julho 20, 2012

'Revenge' faz história forte se perder em excessos

Seriado-novela exagera em clichês e reviravoltas 


Vingança. No dicionário: s.f. Ato ou efeito de vingar(-se). Represália, desforra, vindita, retaliação. Na TV um seriado se aventura em mostrar a ação de fazer justiça contra alguma situação que resultou em tal sentimento: Revenge, que teve sua primeira temporada finalizada nesta terça (17) no Canal Sony (nos EUA é exibida pela rede ABC). Apostando em uma protagonista com sede do sentimento, a trama é recheada de suspense, reviravoltas, drama e romance. Porém, o que parecia um caminho interessante, se perde num amontoado de intrigas forçadas, roteiro repleto de equívocos e carente de reflexões. 

A história parte de uma modernização do clássico literário O Conde de Monte Cristo. A trama traz Amanda Clarke (Emily VanCamp), crescida, chegando e na comunidade de Hamptons utilizando o nome de Emily Thorne. Seu objetivo é vingar sua família, destruída pelos poderosos Graysons. Para tanto, ela conta com o apoio do milionário Nolan (Gabriel Mann). A tal família é encabeçada por Victoria (Madeleine Stowe) e seu marido Conrad (Henry Czerny) que levaram a condenação o pai de Amanda, David Clarke (James Tupper), quando se aliaram com outras pessoas de uma empresa e ligaram seu nome à uma ação terrorista.   Emily se envolve com Daniel Grayson (Joshua Bowman), filho de Victoria, de quem fica noiva - como parte do plano, mas não esquece seu amor de infância Jack Porter (Nick Wechsler). 


Nos primeiros episódios, Emily começa a esticar sua teia de intrigas e domina as pessoas ao redor como se fossem peças em um enorme tabuleiro. Vai atrás de cada um na intenção de vingar o pai e sua situação como órfã. Porém, depois de tantas idas e vindas, o foco principal acaba sendo perdido e Revenge se transforma numa série um tanto confusa e sem foco. O que antes era uma protagonista fazendo vingança, vira um show de personagens com caráter duvidoso e também fazendo pequenas vinganças. Um toma lá dá cá endinheirado. Para piorar a situação, os efeitos especiais que constroem o palco da história, por vezes, soa artificial assim como o roteiro cheio de frases de efeito e as atuações mexicanas.


Entretanto, Revenge teve momentos gloriosos, como o episódio piloto que logo fora continuado em um  outro, exibido pouco mais da metade da temporada, da qual, descobre-se que não fora Daniel assassinado na festa de noivado de Emily com ele. Infelizmente, a partir daí até seu desfecho, o seriado acumulou um ritmo chato, sem grandes novidades e muito drama para personagens pouco importantes e ainda mais trash, como a filha bastarda dos Graysons, Charlotte (Christa B. Allen). Chega a ser risível sua participação em algo que deveria soar como tenso. E a inexperiência da atriz só piora ainda mais o quadro. E ela não é a única.

Como primeira temporada, Revenge perdeu o controle em levar para a TV um tema tão interessante e nebuloso. Agora seguiu um caminho de novelão sem perspectivas e apenas com os reflexos de uma protagonista vazia. Talvez, nem seja tão ruim, porém, é muito mal contada. Um roteiro que permite personagens entrarem e saírem das casas alheias sem nenhum aviso prévio, ou abusar das facilidades tecnológicas na hora que bem entenderem, banalizam e subestimam a inteligência do espectador. As falas também sempre estão ali para explicar detalhadamente tudo que é revelado o tempo todo, servindo de banquete para gravações escondidas. Uma pena, a retaliação sai do interessante foco do pai da protagonista e se expandi para a mãe de Amanda, viva. Até em Avenida Brasil o assunto é tratado mais a sério.