junho 15, 2013

Crítica: 'Depois da Terra' se aprofunda na mensagem, mas não convence

Longa morre na praia, mesmo com boa premissa


Medo. A palavra que provém do termo latim metus, tem por definição ser uma "perturbação angustiosa perante um risco ou uma ameaça real ou imaginária". Poderia muito bem ser tema de um filme de terror ou, basicamente, um suspense. Porém, nas mãos do diretor M. Night Shyamalan, ele se transformou em um filme de ficção científica com doses de drama familiar e um pouco de suspense. Com ideia original de Will Smith, o longa Depois da Terra (EUA, 2013) além de mostrar um futuro primitivo no planeta, faz uma reflexão religiosa sobre o sentimento de medo - com preceitos da controversa cientologia - e parte em rumo de um drama sobre crescimento, paternidade e traumas.

O filme conta uma história mil anos depois da Terra passar por mudanças radicais, se tornar um lugar hostil e forçar os humanos a se abrigarem no planeta Nova Prime. Após retornar de uma missão, o geral Cypher Raige (Will Smith) retorna à família e encontra seu jovem filho (Jaden Smith) se esforçando para ser um soldado como o pai, mas sem sucesso por o considerarem instável emocionalmente quando pressionado. Quando em uma viagem pelo espaço dá errado, fazendo a nave - em que os dois estão - cair no lendário Planeta Terra, se dá início à uma corrida contra o tempo do jovem encontrar um sinalizador perdido em outra parte da despedaçada nave, onde apenas ele e o pai (gravemente ferido) sobreviveram.

Essa jornada é contada intercalando flashbacks que mostram que o jovem passou, quando criança, por o trauma de perder a irmã de forma violenta, depois dela salvá-lo. M. Night Shyamalan conduz abusando de diversas características que o deram fama, mas também desprezo. Tem a intenção de fragmentar um filme de gênero e colocar uma alma para assim dar sentido na mensagem final, já foi explorada com sucesso no ótimo Sinais (2001);  fábula de "monstros à solta" é bem o que ele tratou em A Dama na Água (2006), A Vila (2004), Fim dos Tempos (2008) ou no fantasmagórico O Sexto Sentido (1999). A reflexão filosófica sobre responsabilidades e superação foi visto no infantil O Último Mestre do Ar (2010) e em boa parte dos citados, assim como todos eles dão ênfase em dramas familiares. Ou seja, o diretor tem como característica, incrementar nas narrativas, o que ele considera uma alma, uma sensibilidade adequada para complementar a ideia.

Na aparente falta de perspectivas depois de ser duramente criticado por essas obras, que não são excelentes, mas nem de longe são tão ruins como alguns extremistas dizem, o diretor encontrou numa ideia de Will Smith (e vice-versa) uma forma de explorar na ficção científica os conflitos pessoais e filosóficos de personagens que buscam uma redenção. Seja o filho que deseja se conectar com o ausente pai e superar o obstáculo oriundo de um trauma do passado e nesse pai que pela primeira vez ensina seu filho a viver os tormentos da vida pós apocalíptica (representada pela entrada na adolescência). Para passar essa mensagem e debater sobre esses dilemas e problemas, o roteiro é razoável, porém na contextualização, tanto visualmente, quanto na maneira que ele evolui a história, Depois da Terra é um filme ruim do diretor.

A ótima intenção da mensagem sobre o "medo" se vê perdida em situações constrangedoras de momentos entre "pai e filho", pulos que se transformam facilmente em vôos, aves gigantes amigas, as atuações ruins dos atores - Will Smith, símbolo de carisma, mas aqui está cinzento, sem graça - e seu filho tem um papel muito pesado nas costas, mas que com muito esforço até segura o filme do início ao fim, sem ser um desastre. Outro ponto negativo, é a direção de Shyamalan. Lá estão novamente enquadramentos feios, pobres e que no lugar de acrescentarem na história, apenas confundem os olhares. Criticam sobre a mensagem ter conexão com a religião de Smith, ou que o ator é tão egocêntrico e arrogante que deu um filme de presente para o filho. Bobagem. Em outra leitura, pode sim dizer que o ator queira inserir o filho na indústria cinematográfica, mas depois de uma repercussão negativa - o diretor já está acostumado - Jaden pode levar como maior lição que a hostilidade dentro de Hollywood e todos os veículos midiáticos que o cercam, são apenas contraste da fome pela carniça alheia, e é muito bom que a cientologia ensine sobre coragem e desmistifique o medo, assim, quem sabe, ele pode um dia ser como o pai, que tanto já fez pela indústria, agora paga o preço.

Um comentário:

  1. engrçado, vc critica o will smith dizendo q a atuação dele está ruim.... li a do omelete e eles só elogiam o ator kkkkkkkk

    ResponderExcluir

Atenção: Este blog contém conteúdo opinativo, por isso, não serão aceitos comentários depreciativos sobre a opinião do autor. Saiba debater com respeito. Portanto, comentários ofensivos serão apagados. Para saber quando seu comentário for respondido basta "Inscrever-se por e-mail" clicando no link abaixo.