poder do livre arbítrio, que é fundamental para manter a máquina da vida em constante movimento. O sentido da vida também é colocado em questão. Contado de forma como um quebra-cabeças, percebe-se como em todas as épocas, várias questões iguais vão surgindo, mas as ações dos personagens vão se repetindo ou não - dependendo da índole dos envolvidos.

Porém, apesar de seis mãos dirigindo o longa, e um roteiro interessante e bem intricado, A Viagem não está longe de problemas. Alguns clichês ficam pesados num filme de quase 3 horas de duração, como o excesso de sentimentalismo ao voltar repetidamente na questão "o amor é o mais importante" ou as explicações à todo momento de períodos óbvios. Cenas que pouco acrescentam em determinadas histórias, também desgastam a paciência, mas nem de longe comprometem o longa que tem sua necessidade de ser comprido. Não é tão confuso como dizem, apenas sendo contado de uma maneira não linear, dando a chance ao espectador captar pistas que interligam as histórias. A forma que é mostrado, também ajuda a equilibrar a ação e o drama, mesclando os ótimos efeitos especiais, com a maquiagem eficiente, uma direção de arte sofisticada para todos os momentos e a poderosa trilha sonora. Um bom filme, que requer paciência, mas não entediará aquele espectador afim de sentir uma boa e inteligente história.

Trailer:



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