maio 23, 2010

'Educação' e o dilema de se tornar adulto

Filme inglês considerado um dos melhores do ano, peca na falta de novidade


O cinema pode ser questionador, quando retrata o ser humano como frágil em um mundo cheio de descobertas, temores e sonhos. Esse tipo de experiência é prazerosa assistir, tanto como estímulo para entender e seguir em frente, quanto para reafirmar o que existe por dentro de todo indivíduo de carne e osso. São vários exemplos de filmes, da qual, tentam mostrar e se aprofundar nos personagens da mais variada faixa etária e sexo. Para citar alguns interessantes, Pecados Íntimos de Todd Field explorando os desejos reprimidos das pessoas, O Lutador de Darren Aronofsky retrato de um sujeito de meia idade preso à válvula de escape, À Deriva de Heitor Dhalia sobre adolescência, Amor sem Escalas de Jason Reiman sobre o vazio existencial e o excelente Foi Apenas um Sonho de Sam Mendes que fala sobre a utopia da família perfeita. O filme Educação de Lone Scherfig traz esse aprofundamento em sentimentos e confusões do ser humano, porém, mais uma vez a transição da adolescência à vida adulta é explorada no roteiro, este baseado no livro autobiográfico da jornalista inglesa Lynn Barber e adaptado pelo escritor Nick Hornby - indicado nessa categoria ao Oscar e mais outras duas: melhor atriz e filme.

A história começa em uma rígida escola, em Londres no ínicio dos anos 60, em que as moças aprendem etiqueta, cozinha e como ser a dona de casa ideal. Porém, a jovem  Jenny (Carey Mulligan) almeja mais do que isso, cada vez que percebe que o fluxo à levará ser como a mãe que reclama da rigidez do marido, ou como a professora sem graça, interpretada pela ótima Olivia Williams. A moça que sempre foi boa aluna, começa a questionar se isso realmente é o ideal para se aproveitar a vida e falar francês na romantizada Paris - empolgada com os discos que ouve de cantoras francesas. Então, eis que surge David (Peter Sarsgaard), um playboy, judeu, que esbanja charme e liberdade para a jovem. Logo se aproximam e começam um caso. Bom de papo, o homem bem mais velho, ganha a confiança da família, e faz a moça delirar ao lhe dar presentes e se mostrar romântico, atencioso... perfeito. Mas, como o público que não é mais inocente nos dias de hoje, fica a espera do bom partido revelar sua verdadeira face.

A produção tem nos melhores momentos essa revelação e a tentativa de redenção de Jenny. Infelizmente o filme acaba no lugar comum, com um desfecho moralista e sem conseguir se sair memorável. O que fica aqui, são as excelentes atuações, desde a linda Carey Mulligan, que muito me lembrou fisicamente Katie Holmes (só que mais bonita), Alfred Molina na medida como o pai sistemático e autoritário que beira ao cômico tamanha fraqueza ao dinheiro e Peter Sarsgaar, da qual mesmo fazendo um personagem que guarda um segredo, convence e envolve até os que se acham mais espertinhos ao desvendá-lo. Infelizmente, esse drama terá mais impacto - ou não - com o público feminino e jovem como a protagonista, e isso justificará como foi superestimado, chegando à ser eleito um dos melhores do ano.

Educação
An Education
EUA , 2009 - 95
Drama
Direção: Lone Scherfig
Roteiro: Nick Hornby
Elenco:  Olívia Williams, Dominic Cooper, Peter Sarsgaard, Carey Mulligan, Alfred Molina, Rosamund Pike, Sally Hawkins e Emma Thompson 

Trailer: 




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Atenção: Este blog contém conteúdo opinativo, por isso, não serão aceitos comentários depreciativos sobre a opinião do autor. Saiba debater com respeito. Portanto, comentários ofensivos serão apagados. Para saber quando seu comentário for respondido basta "Inscrever-se por e-mail" clicando no link abaixo.