agosto 29, 2009

Crítica: 'À Deriva' mergulha em drama familiar e na adolescência

Adolescência é tema central de novo filme do diretor Heitor Dhalia



Histórias sobre crescimento são sempre garantia de boas questões levantadas. Quando se trata da adolescência aí tudo caminha para momentos ainda mais confusos e desesperadores. A formação de uma jovem, que vive os dilemas de saber se já entrou ou não na fase da adolescência, em meio ao tumulto familiar, foi o roteiro bem elaborado que ganhou uma produção impecável e com um desfecho surpreendente nesse drama familiar À Deriva. Heitor Dhalia que dirigiu Nina e O Cheiro do Ralo, muda de foco, mas continua sua aventura pela mente humana.

Em À Deriva, o diretor optou por uma história que pode ser o início para algo muito maior. Nos seus filmes, das quais, se tem personagens complicados, cheios de traumas e outras vezes tomam atitudes diferentes das imaginas pelo espectador, bastam um flashback e logo entendemos porque ele agiu daquela maneira. Nesse, podemos entender a produção como um enorme flashback que mostrará como a garota Filipa, de 14 anos (a ótima estreante Laura Neiva) ficará marcada em meio à separação dos pais por motivos ainda obscuros. Além disso, vive os dilemas da adolescência e, ainda, descobre a traição do pai.

O elenco é forte. O pai é vivido por Vincent Cassel, o ator francês que protagonizou o incrível Irreversível; Débora Bloch bem conhecida por telenovelas e consegue segurar bem a personagem que tem tendência a ser alcoólatra. Muitos outros personagens nem são atores, o que deixa a produção ainda mais à beira do realismo. Em À Deriva ainda se deve destacar a produção técnica que trabalhando em Búzios, um paraíso, fez belíssimas cenas na praia e em alto mar. As cenas de descobertas da protagonista são feitas com câmeras na mão, fator que deixa o público à deriva, literalmente.

O roteiro mesmo que simples guarda uma surpresa para o final marcante, o que dá rumo aos personagens. Seja a descoberta dos sentimento por parte da jovem que aos poucos vai encontrando uma certa maturidade; o pai que mantém um caso extraconjugal, é escritor e vive a vida bem do seu jeito à vontade; e a mãe que já é mais controladora sintetizada como a que cuida das contas da casa. Os caminhos que esses três personagens vão seguir, vão mudá-los depois de um segredo guardado entre adultos.

O principal destaque do filme fica por conta das cenas de Filipa se descobrindo. Seja com seu namoradinho, com a amante de seu pai, ou quando sabe o momento certo de dizer ao barman que já pode beber. Em todo o momento ela já pensava que podia ser levada à sério e ser chamada de adolescente, mas, é como se faltasse algo para isso ser definido. E se à todo o momento ela vive à beira de um abismo pensando em como evitar uma tragédia, tudo termina de uma maneira que ela não imaginava. Aprende que a vida adulta guarda muitas surpresas ainda. É impressionante como um tema que não tem "nada" a esconder, consegue fazer com que o público saia surpreso.

À Deriva

À Deriva
Brasil, 2009 - 103 min
Drama
Direção: Heitor Dhalia
Roteiro: Heitor Dhalia
Elenco: Laura Neiva, Vincent Cassel, Débora Bloch, Camilla Belle, Cauã Reymond, Gregório Duvivier

Trailer:



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