julho 06, 2013

Crítica: 'Bates Motel' estreia com o desafio de impactar como 'Psicose'

Seriado tem atuações fortes e roteiro que promete se aprofundar na relação mãe e filho



Poucas pessoas sabem, mas o grande clássico do suspense de todos os tempos Psicose (1960), dirigido pelo mestre Alfred Hitchcook, teve duas continuações, um telefilme e um remake. Apesar de primeira continuação ter sido elogiada, mesmo com um diretor diferente, o filme original é o único que vive no imaginário das pessoas e representa um marco na industria cinematográfica, influenciando a cultura popular até hoje. Com uma rica história ainda à ser contada, em um momento, da qual, a TV tem buscado no cinema fonte de novas histórias e personagens desafiadores, não tardou para ressuscitarem Norman Bates e mostrar o que ocorreu anos antes da matança desenfreada do filme. Bates Motel parte dessa premissa e chegou no Brasil na última quinta (04) pelo Universal Channel.

O seriado, que se passa nos dias de hoje - uma licença poética para angariar um novo público - começa com a morte do pai de Norman Bates (Freddie Highmore, surpreendendo depois de tantos papéis infantis), o que choca o filho, lhe restando apenas sua mãe Norma Bates (Vera Farmiga, ótima no papel) como família. Seis meses depois do fatídico dia, ela surpreende o filho ao ter comprado um antigo hotel em uma outra cidade e decide recomeçar a vida por lá. De primeiro momento o seriado foca nessa nova vida de Norman, com 17 anos, e sua mãe. Conhecemos melhor aquele jovem que aos poucos vai sofrendo uma pressão da mãe e mostrando uma personalidade sombria. Conhecido por influenciar vilões antológicos como Leatherface de O Massacre da Serra Elétrica (1974), o grande êxito da trama é essa característica familiar que colaborou em acrescentar algo a mais em outros vilões. O psicológico levado ao literal marcou Norman Bates como único, já que se transvestia como sua mãe.


Nesse primeiro episódio de Bates Motel, é possível perceber a forma como Norma age com o filho, manipulando-o e assim conseguindo o que quer. Apesar disso, é bem claro que a relação entre os dois é muito forte num sentido também amoroso, de pura cumplicidade - que logo se revela acima de qualquer coisa, inclusive à questões éticas. Mas ainda assim, o seriado tem lá seus problemas. Essa primeira situação que põe mãe e filho em um grande teste, cai por terra pela falta de lógica. A grande ameaça, o que seria o herdeiro do hotel e que começa a ameaçar Norma, invade o ambiente e violenta a mulher. Porém, antes disso, ele já tinha ido ao local e sabia da existência de Norman. Pois bem, mesmo a mãe gritando pela ajuda do filho, nem mesmo assim o invasor deixou de fazer o que queria - ele não teria se preocupado com a possibilidade de o jovem estar em casa, pegar um telefone e ligar para a polícia? Ou ter feito o que acabou fazendo?

É preocupante que logo de cara, um seriado tão promissor já insira uma situação fraca, que acaba parecendo superficial e forçada apenas para criar alguma tensão, mostrar sangue. Psicose é um clássico, mas não apenas pelos enquadramentos inéditos, a tensão primorosa da trilha sonora, as atuações espetaculares e o grande vilão, mas também apresentou um roteiro sólido, eficiente e que mudou os paradigmas do gênero. Sua importância se justifica por essa união de qualidades. Bates Motel surge num momento duvidoso da TV que depois da onda de vampiros e zumbis, agora busca nos assassinos em série, uma nova moda para assim se sustentar. O problema é que ela corre o risco de não se sobressair, apesar de se apoiar em uma joia rara da cultura pop. É aguardar para saber quais caminhos a série vai tomar, afinal, sangue sem justificativa é o que sobra no matadouro que a TV tem se tornado.

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