julho 22, 2011

Crítica: A despedida precoce de 'Brothers & Sisters' e a temporada irregular de 'Glee'

Séries finalizam ciclos e deixam à desejar, apesar de episódios excelentes



Duas séries encerraram suas exibições com episódios inéditos no Brasil nas últimas duas semanas. Uma pelo menos sai de cena com a certeza que irá voltar, enquanto a outra o final é decretado oficialmente. Brothers & Sisters e Glee agitaram a TV a cabo nos últimos dias e, tanto o drama familiar, quanto o musical cômico fizeram uma temporada irregular, com diversos bons momentos, mas ainda assim, volte e meia ficam perdidas no enredo.

Glee teve seu último episódio da temporada exibido pela FOX na semana passada. O atraso em relação aos EUA nem é tão grande, já que o seriado não tem grandes mistérios para serem esclarecidos. A julgar pela temporada, Glee alcança um patamar aeitável, em relação à outros seriados. Como seu gênero é raro na TV, complicado querer compará-lo com outra série, porém no geral, Glee conseguiu manter o bom fôlego da primeira temporada e ainda abocanhou críticas positivas, chegando a se destacar no Emmy mais uma vez.

O grande trunfo da temporada foi mexer nas peças do tabuleiro. Vítima de bullying, Kurt (Chris Colfer) sai da escola e acaba sendo rival do Novas Direções, clube do coral. Lá ele conhece seu interesse amoroso, Blaine (Darren Criss) , que ganhou grande destaque, além de protagonizarem uma cena de beijo e performances românticas juntos.  Do outro lado, novos casais também foram formados para movimentar a trama, mas no fim só serviram mesmo para enrolar. Acaba que o casal mais importante fica junto: Finn (Cory Monteith) e Rachel (Lea Michele). Por mais que a trama se esforce, foram poucos episódios que se conectaram com a boa essência da primeira temporada, mas surpreenderam.

De resto, sobrou episódios temáticos e até bobos como o especial com músicas de Britney Spears e o sobre bebidas alcoólicas. Outros, no entanto, contribuíram para questões que realmente fazem parte da confusão na adolescência, como Grilled Cheesus, que abordou sobre religião, o Never Been Kissed que traz o drama da treinadora Shannon Beiste (Dot-Marie Jones), da qual, expandiu a questão do preconceito, o Born This Way um dos melhores da temporada que conseguiu ser forte com a questão do bullying como um todo, além de mostrar resolução do drama da professora Emma Pillsbury (Jayma Mays) que tinha TOC, e a surpresa do episódio Prom Queem, que mais uma vez coloca Kurt de frente com a homofobia.

Mas o melhor ficou para o final no episódio New York, com os personagens partindo para as regionais. Infelizmente, ou melhor, felizmente eles perderam feio. Felizmente porque isso é necessário para que Glee siga sendo um seriado sobre superação e para seus protagonistas conseguirem submergir, resta mais derrotas que vitórias. O que motiva o ser humano seguir adiante são essas derrotas, da qual, as vitórias acabam sendo encontradas de outras formas, em cada luta. Neste último episódio ficou marcado quais são os personagens mais talentosos no quesito musical. Rachel e Kurt conseguem comover quando cantam a emblemática For Good, transparecendo a confusão sobre o futuro. A terceira temporada é a última desses dois personagens, e resta saber se o novo elenco preencherá o vazio que será deixado por eles.


Brothers & Sisters foi cancelada da maneira mais ingrata possível. Teve a temporada finalizada, e só depois foi confirmado seu cancelamento. Pelo menos, os produtores do seriado já esperavam a atitude da emissora então fizeram um finalzinho com a narração da protagonista Nora Walker (Sally Field), tentando fechar as arestas, mas ainda assim a sensação de poderia ter ao menos uma nova temporada menor, pairou com a entrada dos créditos. Não que a série merecesse muito. Ao longo das últimas duas temporadas, Brothers & Sisters perdeu o fôlego e se segurou como pôde em surpreender o telespectador. A essência da série que são as reviravoltas e mistérios estava lá, mas em doses menos impactantes.

Esta quinta temporada começou morna, e mesmo com a acelaração da trama em um ano, pouca coisa mudou. Quando tudo parecia piorar, ao incrementar o adultério ao casal Kevin (Matthew Rhys) e Scott (Luke Macfarlane), finalmente o seriado ganhou um arco forte, com a probabilidade de Sarah (Rachel Griffiths) não ser filha de William com Nora, e sim fruto da relação dela com um Brody, momentos antes de casar. Turbinada com essa revelação, a trama ainda teve a participação de Beau Bridges, como Brody (inclusive indicado ao Emmy como melhor participação especial em série dramática neste ano).

As outras tramas ficaram à sombra da revelação, como a própria Sarah e o noivo francês - nem mesmo a participação de Sônia Braga conseguiu envolver. Em outro núcleo, o drama do casal gay foi superado e a adoção finalmente se concretizou trazendo outros problemas, bem inexpressivos e banais, caindo até no rídiculo com a aparição da barriga de aluguel, Michelle - amiga de Scott - que mentiu ao dizer que havia perdido o filho e apareceu por lá para entregar a criança. Kitty (Calista Flockhart) e Justin (Dave Annable) tiveram suas vidas focadas nos relacionamentos, o que garante tramas ao nível de Glee com as indas e vindas de paixões "adolescentes".

A revelação de que Brody tem uma filha, seria o fôlego para mais uma temporada, no entanto, faltou audiência. Uma pena. Sally Field mesmo tendo seu momento Regina Duarte, estava em um bom programa, que tocou em temas delicados como política, homossexualidade e casamento gay, sexo na terceira idade, adoção, infidelidade, guerra do Iraque, e etc, mas acima de tudo tratou sobre família e fazer parte de uma. Uma nova família ocidental que precisa tolerar as diferenças entre si e assim se adaptar e tolerar o próximo. Mesmo com tropeços, uma coisa é certa, a família Walker vai fazer falta.