março 28, 2012

Crítica: 'Jogos Vorazes' acerta direto no alvo!


Filme segura tensão e promete uma boa franquia



Se existe alguma comparação entre a nova febre cinematográfica, Jogos Vorazes (The Hunger Games, 2012) e a anterior a esta, A Saga Crepúsculo, pode ser no romance que segue a linha da trágica história shakespeariana de Romeu e Julieta. O amor entre a humana e o vampiro é proibido, e a solução final encontrada pelos amantes de Jogos Vorazes é semelhante ao do clássico. Porém, felizmente, nenhum dos dois se aventura ao seguir à risca o que já foi contado. E o melhor, a comparação entre os dois fenômenos cinematográficos, termina aí.


Impulsionado pela indústria que busca um substituto à onda vampiresca, Jogos Vorazes cumpre seu papel de forma surpreendente. Mesclando uma história cheia de reflexões sobre a realidade social, vigilância governamental, televisão e puro romance, sobressai com originalidade. O filme baseado no livro de Suzanne Collins ainda guarda uma parte técnica memorável, esbanjando criatividade tanto na direção quanto na estética - figurino, maquiagem, trilha sonora e edição.


O longa, o primeiro de uma trilogia - Em Chamas e A Esperança, são os próximos, respectivamente - narra a história de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence), uma jovem que mora no pobre distrito 12. Sua vida dá uma reviravolta quando ela se oferece no lugar de sua irmã para participar dos Jogos Vorazes - uma espécie de reality show que o governo lança numa forma de tributo em troca da "paz e prosperidade" fornecida depois de uma tentativa de revolução. Cada distrito deve fornecer dois jovens - um garoto e uma garota - entre 12 e 18 anos, para competir nos sangrentos jogos que só tem um vencedor no final. A arena é uma floresta que facilmente é monitorada e tem a interação dos produtores, da qual, dificultam a vida dos jogadores. O vencedor ganha regalias e armas para o próximo ano.


Na premissa pode se perceber referências desde ao clássico de George Orwell, 1984, em que a sociedade vive sob vigilância completa, até o famoso Big Brother, que também fora baseado na obra de Orwell. Também tem um toque de O Senhor das Moscas, de William Golding, em que crianças perdidas em uma ilha passam a se comportar como predadores uns contra os outros, construindo alianças e lutando pelas liderança. Mas, Jogos Vorazes é melhor quando entendido como uma crítica. Uma reflexão do que a sociedade se transforma para um futuro não muito distante, deixando de lado a moral, o sentimento de humanidade e ética tanto dos meios de comunicação, quanto do governo cada vez mais opressor e vigilante. A violência aqui, é sem dúvidas o ponto central. A banalização de sua questão, tanto pelo individuo cometer ou a sua exibição gratuita na TV, chega a ser chocante - e não difere já de uma realidade atual.


Além de tocar nessas espinhosas questões, o filme consegue empolgar, juntando um time de ótimos coadjuvantes, como Stanley Tucci, Woody Harrelson, Elizabeth Banks, Donald Sutherland e Lenny Kravitz, e liderados pela revelação Jennifer Lawrence, que desde O Inverno da Alma, passando por papel importante em X-Men: Primeira Classe, da qual foi a Mística,  tem chamado atenção e agora ganhou sua oportunidade de ouro.


Jogos Vorazes está pronto para ser mais uma bem sucedida saga cinematográfica que migrou da literatura aos cinemas, só que diferente de uma febre vampiresca que beira ao patético, agora pode-se levar algo mais do que uma sessão pipoca, mesmo que sombria.