dezembro 03, 2010

'A Rede Social' é um fiel retrato da 'geração conectada'

Filme explora o conturbado relacionamento entre dos fundadores do Facebook


Partindo da premissa "você não consegue 500 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos", o filme A Rede Social (The Social Network, 2010), do diretor David Fincher, apresenta um mundo de jovens conectados e cada vez mais ávidos pela tecnologia que não para de acelerar e aproximando-se à parâmetros ainda desconhecidos. A história de como o criador da rede social Facebook, com mais de 500 milhões de usuários pelo mundo, conseguiu se tornar o mais jovem bilionário do mundo, até agora só havia sendo revelada no livro “Bilionários Por Acaso: a Criação do Facebook: uma História de Sexo, Dinheiro, Genialidade e Traição", de Bem Mezrich, e que serviu de inspiração para a produção. E agora com as melhores críticas do ano, o filme revela esses bastidores cheio de intrigas, vingança, sexo e traição.

Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg, com uma atuação impressionante) é um nerd estudante de Havard, tem problemas de se relacionar com as pessoas ao redor e busca alguma forma de aprimorar seus estudos e assim pegar garotas. Seu amigo é o brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield, carismático como o bonzinho), estudante de administração, não entende muito bem de tecnologias, programação, códigos, mas é o único que consegue lidar com o lado mais humano do difícil Mark. Eis então, que depois de chamar atenção da faculdade inteira hackeando sites e expondo seus estudantes, é que Mark recebe um convite para fazer um grandioso site para a faculdade. A investida, parte de colegas mais ricos e populares - que representam um grupo social, da qual o jovem tem preconceito, talvez por não se encaixar ali. Porém, é nesse momento que ele começa a mostrar sua personalidade individualista e arrogante. Mark passa a investir a ideia em um site de relacionamentos único e que logo se torna o Facebook.

Saverin, principal parceiro, ajuda com investimento e tenta fechar propostas de publicidade, entretanto, não consegue vender a ideia para o mercado mais conservador. E é aí que percebe-se o dom de Mark. Ele pode não ter a simpatia e carisma de qualquer grande comunicador, porém, ele está à frente de seu tempo e sabe muito bem o que as pessoas buscariam dentro da rede. Essa falta de relações verdadeiras, decepções amorosas e a constante solidão, foram fundamentais para a criação de algo tão grandioso como é o Facebook. Apartir daí, a relação entre os amigos começa a ficar cada vez mais conturbada. Eles se desentendem, já que o nerd troca sua vida para fazer o site dar certo. O único que consegue administrar o potencial do site e lidar com o novo Mark - agora ambicioso e determinado -, é o manipulador Sean Parker (Justin Timberlake, muito bem), que surge depois de sua empresa, a polêmica Napster, sair do mapa cheio de problemas com a indústria fonográfica, além de processos relacionados a exploração sexual de menores e uso drogas.

David Fincher, constrói uma obra difícil para o entendimento mais comercial. O filme é bem dialogado, não possui cenas de ação e muito menos tem piedade daqueles que levam pipoca para comer durante o filme. A história se passa dentro de tribunal com flashback nos escuros quartos da universidade. A trilha sonora é composta de ruídos ou batidas que prendem a percepção, ou criam uma tensão. As falas do protagonistas são o próprio reflexo do que é hoje o fluxo de informação no ciberespaço, não existe vírgula, não existe meia fala. David ainda mostra como àquele jovem tão revolucionário, e que tenta ao máximo distanciar-se daquilo que não quer ser, arrogante e competitivo, acaba tornando-se tão semelhante quanto eles, mas ainda sofrendo com a solidão. Um ótimo filme para analisar a atual sociedade, os novos empresários, a forma de como as pessoas se comunicam - é assustador quando se é mostrado eles conectados e fechados para a realidade virtual, não ouvem, não falam - e principalmente como no fim de tudo, Mark Zuckerberg é na verdade uma projeção atual de um jovem criado em um sistema competitivo, injusto, cheio de paradigmas impostos nessas universidades conservadoras, da qual, se formam jovens que colocam como objetivo: fama, sucesso e dinheiro - e de preferência, o mais rápido possível.



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