fevereiro 21, 2010

O sombrio retrato de uma época que antecede o nazismo em 'A Fita Branca'

Castigo e ódio são principais temas de produção alemã que faz analogia ao período nazista


Favorito ao Oscar de melhor filme estrangeiro desse ano, o drama alemão A Fita Branca não é para qualquer um. Apesar de ter em seu roteiro um suspense, um mistério a ser desvendado, a produção se difere dos filmes mais comuns que jogam pistas, levantam suspeitos até revelar um culpado. A verdade é que o filme mostra pouco das situações que envolvem esse mistério e funciona mais como um retrato de uma época, uma vila vivendo o período pré nazismo. O narrador logo no início do filme faz essa analogia ao Holocausto, dizendo que os acontecimentos dali vão desencadear que aconteceria com o país inteiro, tempos depois.

O filme é dirigido por Michael Haneke que fez o torturante Violência Gratuita e apresenta em seu currículo muita polêmica, mas também elogios. Nessa nova produção quase unânime entre os críticos, a história se passa no pequeno vilarejo chamado Eichwald, no inteiro Alemanha, pouco antes da Primeira Guerra Mundial. Começa com o médico local cai do cavalo depois que tropeça em um arame colocado ali de forma criminosa. O mistério começa e logo em seguida outros bizarros casos aparecem. Enquanto isso, mostrando não muito os crimes, o que vemos é o que existe por trás daquilo tudo. Conhecemos uma família rica e nobre que praticamente explora os camponeses da região. A família não é muito bem vista aos olhos dos trabalhadores, e por isso sempre despertou a ira deles. Todos os filhos ali são tratados à base do vigiar e punir. Essa punição como forma de educação é um modo figurativo de explicar a analogia do que vem por vir com o facismo. Apesar do rancor, do ódio de vários ali, é difícil saber quem poderia ser o culpado por tudo o que está acontecendo, até porque, ninguém demonstra isso de forma clara. 

Basicamente tudo em A Fita Branca está bem escondido, no claro está, apenas, a hipocrisia das pessoas. Nenhuma cena de violência ocorre aos olhos do público. Ela é 'mostrada' atrás de portas fechadas - a punição das crianças pelos pecados mundanos cometidos - ou na surdina da noite - o abuso sexual em jovens ou os próprios crimes bizarros. Daí que chegamos a mais uma alusão do Terceiro Reich : não foi assim que o nazismo aconteceu de fato em seu início? Com a mesma intenção de se manter uma ordem?  

O filme que é em preto branco apresenta um fotografia belíssima, agonizante em diversos momentos, principalmente nas cenas de crianças em meio a escuridão da mansão em que vivem durante a noite. Infelizmente a atmosfera criada pela ausência de trilha sonora, pela fotografia e assombrada pelo holocausto que vai seguir os acontecimentos, a produção traz um final entre aberto, com culpados aparecendo, mas deixando a dúvida no ar. Ou seja, o filme não é exatamente sobre eles e sim na razão que esses encontram pra fazer tudo aquilo. No ódio enraizado naquela Alemanha cinzenta e inexpressiva, mas ao ponto de explodir. Foi disso que Hitler se aproveitou e fez o que fez.  

A Fita Branca
Das Weiße Band
Alemanha / França / Áustria / Itália, 2009 - 145 min
Drama 
Direção: Michael Haneke 
Roteiro: Michael Haneke 
Elenco: Christian Friedel, Leonie Benesch, Ulrich Tukur, Ursina Lardi, Burghart Klaussner
Trailer:


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