abril 11, 2010

O drama de informar sobre a morte pela guerra em 'O Mensageiro'

Produção mostra a complexidade de um ponto pouco exposto da guerra




Quando um filme se propõe a falar sobre o lado dos mensageiros da morte de qualquer guerra, aqueles que batem na casa das pessoas prontos para dar a má notícia sobre a morte um filho, irmão ou marido na guerra, é porque este está pronto para criticar e acima de tudo, denunciar o lado negativo, do qual, o governo esconde debaixo do tapete. De acordo com o site icasualties.org , que faz uma contagem  das baixas no Iraque e Afeganistão, tanto de americanos, britânicos e os provenientes da região, foram mais de 4.708 mortes nesses 8 anos de invasão dos Estados Unidos ao Iraque. Desses, são 4.390 soldados americanos. Ou seja, morrem mais soldados americanos que do "exército inimigo". Imagine então, a família de cada um desses soldados passando pela dor de perder violentamente um ente querido? E o lado de quem dá a dolorosa notícia? Esse é o ponto de partida de O Mensageiro, que trata do ponto de vista do tal responsável por dar a informação.

A história narra a vida do aclamado soldado norte-americano Will Montgomery (Ben Foster - o arcanjo de X-Men 3), depois de salvar vidas em combates e acumular um trauma no olho, ganha o status de sargento e é remanejado para a nova função de mensageiro da morte. Para ajudá-lo na nova missão, o capitão Stone (Woody Harrelson) é chamado e aos poucos explica o protocolo. Tudo é calculado com a mais fria precisão, desde a fala, o comportamento sem emoção e sem tocar nas pessoas. Esses são os primeiros e cruéis instantes do filme em que a platéia sente o desespero, a angústia dos familiares e as se depara com diversas reações - desde agressão física, verbal e até a expulsão da dupla.

Durante o novo trabalho, o drama dos dois também é exposto. O que se vê ali são dois soldados que depois da guerra, se isolam da sociedade, vivem sem uma razão cruciante e procuram ocupações vagas. Perderam relacionamentos pelo tempo que ficaram fora - muitas mulheres não aguentam e arranjam outra pessoa, como o capitão debocha de muitos em vários momentos. Ser sobrevivente da guerra traz consigo consequências físicas e emocionais que ficaram marcados pelo resto da vida. O vazio, a solidão e o trauma de se viver matando e vendo pessoas próximas morrerem. Essa é outra face que ao meio do filme começa a desenrolar. Will se envolve com a mulher de um desses soldados mortos, e esse relacionamento esbarra na ética e na moral, além do sentimento de culpa que torna complexivo e confuso qualquer caminho que se queira seguir.

A atuação de Woody Harrelson lhe rendeu uma merecida indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante. Por ter mais anos nas missões, é ele quem confronta seus sentimentos com o jovem sargento e tenta passar lições de vida, ou consertar as pontas soltas da lógica de se viver. O lado diferente abordado pelo filme, rendeu também uma indicação de melhor roteiro original. Assim como a desastrosa ocupação dos Estados Unidos no Iraque, da qual o governo não consegue tirar os soldados de lá por achar que tem mais algo a se fazer, O Mensageiro, também mostra que o impasse da vida pós Guerra, pode ser tão torturante quanto está em combate - tanto para a família de mortos, quanto para os soldados sobreviventes e muitas vezes sem a própria família os esperando.

The Messenger
EUA , 2009 - 112
Drama / Guerra
Direção:  Oren Moverman 
Roteiro: Alessandro Camon, Oren Moverman 
Elenco: Ben Foster, Woody Harrelson, Jena Malone, Samantha Morton, Eamonn Walker, Steve Buscemi 

Trailer:

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