fevereiro 20, 2009

O Curioso Caso de Benjamin Button - Resenha

Indicado ao Oscar é uma obra de arte que guarda uma lição de vida


A primeira impressão que fica, de quando começamos a ver O Curioso Caso de Benjamin Button é que imaginamos o que poderá acontecer no final. Sabemos que aquele homem que no momento do nascimento já é envelhecido e cheio de doenças de idosos, mas aos poucos vai rejuvelhecendo, tem um caminho que apesar de diferente, termina do mesmo jeito que uma pessoa normal. Mas, o que não imaginamos, é como viver essa vida sem que isso seja um problema para tantos questionamentos e caminhos que aparecem em vida. E os amores também, claro.

O seu início guarda a parte mais interessante do mistério. Quando um inventor  constrói um relógio que marca as horas de forma contrária. Isso de forma simbólica para o tempo voltar e trazer seu filho que morreu na guerra. De forma melancólica esse relógio é inaugurado. E também de forma melancólica, e trágica, nasce em outro ponto da cidade, essa criança já envelhecida que é abandonada na porta de um asilo. Daí começamos a ver como é criar um ser humano em uma circunstância tão diferente de vida. Ele aprende a andar com ajuda de muletas, é criado num ambiente com pessoas idosas, mas é tratado normalmente por quem o cerca.

Então ele vai se aventurar como qualquer jovem em sua idade faz, acaba fazendo parte da guerra de uma maneira não tão direta, mas sofre as consequências do mesmo jeito, e ainda em seu caminho conhece o sexo e a amizade. Personagens cruzam seu caminho e vão acrescentando e muito em sua vida. Mas o principal de tudo é a experiência de seu relacionamento amoroso com Daisy (Cate Blanchett). Eles "cresceram" juntos - cada um ao seu modo - e se encontram tempos depois para tentarem conciliar as diferença e fazer o amor da certo. Mas infelizmente tudo está marcado para ter um final complicado de se aceitar.

Brad Pitt convence num papel tão rico. Apesar de maquiado e escondido por trás de tantos efeitos visuais, ele consegue manter o personagem carismático e nos fazendo identificar com sua história. O filme ainda traz locações lindas, uma fotografia que assombra quando tem de assombrar, ou que enche os nossos olhos quando é o momento de suspirar. O filme tem grandes chances de levar nas categorias técnicas do Oscar. Como melhor filme, eu ainda fico meio dividido, pois tudo é tratado de forma tão subjetiva, que ao meu ver pelos vencedores de anos anteriores, Benjamin Button não cumpre tanto sua missão de ir mais afundo com questionamentos ligados a velhice e seu papel na sociedade. O drama pessoal fica muito fechado no protagonista e segue à risca sua fábula. Mas isso não desmerece os temas tratados sobre a nossa passagem pelo ciclo da vida e a forma como o homem trata o tempo, que seja nascendo velho ou novo, tem semelhanças enormes ao longo da existência.

Ah! E qualquer semelhança com Forrest Gump, não é mera coincidência, o roteirista é o mesmo, o que deve ter influenciado nas pequenas características da forma como se é contada a história. [Nota:9,5]

O Curioso Caso de Benjamin Button

The Curious Case of Benjamin Button

EUA, 2008 - 166 min
Drama
Direção: David Fincher
Roteiro: Eric Roth
Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Julia Ormond, Tilda Swinton, Faune A. Chambers, Elias Koteas, Donna DuPlantier, Jason Flemyng, Joeanna Sayler, Taraji P. Henson, Mahershalalhashbaz Ali, Fiona Hale

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Atenção: Este blog contém conteúdo opinativo, por isso, não serão aceitos comentários depreciativos sobre a opinião do autor. Saiba debater com respeito. Portanto, comentários ofensivos serão apagados. Para saber quando seu comentário for respondido basta "Inscrever-se por e-mail" clicando no link abaixo.