março 26, 2013

Crítica: 'The Big C' se recupera com final de temporada brilhante

Terceira temporada traz a catarse de Cathy que embarca para a vida


Lá se foi a penúltima temporada de The Bic C, a série que rendeu um Globo de Ouro de Melhor Atriz para Laura Linney no papel de Cathy, uma mulher suburbana que descobre ter câncer. Com um ano de diferença em relação a exibição nos EUA, a HBO Brasil mostrou o último episódio da terceira fase da dramédia na última segunda (25). E foi uma temporada ligeiramente melhor do que a anterior, que apesar de interessante para a jornada da protagonista, se perdeu em núcleos um tanto banais. Agora o seriado focou em mostrar que Cathy acabou se prendendo em coisas um tanto desnecessárias para seu momento sombrio. Seu comportamento estava sendo ainda mais autodestrutivo.

A temporada mostrou duas vertentes sobre a situação da protagonista. Primeiro, foi a revelação que seu marido Paul (Oliver Platt) teve. Depois do infarto mostrado no final da temporada anterior, ele se juntou à uma líder motivacional (participação de Susan Sarandon) e se encontrou relatando sua virada na vida como palestrante. Por toda temporada Cathy tentou entrar nessa onda, ir nas palestras, mas não conseguiu. Não aceitou o caminho um tanto hipócrita - afinal, Paul foi assediado pela líder. Além disso, ainda nessa vertente espiritual, Cathy viu seu filho Adam (Gabriel Basso) de converter ao catolicismo. Obviamente, ela não consegue se vincular à isso, por mais que tenha essa ligação. É como se Cathy não sentisse a vida pela fé.

Em contra-partida, na outra vertente, ela partiu para "viver". No primeiro episódio, em simbólica cena, vê-se Cathy presa dentro da piscina congelada. É como se sua luta contra o câncer fosse aquele desafiador nado até encontrar a saída. Com medo do susto, a mulher busca viver ao seu modo. Fuma, bebe, mente. Se desprende das amarras da sociedade, porém, se vê caminhando no escuro - se sacudindo numa piscina congelada. Resolve adotar um bebê. Toda sua esperança passou a girar em torno daquela necessidade. Abriu, simbolicamente, um buraco em um quarto que reformaria para a criança. E logo descobriu que fora enganada. Enquanto isso, sua relação tanto com o marido quanto com o filho definhavam.

Como um último sinal de esperança, Cathy vai pra Porto Rico com a família, seguindo uma palestra de Paul. O momento é mais do que oportuno para ela aproveitar e descansar. Até que, aquela cena do início, mostra que Cathy está traumatizada. Seus medos com a morte acabam sendo mais fortes que a necessidade de encontrar uma saída. É como se até então ela tivesse entendido a mensagem de forma equivocada. E ainda tem o agravante das pessoas não compreenderem seu comportamento. No cemitério, com más notícias, ela acende um cigarro. Quando Cathy se perde no paraíso, digo, em Porto Rico, em uma cena belíssima ilustra a fase dela: mergulhando nas profundezas do Oceano, da vida. Procurando algo interessante, ainda com seu pulso amarrado em belezas um tanto supérfluas (uma caderneta mostrando espécies de peixes). Some no escuro. É "pescada" por Angel (nome bem sugestivo para a situação). E nesse momento, Cathy passa praticamente por uma terapia, já que Angel não entende uma palavra sequer do que a mulher fala. Nesse momento ela reflete o estado triste da sua vida, ainda mais tendo notícias que seu câncer voltou a crescer.

É visível que finalmente Cathy entendeu o significado daquilo tudo. Se desprender das amarras da vida é sim algo válido, positivo. Mas Cathy, ainda fazia parte daquilo. Daquela sobrecarga de negatividade que ela mesma atraia. Vivia a vida como antes, com dilemas desnecessários, problemas que ela mesmo criava. Na cena final, da qual, ela se despede de Angel e se vê no inferno que é a realidade, Cathy tem uma epifania de finalmente aceitar seguir seu caminho predestinado: o paraíso. Não necessariamente a morte, mas sim a vida. A sublime vida, com momentos que realmente importam, não pela sua grandiosidade como ter um filho, mas sim os detalhes que fazem a vida valer a pena. Ter um momento de paz sem o filho mimado e o marido que ela sempre quis se separar, só esperava seu filho crescer. Os momentos únicos como embarcar sem destino. Se aventurar e abraçar a luz.  The Big C caminha direto nessa luz, e seu ato final garante muita emoção depois dessa catarse de Cathy. Imperdível.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Atenção: Este blog contém conteúdo opinativo, por isso, não serão aceitos comentários depreciativos sobre a opinião do autor. Saiba debater com respeito. Portanto, comentários ofensivos serão apagados. Para saber quando seu comentário for respondido basta "Inscrever-se por e-mail" clicando no link abaixo.