junho 06, 2012

'Desperate Housewives' finaliza seu ciclo e deixará saudades

Seriado entra para a história da TV mundial depois de oito anos divertindo e emocionando


Foi ao ar no último domingo (3) pelo Canal Sony o episódio final de Desperate Housewives, seriado que finalizou seu oitavo ano de exibição com mais acertos que erros, diversos prêmios e de grande audiência pelo mundo. No total, foram 180 episódios sempre começando com a voz doce da falecida Mary Alice (Brenda Strong) narrando a vida das quatro amigas após seu suicídio. São elas: Bree Van De Kamp (Marcia Cross), Susan Delfino (Teri Hatcher), Lynette Scavo (Felicity Huffman) e Gabrielle Solis (Eva Longoria). Mistério, drama, humor e amizade marcaram a trajetória das donas de casa que mostraram uma faceta emocionante de um subúrbio não tão absurdo assim e sempre com muita história pra contar.

Nessas oito temporadas, sempre um arco foi traçado entre os - geralmente - 20 episódios que consistiam o ciclo, sendo que algumas histórias foram mais interessantes que outras. Depois de uma primeira temporada instigante, a qualidade da série caiu consideravelmente no seu segundo ano. Aos poucos foi melhorando na terceira, até que a quarta mostrou que os roteiristas conseguiram buscar a dose certa do primeiro ano e a partir daí o seriado conseguiu manter-se estável nos anos seguintes. A última temporada não poderia ter tratado de um tema melhor: um pacto entre as amigas para se protegerem.
Apesar de ser contada de uma forma não tão convincente e, relativamente, a mudança nas personagens a cada situação não fora suficientemente nítida - afinal foram muitas tragédias e violência nas redondezas -, o seriado tinha como trunfo ser bem realizado e com atuações ótimas (chegando a render o Emmy para Teri Hatcher e Felicity Huffman nos primeiros anos). Diálogos com humor sagaz e inteligente a fizeram conquistar o Emmy de melhor série de comédia em 2005 e dois Globos de Ouro, também nesta categoria, em 2004 e 2005). Também lembrada de forma brilhante foi a atuação de Kathryn Joosten (Sra. McCluskey) que levou dois Emmys, um em 2005 e outro em 2008. Curiosamente, ela morreu há poucos dias, de câncer, e teve um final semelhante no final da série - depois de ser a chave principal para a solução do arco da temporada. Um final digno para uma das personagens com as melhores falas, mesmo que reduzidas a participações especiais.

Desperate Housewives termina com a impressão de dever cumprido. O seriado jogou ácido na crítica dos subúrbios americanos, onde o ócio e a chatice, na verdade esconde segredos tão comuns do que de outros lugares. O conservadorismo hipócrita de Bree que nunca foi feliz em seus casamentos, não aceitou a hossexualidade do filho no começo, teve problemas com a bebida e passou por uma fase promíscua; o paradoxo de Lynette que tinha que criar uma batalhão de filhos, deixando de lado seus sonhos no trabalho e  indo contra o discurso feminista da mulher moderna; a infidelidade de Gabrielle e sua futilidade, mostrando-se uma mulher sexualizada, preconceituosa em determinados momentos, mas com sede em aprender; e por fim da romântica e desleixada Susan, sempre buscando o amor, mas sem esconder seu lado atrapalhado e emocional.  Só que as aparências contam como vantagem desses moradores. No entanto, apesar do caráter duvidoso de seus personagens, muitos deles eram pessoas boas que foram sugados para esse ambiente.

A lição de amizade e companheirismo é levada como principal virtude dessas donas de casa desesperadas, mas que no final, a vida as mostra que como um seriado, ou novela, cada uma foi para um lado, fechando um ciclo e seguindo seus caminhos. Um final realista, como a série nunca se esforçou muito para ser, mesmo tocando em temas mais atuais que nunca, porém, fadados a falas e situações forçadas - porém, não muito diferente da vida no verdadeiro subúrbio.