março 16, 2013

Crítica: 'Oz: Mágico e Poderoso' diverte sem se arriscar

Filme quase esquece clássico e se espelha em 'Alice' para fazer dever de casa 


Em 2010, Alice no País das Maravilhas, sob a direção de Tim Burton, foi o primeiro de um grande experimento dos estúdios Disney. A continuação com cara de remake em versão live action, foi uma das vertentes que a empresa buscava para o início de novas técnicas visuais e assim construir franquias. A aposta no grande e característico diretor que teria ainda seu habitual astro Johnny Depp na trama, já havia meio ensaiado esse revolução no remake de A Fantástica Fábrica de Chocolate em 2005 - porém, com o advento do 3D era necessário mais computação gráfica que o visto no resgate do filme de Willy Wonka. Com um bilhão de dólares arrecadados, e o fracasso do que seria uma outra vertente de uma aposta já fadada ao ostracismo, o caso de John Carter (2012) - que muito se assemelhou com o fiasco de O Príncipe da Pérsia de 2010 - enterrou a trama de fantasia sci fi e deu sobrevida ao universo mágico de clássicos. Eis que estreia, Oz: Mágico e Poderoso (Oz: The Great and Powerful, 2013).

O filme original de 1939 é conhecido por encantar plateias infantis do mundo inteiro, além de revolucionar técnicas visuais, abusando do uso da cor - tecnologia ainda recente naqueles tempos - e ainda se tornou um clássico absoluto por trazer uma moral sobre o crescimento da jovem Dorothy em tempos obscuros. Agora, a história parte do principio de como o mágico circense Oscar (James Franco) chegou em Oz e enganou todos seus cidadãos, inclusive as malvadas bruxas (Mila Kunis e Rachel Weisz), da qual, passaram a viverem com medo dele. Lá também mora a bruxa boa do sul, Glinda, vivida por Michelle Williams. Curioso que nessa nova aventura, segue o mesmo estilo do clássico. Primeiro é apresentado um prólogo, mostrando o trabalho de Oscar como ilusionista, e que depois de uma tempestade vai parar em Oz. A chegada ao mundo mágico é praticamente da mesma forma que Dorothy - basta trocar a casa por um balão. Oscar também encontra em Glinda, o reflexo do seu amor no mundo real, assim como Dorothy que encontra o adivinho Marvel que parece muito com o Oscar em Oz.

Mas se o longa de Sam Raimi poderia se aventurar mais em tentar ser um novo clássico, ele preferiu ter como referência a obra de Burton. Oscar na verdade é uma nova Alice em um mundo colorido, fantasioso e com criaturas falantes e objetos curiosos - alguns, também vivos. A sensação de dejá vu só aumenta com a evolução da moral da trama. Em Alice, sua proposta era aprender sobre a importância do crescimento e suas responsabilidades que lhes são dadas - mas tudo soou engessado, sem vida. No novo Oz, Oscar precisa acreditar em si mesmo, para conseguir vencer seus próprios medos, da qual, ele se esconde em ilusões. Franco não poderia ser uma escolha melhor: pouco carismático, mas que possui um charme sob medida para a situação.

Visualmente Oz: Mágico e Poderoso também é uma versão melhorada de Alice. Mais vivo, com efeitos que deixam o lugar mais impressionante e maravilhoso que o visto na trama de Burton. Ainda é possível se pegar achando tudo muito falso, perceber os efeitos criados por cima de um chroma key - principalmente com os atores reais andando em cenários como campos floridos, além de algumas maquiagens e vestidos desconexos com aquela realidade inventada - afinal são dos nossos tempos. Porém, a impressão é estar assistindo um novo Alice, tamanha é a semelhança visual dos filmes e características da narrativa.


Mas nem todos esses problemas, comprometem a diversão que é Oz: Mágico e Poderoso. Menos entediante que Alice no País das Maravilhas, esse novo longa tem em sua vantagem a interessante história do clássico de 39. Reviver aquela genuína aventura é um prazer, já que essa nova empreitada não desconstruiu a magia que lhe fora proposta, funcionando como um filme infantil de qualidade, mesmo sem grandes novidades. Resta saber se a Disney vai continuar buscando uma distância mais saudável de Alice e assim ter mais coragem de ousar e criar algo muito melhor e menos previsível como é o de praxe nessas novas reciclagens de fábulas. O sucesso do bom Branca de Neve e o Caçador, mas os fracassos de longas como João e Maria: Caçadores de Bruxas e Jack - O Caçador de Gigantes, fazem a indústria manter sempre o sinal amarelo aceso e viver á mercê do contentamento do público. Uma pena, pois dessa forma, o medo os limita e as repetições vão continuar prosseguindo e assim como o dilema de Oscar e os moradores de Oz:  fazendo-os viver seguros, mas de ilusões.

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