abril 04, 2011

The Big C: um diferente e otimista olhar sobre o câncer

Dramédia é o exemplo de série leve, com algum aprofundamento e sem ser chata


Tema sempre recorrente de novelas, séries, minisséries e filmes, o câncer, geralmente vem com uma carga dramática que expõe suas vítimas ao grande sofrimento desde sua descoberta até o seu fim, seja com a morte ou com o "renascimento", numa espécie de punição ou de amargura acumulada. Mas a série The Big C vem com uma proposta ainda mais interessante que apenas descobrir e sentar, dramatizar, chorar e esperar a morte. Muitos pacientes continuam suas vidas normalmente e, diferente do que muitas vezes é retratado, eles não mudam de uma hora para o outra seus conceitos e vão aproveitar a vida, e sim, aos poucos vão contornando a "pedra" no meio do caminho e seguindo a vida.

O seriado gira em torno de Cathy, interpretado pela vencedora do Globo de Ouro deste ano como melhor atriz cômica Laura Linney, uma professora de Minneapolis. Ao longo dos 13 episódios que a HBO Brasil exibiu - o último foi ao ar semana passada - o ponto de vista da protagonista ao ser diagnosticada com câncer até sua atitude de esconder a doença dos parentes e amigos, é contado com humor e de forma leve. É como se Cathy ao descobrir a doença começa a viver sem se preocupar com as constantes regras impostas pela sociedade, que sempre foi o ponto central de tudo, seu trabalho como mãe, esposa e professora. Como suburbana, no melhor estilo Desperate Housewives, o câncer a faz perceber mlimetricamente tudo de bom que existe na vida e como preparar o futuro da sua família em sua ausência. Claro que até lá ela vive o dilema de fazer tratamentos ou se entregar ao destino.

Desse modo, assim como ocorre em Breaking Bad (em proporções menores e menos negativas), o protagonista doente passa a mudar a vida das pessoas de forma direta ou indireta. Afinal, Cathy começa a mudar de postura em relação aos seus desejos e anseios e os leva junto. Ela busca viver e sentir prazer, seja ao fazer topless no jardim ou simplesmente passar uma mensagem mais realista aos seus alunos durante as aulas.

Em seu cotidiano, vive com o marido Paul Jamison (Oliver Plat) - imaturo e não dá tanto valor à família; o filho Adam Jamison (Gabriel Basso) - um jovem comum e como todo adolescente tem seus problemas de se abrir e demonstrar amor; a aluna Andrea Jackson (Gabourey Sidibe) - rebelde e com problemas de auto estima; a vizinha rabugenta Marlene (Phyllis Somerville) - solitária e acaba se tornando uma grande amiga e confidente de Cathy; Dr. Todd Mauer (Reid Scott) - jovem oncologista e que acaba criando um laço mais forte com Cathy, já que ela o desafia ao não aceitar o tratamento; a velha amiga de faculdade Rebecca (Cynthia Nixon) - perua e não consegue lidar com a nova Cathy; e seu irmão Sean Tolkey (John Benjamin Hickey) - naturalista, vive nas ruas, come lixo e rouba a cena várias vezes ao ajudar Cathy se desprender do seu ritmo sufocante.

Renovada para uma segunda temporada, The Big C é prazerosa de assistir. Você ri, se emociona, se surpreende. Os diálogos são bem amarrados, cada episódio possue circularidade e a protagonista cresce aprendendo sempre novas lições, se desprendendo conscientemente do capitalismo (agora ele serve como ferramenta para a felicidade), buscando sua liberdade. Todas atitudes e consequências não são perfeitas e como humana, ela também erra, fica confusa e busca fazer o melhor. Resta saber se o final dessa jornada será tão incrível e otimista como foi mostrada em sua narrativa, mesmo sob uma ótica obscura do tratamento que vem aí. Por enquanto, o final desta temporada foi um dos eventos mais marcantes e tocantes da TV dos últimos tempos. Leva à cartase e faz cair a ficha que de comédia, o câncer tem seus lados de claridade, mas também traz um futuro incerto e sombrio. Porém, nem por isso ela deixou-o tomar conta de sua vida e dos  próximos a ela e sim continuou a viver e pensar na continuidade independente de qual ele for. Afinal, de peso em sua vida, basta a doença, o doloroso tratamento e imaginar a família sem sua presença.

Trailer:


A série é exibida pelo Show Time, o mesmo canal da outra ótima "dramédia" Nurse Jackie, e deve estrear a segunda temporada no final de Junho. A HBO Brasil cuidou da exibição da primeira temporada por aqui.

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