fevereiro 17, 2009

Sexta-Feira 13 - Resenha

Clássico ganha versão atualizada, dirigido pelo mesmo diretor de O Massacre da Serra Elétrica


 
Marcus Nispel conseguiu ganhar o meu respeito. O diretor alemão que antes dirigia videoclipes e comerciais, agarrou o gênero terror nas telas de cinema e tem feito bonito. O seu primeiro projeto foi nada menos que o polêmico ressurgimento de Leatherface nas telas. E não deu outra, o remake de O Massacre da Serra Elétrica foi um sucesso de bilheteria e de crítica, e deu um refresco no gênero, que não via novidades desde o fim da era Pânico ou dos remakes de filmes orientais. E o cara acertou mais uma vez. Apesar de um deslize dos grandes, com a produção Desbravadores, o novo filme do vilão Jason, Sexta-Feira 13, consegue manter o nível da outra produção.

Claro que o diretor não pode ganhar o mérito sozinho. Com um time de produtores experientes no gênero, eles fazem parte do grupo da Platinum Dunes, empresa de Michael Bay (Transformers, Armageddon) - diretor que também ajuda a produzir os filmes. A produtora já conseguiu emplacar filmes como: O Massacre da Serra Elétrica, Horror em Amityville, O Massacre da Serra Elétrica - O Início e A Morte Pede Carona. Agora acaba de bater um recorde com o novo Sexta-Feira 13 que arrecadou 42 milhões no seu primeiro fim de semana nos EUA, a melhor abertura do gênero desde O Grito, que teve arrecadação de 39 milhões no mesmo período.

Mas quem viu o clássico e não se tornou um fã, sabe que o filme não é isso tudo que pintam. A história é fraca e serve mesmo como desculpa para mostrar mortes criativas, além da perigosa mistura de sexo e violência, que são desnecessárias em seu contexto geral. Mas clássico, é clássico e não importa seus equívocos e exageros.

O filme começa com um pequeno flashback da mãe de Jason Vorhees sendo assassinada por uma adolescente. Ela já havia matado o grupo inteiro em um acampamento, da qual os culpa pelo acidente com o filho. Jason teria se afogado enquanto os jovens ao invés de o ajudarem, faziam sexo e curtiam a vida. Com a morte dela, Jason - deformado no acidente - segue sua sede de vingança. Depois de mais ou menos apresentados, começa a matança. Morre uma turma inteira, o que dá a sensação de que o filme é apenas aquilo. Então, um mês depois, o irmão de uma das jovens que estavam naquela lugar e segue desaparecida, chega a região à sua procura. Claro, que os moradores não sabem de nada. E pedem apenas pra deixá-los em paz. Todos esses personagens já esbarram em uma das séries de elementos que o diretor usou em O Massacre da Serra Elétrica. As locações e enquadramentos a todo momento se parecem, mas nesse aspecto Sexta-Feira 13 leva a pior por ter vindo depois.

O jovem, interpretado por Jared Padalecki, encontra um grupo que vai passar uns tempos ali numa casa do pai de um deles. Logo um à um começa a morrer. E mais pra frente uma reviravolta consegue deixar a história mais interessante, e não estou falando do final. O diretor diz que não gosta de tratar esse filme como um remake e sim uma atualização, o que pra mim tira ainda mais a essência de seu original. Entre exageros como a rapidez de Jason, ou o excesso de nudez, outro aspecto negativo é a escolha do protagonista masculino, que geralmente não tem espaço nesse gênero.

Mas a forma que o filme é produzido, suas diferenças com outra produções que jorram sangue pela tela, é um ponto que deve ser levado em consideração. O filme não cai no perigoso clichê, e uma sensação de realismo consegue o desejado suspense. É possível dizer apenas que os erros aqui são apenas reflexo do original, que estão presentes agora para não decepcionar os fãs. Mas que o clima de tensão e a reinvenção do gênero foi muito melhor aproveitado em O Massacre da Serra Elétrica, não dá para questionar. [Nota 8,5]

Sexta-Feira 13 (Friday the 13th)
EUA, 2009 - 97 min

Terror

Direção:
Marcus Nispel
Roteiro:
Damian Shannon, Mark Swift, Mark Wheaton
Elenco:
Jared Padalecki, Danielle Panabaker, Amanda Righetti, Travis Van Winkle, Aaron Yoo, Derek Mears, Jonathan Sadowski, Julianna Guill, Ben Feldman, Willa Ford

Trailer:





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