março 31, 2010

A estética perfeita de 'Direito de Amar'

Primeiro filme do cultuado estilista Tom Ford, sublinha perfeccionismo na imagem


O ícone da moda Tom Ford, durante 10 anos, foi o homem responsável por tirar umas das maiores marcas do mundo da falência. Dentro da grife italiana Gucci ele revitalizou o estilo sofisticado dos produtos, além de incrementar o sexo aos anúncios que passaram a ser ousados. Agora utiliza as mesmas provocantes características na própria marca que leva o seu nome. Fica óbvio que se trata de uma pessoa que entende a importância da imagem ao produto. Seja chocando ou não, a estética de um comercial deve prevalecer e fazer o máximo para enriquecer o que se quer vender. Não é necessário ser a favor ou contra o seu método, mas têm-se a admitir que ele sabe fazer isso muito bem. A prova disso está na sua primeira empreitada cinematográfica Direito de Amar (A Single Men).

Adaptação do romance semiautobiográfico do britânico Christopher Isherwood, lançado em 1964 e alvo de grandes polêmicas, o filme conta a história do professor universitário George, homossexual, que acaba de perder o companheiro com quem viveu durante 16 anos. Proibido pela família do falecido de ir ao próprio enterro, ele tenta entender o que será de sua vida, e ao mesmo tempo prepara o suícidio. Nesse doloroso processo, personagens fortes o levam a compreender e analisar melhor a situação, são eles: a amiga (Julianne Moore, irretocável) que possui um amor platônico por ele; e indiretamente um aluno (Nicholas Hoult, o Tony da primeira fase de Skins) que vê o professor mais profundamente e sabe que tem alguma coisa errada.

O filme é recheado de memórias de George com o namorado, analises da relação em conversas sobre idade ou o fato de serem gays, e também momentos da narração do professor sobre as angústias da vida. A produção segue um nível interessante e mais realista com a temática homossexual se colocando em uma linha tênue entre o politizado Milk, A Voz da Igualdade e o triste romance O Segredo de Brokeback Montain. Só demonstra uma visão mais complexa quando é aguçada com artifício dos enquadramentos parados e vários closes, do figurino impecável, a fotografia de primeira e a trilha sonora instrumental de arrepiar. Detalhes poderosos que fazem a história ficar mais rica na poesia.

Tom Ford em ação
Os óculos gigantes que demonstram a insegurança do personagem ou a roupa excessivamente aveludada do aluno que salientam o ar da inocência. Os méritos dessa estética potente, vão para Tom Ford obcecado pela perfeição - como ele mesmo se denominou. Provavelmente a história não conseguiria se sobressair nas mãos de outro diretor, e o designer de moda fez aqui o que muitos tem a dificuldade de equilibrar: imagem e roteiro.


Outro que merece méritos aqui é Colin Firth que ultimamente estava perdido em papéis desinteressantes, aqui se encontra com o que parece ter sido feito sob medida. Foi elogiado, ganhou prêmios e uma importante indicação ao Oscar desse ano. Direito de Amar é um filme para sensíveis, que enxergam facilmente poesia na imagem, para os que estão na meia idade e passaram por situações de desilusão ou perda e o carente público homossexual que se identifica facilmente com a situação da história e não encontra produções boas sobre a temática. Para esses, a estética bonita do filme mostra bem a angústia de se viver em meio ao preconceito da própria família e o que leva à solidão, um homem que apenas no momento de desespero consegue dar valor a vida ao seu redor.

A Single Man
EUA , 2009 - 101
Drama

Direção: Tom Ford
Roteiro: Tom Ford, Christopher Isherwood, David Scearce
Elenco: Colin Firth, Julianne Moore, Nicholas Hoult, Matthew Goode, Jon Kortajarena, Paulette Lamori, Ryan Simpkins, Ginnifer Goodwin 

Trailer:


Um comentário:

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