julho 05, 2010

O vencedor do Oscar 'Guerra ao Terror'

Filme é o retrato de um confronto sem perspectivas


Cercado de polêmicas desde que "roubou" o Oscar do favorito Avatar, o drama Guerra ao Terror (The Hurt Locker) cresceu muito entre a crítica desde o seu lançamento, porém, deixou o público meio perdido quanto ao merecimento de tanto reconhecimento. Mesmo que bem produzido, com um roteiro forte e em partes original, as qualidades realmente se tornam superestimadas e o fazem decepcionante aos que buscam algum tipo de emoção ou um desfecho marcante. A subjetividade é que fazem o filme bom. Simples assim.

No filme, o soldado com atitude de herói é o sargento James (Jeremy Renner) que chega à companhia Bravo constituída de fuzileiros em Bagdá faltando 38 dias para ser liberado. Porém, é lá que deve completar sua missão como desarmador de bombas, é lá que cada dia é uma incerteza. Mas o destemido soldado é corajoso o suficiente pra se livrar de bombas sem proteção, em umas das passagens, apenas pensando na maneira confortável de morrer. É esse talento de James que o faz dele em especial uma analogia do que é essa guerra. Quando veste àquelas roupas pesadas e o enorme capacete, é com se estivesse em um mundo perigoso, desconhecido e hostil. E é isso que o Iraque é no momento. Encontrar bombas espalhadas pelo território, escondidas sob o solo, dentro de carros ou, porque não, dentro de pessoas, é um dos trabalhos mais importantes à ser feito. Porém, o herói James tem seus próprios dramas pessoais.


Um deles envolve a esposa com o filho recém nascido que deixou para trás. E mesmo sentindo pouca falta, James passa por um vazio existencial, daqueles que fazem a maioria dos soldados aceitarem as missões. Não é a toa também que todos ali são jovens, e que volte e meia se envolvem em missões atrás de missões. A temática sobre essa falta de perspectivas entre soldados, não é novidade no cinema. Os últimos Soldado Anônimo e O Mensageiro são bons dramas que tentam passar a realidade do conflito de ser alguém na guerra e como não saber viver quando longe dos campos de batalha. No meio disso, o diferencial de Guerra ao Terror é tocar na questão da situação do Iraque. Uma terra violenta, em que a missão liderada pelos americanos não consegue avançar a paz na região.


A produção é mais um drama pronto para revelar a situação humana no meio do derramamento de sangue da guerra, não é poético como muitos outros filmes extraíram de outros combates, esse tem a visão dura, apocalíptica e revelando um herói frustrado, que se vê limitado quando seus poderes não servem para alterar completamente o ambiente. Mas ele compreende sua importância e sabe o quão estar lá é necessário, nem que esse necessário seja para se ter algum motivo para qual viver. Quando James retorna ao mesmo lugar, sem conseguir viver a vida como um cidadão de boa família, entende-se que esse é o país sem a guerra, viciado em tentar ser heróico, mas que na realidade busca algo para manter-se superior. Não consegue manter-se estável, sofre baixas e mais baixas, e por isso o jovem soldado desaba o tempo todo. 

Guerra ao Terror
The Hurt Locker
EUA , 2008 - 131
Drama / Guerra
Direção: Kathryn Bigelow
Roteiro: Mark Boal
Elenco: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty, Guy Pearce, Ralph Fiennes, David Morse, Evangeline Lilly 

Trailer:




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