julho 03, 2013

Crítica: Segunda temporada de 'VEEP' se arrisca mais e garante boas piadas

Comédia ousou mais e acelerou o ritmo 


Na primeira temporada a série VEEP, que gira em torno dos bastidores políticos de Selina Meyer (Julia Louis-Dreyfus), vice presidente dos Estados Unidos, focou no posicionamento dela diante o gabinete sem grande importância, da qual, se encaixa na hierarquia. Perdida em conseguir aliados para questões importantes, se viu tendo de apoiar categorias menos nobres como a questão da obesidade. Com poucas situações engraçadas, o seriado não assumiu grandes riscos, provavelmente com medo de acabar se transformando em algo de mau gosto. No entanto, a segunda temporada (que terminou na última segunda, 30, pela HBO Brasil), talvez impulsionada pelo Emmy que recebeu como melhor atriz, foi mais longe e ousou na desconstrução da protagonista. O resultado foi bem mais engraçado.

A trama partiu para uma analogia mais fiel à realidade, como o frequente conflito em países como Irã, envolvendo assuntos que ferem a diplomacia quando se descobrem espiões da CIA por lá. Foi ainda mais longe ao inserir o namorado da filha, da qual, Selina tem problemas de relacionamento, e sua nacionalidade é iraniano (piada pronta na situação). É curioso que o seriado não diz qual é o partido da Selina, mas isso não faz diferença. Todos estão tão iguais que as situações combinam com ambos os perfis. A vida pessoal dela ganhou mais destaque mostrando sua conturbada relação com o marido Andrew Meyer (David Pasquesi), que vivem entre tapas e beijos. Um dos melhores episódios se concentrou numa entrevista de todos reunidos precisando mostrar a boa sintonia da família, cozinhando e posando como uma propaganda de manteiga. O resultado foi hilário e no final ela precisa consertar tudo. 

Sua equipe de assessores que foi a parte mais engraçada na primeira temporada, agora se viu na sombra da protagonista, que só agora justificou sua performance premiada. Julia Louis-Dreyfus teve mais oportunidades de improvisar, seja em discutir com pessoas dentro da Casa Branca, chapada de remédios - como no penúltimo episódio em que se fere atravessando uma porta de vidro -, cantando e até mesmo nesses conchaves com a família. As redes sociais estavam ali perto para o desespero geral dos assessores. A situação deve tomar contornos ainda mais loucos, visto que ela pode entrar em nova campanha presidencial antes do que imaginava, já que com problemas na administração, o presidente não irá tentar a reeleição. 

Possa ter sido proposital esse caminho mais dinâmico dos roteiristas para a série. Sabe-se que a administração de um país (multiplicando-se por dois como é o caso dos EUA) sempre ganhe turbulências mais sérias ao decorrer do mandato. Pior ainda se for no segundo mandato. Em tempos de Obama se envolvendo em conflitos na Síria, patetice do FBI em conter terrorismo em território nacional e o escândalo da espionagem contra o próprio povo americano, VEEP acaba ganhando ainda mais brilho e mostrando que as trapalhadas dos governantes, independente do partido, são de fato fontes ricas para muita graça, e não ao contrário - basta ver como o povo apoiou o Obama mesmo em algumas dessas situações polêmicas. É aguardar para ver o que o próximo ano vai mostrar e, devido aos ânimos da próxima eleição, promete. Será que VEEP vai mudar de nome se Selina for eleita presidente? 

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