junho 14, 2013

Crítica: Com temporada instável, 'Da Vinci's Demons' termina eletrizante

Gancho final melhora a série que soa forçada em vários momentos


Quando comentei o sobre o surpreendente começo da série Da Vinci's Demons, critiquei que grandes personagens como ele, sempre são deixados de lado em produções televisivas, diferente de personagens como a inescrupulosa e controversa família Bórgia que sempre tem seu lugar cativo. Quando o seriado parecia mostrar Leonardo da Vinci pelo menos de forma coerente, já que a trama tem todo o cuidado com a contextualização, mesmo que tenha mostrado que não ia seguir à risca a realidade, o que foi visto foi apenas uma caricatura do grande gênio.

O seriado que finalizou sua temporada nesta semana, sendo exibida pela FOX Brasil com apenas dois dias de diferença da estreia nos EUA, se mostrou uma grande sopa que mistura fantasia, sexo, violência, intrigas e mistério. Tendo como base o sucesso de Game of Thrones, a impressão que se tem, é que o seriado na verdade se perdeu em não ter um foco definido. Ao mesmo tempo em que se via os dilemas de Da Vinci (Tom Riley), e ele sempre com jeito infantil e moleque saia das confusões, por outro, a produção não economizava em nus frontais de idosos e afins. Dessa forma, é como se ao mostrar a juventude de Da Vinci, o que simbolizava numa forma mais aventuresca de apresentar o protagonista, o seriado também tivesse uma vontade de se transformar numa série adulta sem limites - com direito à cenas de puro mau gosto, como de zoofilia.

Apesar dos exageros e tramas que soavam forçadas, o seriado nos seus dois episódios finais conseguiu encontrar o foco que era aguardado. Remetendo ao início, dois grandes arcos mostraram ao que vieram para assim serem finalizados. O mistério de quem seria o grande delator de Florença para Roma, foi descoberto, mesmo que já tinha sido mostrado para os espectadores, porém essa revelação para os personagens seria bombástica, pois se trata de Lucrézia Donati (Laura Haddock), amante de Lorenzo Médici (Elliot Cowan), que controla o estado. O crescimento heroico de Giuliano de Médici (Tom Bateman) e seu final, também garantiram boas emoções. O outro arco foi de Leonardo, que após um flashback conheceu-se os Filhos de Mitra e que apenas um deles o veria ascender e guiaria o jovem para busca o Livro das Folhas na, ainda não descoberta, América do Sul. Assim, matou-se também o mistério envolto do feiticeiro Turco (Alexander Siddig).

Com um grande gancho para a próxima temporada - a série já foi renovada pelo Starz - é esperar pra ver se agora os roteiristas, tenham um foco menos agitado e mostre Leonardo com dilemas mais maduros sem cair nessa essência de jovem aventureiro ou assumir esse lado familiar, e melhorar nas cenas mais explícitas que destoam do que é o seriado, pois até agora não descobri sobre o que de fato ele é: um Bórgia vestido de Médici ou sobre o gênio e seus demônios psicanalíticos. Apesar, disso, o final me intrigou.

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