abril 11, 2011

O que faz de Dexter o serial killer mais querido da TV?

Seriado estreia quinta temporada no Brasil e continua em forma


São cinco temporadas e milhões de seguidores em todo o mundo. O que poderia ser uma série de um herói ou personagem carismático, aqui trata-se de um assassino em série. Dexter é sucesso de audiência e aclamado pela crítica (quatro prêmios Emmy e dois Globo de Ouro) com uma história original e um roteiro imprevisível. A cada temporada trazendo à tona diversos mistérios e desafiando a mente doentia do protagonista. Frio e calculista, o personagem fez história na TV e influenciou diversas séries e filmes que a partir dele humanizaram ainda mais seus protagonistas apresentando uma moral e ética de comportamento duvidoso. O que faz de Dexter uma das séries mais interessantes e polêmicas da última década? Com a quinta temporada chegando à TV fechada no Brasil (exibida no FX, e nos EUA pelo ShowTime), a resposta fica cada vez mais clara: simplesmente temos curiosidade sobre como agem esses monstros.

A psicologia sem dúvidas é algo que prende todos à trama. Afinal a temática serial killer não é novidade, mas o universo da qual ela é colocada, a fazem chamativa para a audiência que busca algo ousado na TV. Desde o clássico cinematográfico O Silêncio dos Inocentes, que apresentou um roteiro sobre a mente de um assassino em série, a forma de incorporar isso em outros programas nunca foi contado de forma mais abrangente. Quando se tem o protagonista com esse comportamento, tudo muda. Baseado no livro Dexter - A Mão Esquerda de Deus (Darkly Dreaming Dexter) de Jeff Lindsay, o seriado é focado em Dexter Morgan (Michael C. Hall), um analista forense que é especialista em padrões de dispersão de sangue, e atua no departamento de polícia do Condado de Miami-Dade. Ele vive uma vida dupla, ensinado desde criança pelo pai a viver assim e seguir códigos para não por em risco sua vida e a vida de inocentes. Para "controlar" seus impulsos, passa à assassinar apenas bandidos condenados por crimes bárbaros, mas que de algum jeito foram beneficiados por brechas na lei. A cada nova fase, Dexter é testado em diversos desafios, quando seu rastro de sangue acaba levando a sua suspeita.

O interessante aqui é analisar como esse monstro incapaz de controlar seus instintos nos deixa próximo de  entender o que passa em sua mente, já que todos cedemos aos nossos desejos latentes em busca de prazer. Claro que, no caso de Dexter e qualquer outro serial killer, seus limites são outros e eles costumam ser diagnosticados com transtornos psiquiátricos sérios: o da personalidade antissocial e esquizofrênica. E isso é bem evidente, já que em sua narrativa, o seriado é narrado pelo próprio Dexter. Então sabemos seu desconforto de manter a postura diante à sociedade e ter de relacionar com as pessoas, além, de o vermos delirando com seu pai aparecendo sempre nos momentos de maior tensão, seja para acalmá-lo ou mostrar um caminho e assim se esconder. O que Morgan não sabe, é que ele está piorando e logo no primeiro capítulo desta nova temporada, isso fica ainda mais perceptível.


Alerta de spoiler para quem ainda não viu a série (pule essa parte e continue mais abaixo)

Dexter por temporadas:

A primeira temporada é para nos familiarizarmos com o personagem, expõe o passado sinistro do protagonista e revela como isso o moldou para ele se tornar quem é. Descobre seu irmão, em meio à caça de um grande assassino que o faz ficar intrigado. Curioso que aqui sabemos que, no fim de tudo, o assassino ainda se considera um herói.

Na 2ª, Dexter é indeciso e vive o dilema de manter a dupla personalidade entre matar e conciliar seus relacionamentos. O arco da temporada é marcado com a descoberta de diversos corpos no mar: suas próprias vítimas. O cerco se fecha para ele mais uma vez, e até uma amante ele arranja.

A terceira temporada foi a mais fraca até o momento, mesmo com momentos fascinantes. Cada vez mais pressionado e sempre metido a fazer "justiça" com as próprias mãos, ele encontra um confidente, uma pessoa que o ajuda a carregar o pesado fardo do macabro segredo. Foi sem graça e não faria diferença no geral, importante mais para os personagens secundários. A única coisa mais relevante é que ele finalmente se casa.

A quarta temporada é sem dúvidas uma das mais tensas. O arco é centrado no novo serial killer denominado de Trinity, que logo faz Dexter ficar intrigado. O assassino atua em diferentes períodos de tempo, segue seus códigos ligados ao trauma de infância (assim como Dexter) e vive uma vida dupla como o protagonista. Antes de matá-lo, por que não aprender a viver como ele, já que é bem sucedido? Esta temporada também mostra como cada vez mais as personalidades de Dexter vão se dividindo e aumentando a pressão sob ele. Agora é: marido, pai, analista de sangue e serial killer. (Uma cena bem elaborada mostra bem isso, quando ele se olha em um espelho com várias divisões e pergunta: "Quem sou eu agora?").

A quinta temporada começou com o desdobramento de um forte evento no final da temporada anterior. Pela sinopse, sabe que ele vai se relacionar com a testemunha sobrevivente do ataque de um serial killer e ainda saberemos como será a vida sem a esposa. O primeiro episódio exibido quinta-feira (07), percebe-se que Dexter não tem sentimentos e só consegue pensar na lógica calculada de sua patologia, mesmo diante um triste fato. Assustador.


Fim do alerta de spoiler

Fazem parte da série: Debra Morgan (Jennifer Carpenter), irmã mais nova de Dexter e filha biológica de Harry Morgan. Tem uma relação de amor e ódio pelo falecido pai, é durona e sonha com uma trilha de sucesso na carreira como policial/investigadora; Rita Bennett (Julie Benz), mãe divorciada com dois filhos, quer apenas ter uma vida normal ao lado de Dexter; Maria LaGuerta (Lauren Vélez), tenente no comando da Divisão de Homicídios, ela é séria e confia fortemente em sua equipe, mas precisa conciliar questões pessoais com o trabalho; Angel Batista (David Zayas), detetive que convive diretamente com Dexter e o confia como amigo. Outros são: o investigador James Doakes (Erik King), o investigador forense Vince Masuka (C.S. Lee), o detetive com um passado questionável transferido para a Divisão - Joseph "Joey" Quinn (Desmond Harrington) e o pai de Dexter que aparece em flashbacks ou como alucinação, Harry Morgan (James Remar), um respeitado detetive em sua época.

Uma boa pedida para quem busca um roteiro ousado e 'realista'. Em tempos de massacre em escolas, percebe-se que todos nós temos a certa curiosidade saber quem está por trás de atos tão extraordinários e cruéis. Faz parte do ser humano essa curiosidade, mas também expõe que todo ser humano tem um pouco desses temíveis monstros. Ou vai me dizer que nunca se identificou com alguma faceta de Dexter? Afinal, ele é humano, possui um tipo de identidade em diferentes momentos e uma frieza (mais acentuada, claro) diante à banalização da violência, como todos nós.

Trailer:


A quinta temporada do seriado vai ao ar às 22h, todo domingo, no FX. O canal Showtime promete a sexta temporada para este ano ainda.

Esse post faz parte do especial Semana em Série, trazendo dicas de seriados de qualidade e boa diversão.


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